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    • 2011-10-05 10:48:54 5 Outubro 2011
    • #1

    Alguém já fez? São comparticipados pelo Estado? Onde se fazem?


    • 2011-10-05 13:20:03 5 Outubro 2011
    • #2
    • 2011-10-05 13:20:59 5 Outubro 2011
    • #3

    não creio que seja comparticipado pelo estado.

    • 2011-10-07 07:02:41 7 Outubro 2011 editado
    • #4

    Já agora, notícia de ontem:

    Alergias: Testes para detectar intolerâncias são inúteis

    O presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia alerta que os testes múltiplos de intolerância para detetar alergias alimentares são inúteis e desaconselhou a sua recomendação e comparticipação pelos sistemas de saúde.

    O alerta da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia (SPAIC) surge porque os especialistas são constantemente abordados sobre o interesse da realização destes testes, que «estudam indiscriminadamente intolerâncias/alergias alimentares».

    «Cada vez mais assistimos a pessoas que, por iniciativa própria ou por profissionais que não estão habilitados, nos aprecem com análises que foram feitas para estudar eventuais intolerâncias ou alergias alimentares», conta à agência Lusa Mário Morais de Almeida.

    in Diário Digital

    (não é propriamente uma notícia rica em detalhes...)

    • 2011-10-07 07:07:33 7 Outubro 2011
    • #5

    Notícia um bocadinho mais completa, no Jornal de Notícias.

    O presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia alerta que os testes múltiplos de intolerância para detectar alergias alimentares são inúteis e desaconselhou a sua recomendação e comparticipação pelos sistemas de saúde.

    Testes para detectar alergias são inúteis, diz especialista

    O alerta da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia (SPAIC) surge porque os especialistas são constantemente abordados sobre o interesse da realização destes testes, que "estudam indiscriminadamente intolerâncias/alergias alimentares".

    "Cada vez mais assistimos a pessoas que, por iniciativa própria ou por profissionais que não estão habilitados, nos aparecem com análises que foram feitas para estudar eventuais intolerâncias ou alergias alimentares", conta à agência Lusa Mário Morais de Almeida.

    O especialista adianta que esta situação já acontece há algum tempo, mas agora começa a ser mais frequente. "As pessoas tentam estudar os seus problemas por iniciativa própria, pedindo análises por indicações que não são médicas e que depois têm interpretações muito erradas, associadas a custos que não são justificados", disse.

    "As pessoas, porque andam mais cansadas, porque andam mal dispostas, com queda de cabelo, dores de cabeça, pedem este tipo de análise sem qualquer tipo de orientação técnica", alertou.

    Esta situação pode levar a "riscos muito importantes, nomeadamente em termos de saúde, devido ao tipo de dietas que começam a ser feitas, assim como as restrições alimentares feitas sem fundamento".

    Mário Morais de Almeida dá como exemplo a alergia ou a intolerância ao leite de vaca, a mais frequente na população: "não é com este tipo de exames que [as intolerâncias] são estudadas. Carecem sempre da avaliação dos sintomas por um médico e depois então eventuais pedidos de alguns exames e uma dieta recomendada".

    Salientou ainda que "estas análises não estão incluídas em qualquer sistema de reembolso, nem nunca podem vir a ser". "Estamos a falar de análises que não têm validação científica e, segundo os doentes, podem custar centenas de euros".

    "O alerta dos alergologistas é para tentar parar com esta tendência, em que já se fala em promoções nas análises", frisa.

    A abordagem das doenças resultantes de mecanismo alérgico ou de intolerância a alimentos ou aditivos, deve ser realizada cumprindo os pressupostos da boa prática médica, dependendo de metodologias de diagnóstico clínico e laboratorial bem conhecidas pela comunidade científica nacional e internacional.

    • 2011-10-07 11:44:11 7 Outubro 2011
    • #6

    Por acaso já tinha lido a notícia, mas não concordo muito com ela! Acho que os testes são realmente necessários, e se as pessoas os pedem sem orientação médica, por algum motivo é...e o mais óbvio, claramente, é os seus médicos se recusarem a prescrever tal exame...seja porque não 'confiam' nos resultados ou porque o consideram 'desnecessário'...
    Com a 'experiência' que tenho em hospitais públicos e médicos assistentes, cada vez confio menos neles e os considero cada vez mais incompetentes. E quem fala de testes de intolerância alimentar fala de outros que, muitas vezes também são necessários, mas são completamente ignorados. A sensação que tenho é que os médicos do SNS só se preocupam em procurar doenças crónicas graves, como o cancro...fazem análises ao sangue e pouco mais...se está tudo bem nessas análises, então também está tudo bem conosco...e se nos continuamos a queixar, então é porque somos hipocondríacos e, a partir daí, deixam de levar a sério os sintomas que apresentamos.. e estamos ali a fazê-los perder tempo e a tirar lugar a outras pessoas que precisam 'mais' do que nós --'


  1. Acho que os testes são realmente necessários

    Não são necessários, aliás não servem para muito. Imagina que vais fazer um destes testes e vem como resultado, por exemplo, intolerante a arroz (protéinas, hidratos, whatever...) O que é que isso te diz ?
    Se já comeste milhares de vezes arroz na vida, vais deixar de comer? Essa intolerância provoca de facto algum sintoma?
    E o mais importante é, o que é que estes testes medem e que importância prática é que isso tem.

    Só para ter uma ideia, cerca de 2/3 da sociedade ocidental é "intolerante" à lactose, em diversos graus de "intolerância". Isso justifica que se faça testes a toda a gente ou se proiba toda a gente de consumir leite e derivados? Ou será só importante para os que têm sintomas relacionados com essa "intolerância" ?

    • 2011-10-07 13:11:39 7 Outubro 2011
    • #8

    As intolerância podem ser a causa de muitos sintomas...desde dores de cabeça até problemas no sistema digestivo. Mas claro que ninguém se lembra de investigar isso...investigam sempre o mais óbvio e se não encontram nada, então está 'tudo bem'. Dependendo do grau de tolerância/intolerância, as pessoas devem ou não cortar nesses alimentos ou, pelo menos, tentar consumi-los em menor quantidade. Há muitas gastrites que são causa de intolerâncias alimentares, mas os médicos só se lembram de receitar anti-ácidos. Há muitos diagnósticos de sindrome do intestino irritável que não são mais do que intolerâncias alimentares, mas os médicos dizem que é ansiedade a mandam-nos ao psiquiatra. Há muitas alergias, enxaquecas, mau-estar geral que podem estar relacionados com as tais intolerâncias, mas essa hipótese nunca é avaliada. Nós somos o que comemos, sempre ouvir dizer...e é bem verdade. Há alimentos que nós notamos logo que não toleramos (no meu caso, os mariscos, lulas/polvo provocam-me logo uma reacção estranha e não precisei de exames para perceber que sou alérgica), mas há outros alimentos, que por serem constantemente consumidos, vão criando intolerância no nosso corpo...e, neste caso, só com testes/exames é que os conseguimos detectar. Ninguém coloca a hipótese de o arroz que toda a vida consumiu seja agora a causa dos seus problemas no estômago/intestino. Mas, efectivamente, pode ser.
    Aqui: http://www.cristinasales.pt/Diagnostico-Funcional/Texts/Text.aspx?PageID=158&MVID=1000066

    • 2011-10-07 13:13:22 7 Outubro 2011
    • #9

    tudo que seja fora do convencional é inútil..

    O que interessa à medicina é vender medicamento de x farmacêutica e receber grandes contrapartidas. Muitas vezes nem a própria farmacêutica sabe muito bem onde actuam e o que fazem os seus medicamentos, exemplo GSK - SEROXAT.

    Ir à raíz do problema não é muito interessante na medicina convencional, pois encontrando a cura não se pode manter a mama das grandes contrapartidas dos grandes laboratórios farmacêuticos.

    Felizmente existem estes forums onde se podem debater estes assuntos normalmente camuflados pela comunicação social, pois também recebe uma parte dos lucros.

    • 2011-10-07 13:26:48 7 Outubro 2011
    • #10

    Por acaso quando como peixe vermelho sinto dores de cabeça e quando como bolachas com chocolate do lidl sinto falta de ar, mas se vou ao médico referir isto, a receita é um xanax para a hipocondria! Vale mais ficar caladinho e evitar quando nos sentimos mal.

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  2. Permitam-me discordar novamente.

    Vamos lá ver, imaginem vocês, se estes testes fossem fidedignos, práticos e úteis, o quanto não lucrariam essas empresas monstruosas farmacêuticas/ligadas à saúde. Quase tudo o que é provado científicamente é "apanhado" por esse tipo de empresas sejam vacinas, rastreios, medicamentos, exames etc etc. Portanto grandes receitas milagrosas, oferecidas por empresas que ninguém conhece ou de reputação duvidosa, na minha opinião, são para olhar com cuidado. Mas ignoremos isto.

    Penso que concordamos que o que é provado científicamente, com estudos bem conduzidos e publicados em sitios com reputação e fidedignos, é para a maioria da população, o melhor a ser aplicado. Confiamos mais que o paracetamol (que tem décadas de utilização com milhares de milhões de pessoas que o usaram) baixe a febre do que um chá de cidreira. Paracetamol vs placebo baixa mais a febre do que Chá de cidreira vs placebo.

    Portanto o que diz a comunidade científica sobre os testes sanguíneos à intolerância alimentar (medição de IgG contra antigénios alimentares - penso que seja o que estamos a discutir):
    Publicados na Pubmed (maior site mundial de agregação de artigos científicos):

    "Detection of IgG or IgG4-antibodies or lymphocyte proliferation tests to foods do not allow to separate healthy from diseased subjects, neither in case of food intolerance, allergy or other diagnoses. The absence of diagnostic specificity induces many false positive findings in healthy subjects. As a result unjustified diets might limit quality of life and lead to malnutrition."

    Kleine-Tebbe J, Herold DA. [Inappropriate test methods in allergy]. Hautarzt

    Um estudo em que eliminaram alimentos baseados nos resultados dos testes, em pessoas que sofriam de enxaquecas:

    "Use of the ELISA test with subsequent diet elimination advice did not reduce the disability or impact on daily life of migraine like headaches or the number of migraine like headaches at 12 weeks but it did significantly reduce the number of migraine like headaches at 4 weeks." ; "The disability and impact on daily life of migraines were not significantly different between the true and sham diet groups."

    Agora num reputado site médico dedicado a doentes, WebMD, neste caso sobre testes cutâneos a alergéneos alimentares:

    "Food allergies are common -- and commonly misunderstood by doctors as well as patients, says panel co-chairman Jay M. Portnoy, MD, who is chief of allergy, asthma, and immunology at Children's Mercy Hospital in Kansas City, Mo., and vice president of the American College of Allergy, Asthma & Immunology.
    "I see patients all the time who go to a doctor, skin-test positive for lots of different foods, and are advised to avoid all of these foods," Portnoy tells WebMD. "It makes their life miserable. And it turns out they are not truly allergic to all these foods after all." " Testing is the most controversial aspect of food allergy treatment. Just getting a skin test or a blood test isn't enough, says guidelines chief editor John J. Oppenheimer, MD, of the UMD-NJ New Jersey Medical School in New Brunswick."

    Até no NYTimes:
    "The culprit appears to be the widespread use of simple blood tests for antibodies that could signal a reaction to food. The tests have emerged as a quick, convenient alternative to uncomfortable skin testing and time-consuming “food challenge” tests, which measure a child’s reaction to eating certain foods under a doctor’s supervision.

    Blood tests may be unreliable because they fail to distinguish between similar proteins in different foods. A child who is allergic to peanuts, for instance, might test positive for allergies to soy, green beans, peas and kidney beans. Children with milk allergies may test positive for beef allergy.

    The most important question in diagnosing food allergy is whether the child has tolerated the food in the past, Dr. Fleischer says. While some severe allergies are obvious, parents given a positive blood test result should seek advice from an experienced allergist who performs medically supervised food challenge testing.

    Even when a food allergy has been confirmed, parents should have children retested, because many allergies are outgrown, particularly in the cases of milk, eggs, soy and wheat."

    Portanto as provas a favor são no mínimo contraditórias. E para saber que o polvo me cai mal não preciso de gastar centenas de euros...

  3. É óbvio que um médico convencional nunca receitará um chá de cidreira para a febre, porque lhe convém muito mais receitar um paracetamol. E é claro que estes testes não são convenientes para a comunidade farmacêutica e médica, nem mesmo para fazerem dinheiro...porque se se sabe que a causa de determinado problema é a ingestão de determinado alimento, então a solução é não ingerir esse alimento. O que é que eles lucram com isso? Nada. Mas se os sintomas da ingestão desse mesmo alimento são dores de cabeça, azia, alergias e bla bla bla..então os médicos receitam um medicamento para cada um dos probs, nunca resolvendo a causa subjacente e lucrando muito mais com isso do que fazendo os tais testes que, em muitos casos, eliminariam os sintomas definitivamente, sem ser necessário recorrer a dezenas de medicamentos e tratamentos diferentes.
    E é claro que se eu noto que determinado alimento me faz mal, não vou ao médico queixar-me disso porque o que ele me vai dizer é 'então não coma'...mas há alimentos que nos fazem mal e que não têm um efeito imediato...e também há sintomas que nós não associamos à ingestão de determinado alimento. Por isso é que os testes são necessários. Só acho mal que sejam tão caros. Podem não ser 100% fidedignos (aliás, nenhum é), mas pode perfeitamente ser usado como complemento de diagnóstico.

    • 2011-10-07 20:45:04 7 Outubro 2011
    • #13

    Luís, quem financiou esses estudos, dá para saber?


  4. O que é que eles lucram com isso? Nada

    Se se provasse que estes testes serviam para alguma coisa, lucravam milhões com a realização do teste.
    É curioso porque tanto eu como a "Unknown" e o(a) "pax80a" partimos duma base dogmática, dá para perceber.
    Eu defendo claramente a visão, se calhar obstinada, da tradicional medicina, enquanto vocês (Unknown e pax80a) uma visão um pouco mais céptica em relação a ela.

    É saudável que assim seja. Vejam lá a coisa dum ponto de vista prático, acreditar nas teorias da conspiração é basicamente duvidar de quase tudo em que se baseia a nossa sociedade. Sejamos racionais, é mais lógico acreditar em estudos feitos com muitos participantes, validados e publicados em revistas que acreditamos; em que milhares de pessoas também confiam e não refutam; do que em correntes de medicinas que tratam poucas dezenas de pessoas, praticam preços... upa upa e que têm sempre relatos não muito transparentes.

    Se fosse como dizem, de que servem as vacinas que previnem doenças? Porque inventaram a vacina do HPV se podiam fazer Citologias anuais durante décadas ?

    Luís, quem financiou esses estudos, dá para saber?

    Para saber deve dar, não fui procurar confesso, mas não me espantava nada que pudessem ser farmacêuticas, empresas de suplementos etc etc. Ou então não. Os grupos de investigação que existem nas universidades portuguesas recebem financiamento de empresas desse género (farmacêuticas incluido), isso tira-lhes credibilidade ? Do meu ponto de vista, se tira é muito muito pouco. Não se esqueçam que a concorrência entre farmacêuticas é altamente feroz e um resultado manipulado seria facilmente desmascarado pela concorrente. Não me parece que corram esse risco.

    Só para terminar, pensem que o SNS já não têm dinheiro para o que existe hoje em dia e que muitos sacrifícios terão de ser feitos. A haver exames que sejam comparticipados, que sejam aqueles que mais interessam: custo/benefício/eficácia (comprovada).

    • 2011-10-07 22:22:01 7 Outubro 2011
    • #15

    Sobre estes estudos, eu acho que o facto de serem financiados por laboratório x tem muito que se lhe diga, tanto, que, pelo assunto que domino (Seroxat da GSK) muitos estudos são adulterados. ( a própria gsk admite que adulterou estudos e escondeu situações bastante graves como por exemplo os sintomas de descontinuação do seroxat) Esta informação nunca chega ao médico. O que chega é que medicamento x actua na serotonina e a pessoa cura-se da depressão e ansiedades e etc... e sabemos bem que infelizmente não é assim.

    sobre as análises, concordo que se devam fazer as essenciais. muitos não têm noçao do quao caro esta bodega fica ao estado.

    Considero a medicina tradicional muito conservadora, pelo menos cá em Portugal. Os médicos continuam no pedestal a olhar para os pacientes/clientes de cima. Muitos ainda pensam que estão a lidar com o tipico português ignorante, burro, sem cultura. E na medicina tal como em todos os outros sectores, enquanto não se mudarem mentalidades, não se muda nada.

  5. Luispereira e pax80, concordo com ambos os pontos de vista. Não desconfio completamente da medicina tradicional, tal como não confio totalmente na medicina alternativa. Ambas têm os seus prós e contras. Como o fim a que de dedicam é o mesmo - apresentar soluções para os problemas dos pacientes - talvez todos beneficiassem se ambas funcionassem lado a lado.
    E a OMS já reconhece e recomenda a prática/recurso às medicinas alternativas.

    • 2011-10-07 22:40:33 7 Outubro 2011
    • #17

    Gostava de saber o que é que os médicos lucram em receitar medicamentos. Acreditam mesmo que alguém do laboratório vai a cada um dos médicos do país pagar ao fim do mês aquilo que eles receitaram...?

    A medicina convencional apenas pode se basear naquilo que está estudado e comprovado. Nunca em tradições, produtos naturais que nem se sabe bem o que têm, etc. Mesmo que um médico descubra por acaso que um determinado tratamento faz milagres a curar a doença X, enquanto não se comprovar isso com dados estatísticos fiáveis, não se estudar outras consequências, etc, isso não poderá ser utilizado. E ainda bem, pela nossa saúde! A medicina passar a ser baseada em verdadeiro conhecimento científico e em evidência e não em crenças foi sem dúvida o maior avanço que ela já teve.

    Sem dúvida que a medicina tradicional não é perfeita, tem vários interesses por trás, como tudo na vida (até as tradicionais) e uns quantos incompetentes pelo meio. Contudo actualmente depara-se com dois problemas (entre muitos outros):
    - Doentes que veêm informações na net no primeiro site que aparece no google com palavras "caras", sabe-se lá feito por quem, e assumem como verdade absoluta e "ai do médico" que diga que diga o contrário ou não peça os exames que dizia no site. Mesmo que, cientificamente, aplicados aquele caso não façam sentido absolutamente nenhum.
    - Médicos que não têm paciência para olhar para os doentes e ouvi-los (diria mais que é um mal geral na nossa sociedade), têm uma dificuldade enorme em compreender a dimensão não apenas biológica, mas biopsicossocial do doente, e que, com o aprofundar dos conhecimentos que temos, estão a atingir um nível de especialização tal que não são capazes de olhar para o organismo como um todo.

    Com isto está a gerar-se uma "guerrinha" entre os utentes e os médicos que é extremamente prejudicial a ambas as partes. Aos médicos, porque um doente que não confia é extremamente difícil de tratar e irá sempre assumir qualquer problema que haja como culpa do médico, e aos doentes, porque deixem de ter o médico como alguém que verdadeiramente apoia e se interessa pelo caso e viram-se para outras técnicas alternativas sem conhecerem as consequências que têm (por vezes apenas a longo prazo). Não imaginam a quantidade de gente que vai parar a urgências com complicações resultantes de tratamentos em medicinas alternativas (e aí é a medicina convencional que tem de resolver o problema...).

    Eu concordo que há técnicas de medicina alternativa que resultam e têm efeito, sobretudo as que lidam com a componente psíquica do doente. Ninguém nega que um bom chá preto ajuda em muita coisa. Há milhares de anos que o tomamos, não há como negar. O meu problema é quando aparece alguém a dizer que chá de uma erva qualquer rara faz bem a qualquer coisa, ninguém sabe o que aquilo tem, ninguém sabe que consequências pode ter, e as pessoas tomam sem pensar duas vezes, sem pensar que se calhar aquilo tem uma substância contra indicada para a doença que vocês têm, sem pensar que se calhar aquilo fez bem a uma pessoa porque as dores de estômago delas se deviam a uma gastrite e as mesmas dores no seu caso se deviam a uma estenose pilórica (só um exemplo).

    E acabam na urgência com uma insuficiência renal ou uma paragem cardíaca porque aquela ervinha de que falavam no site que encontraram no google lhes provocou um distúrbio electrolítico que exacerbou um bloqueio de condução de estímulos cardíacos que nem sabiam que tinham.

    As medicinas tradicionais têm bastante valor, basta ver que a tradicional chinesa está cada vez a ser mais integrada na medicina convencional (já há centros de saúde com técnicos na área), contudo não se esqueçam de que, quando eram a única forma de cuidados acessível a 90% da população, há 100, 150 anos atrás, a esperança média de vida era de 50 e poucos anos. Uma pneumonia era sinónimo de morte quase certa. Uma tuberculose idem. Uma epilepsia era incontrolável e um enfarte então nem se fala. Dêem o mérito que a medicina convencional merece por isso, por mais defeitos que ela tenha.

    E já agora, não diabolizem tanto o trabalho das indústrias farmacêuticas. Não é por elas, que obviamente existem para fazer dinheiro, muitas vezes sujo, mas pelo nossos estudantes de farmácia que andam "queimar pestanas" a aprender tim tim por tim tim porque é que tal medicamento faz efeito, pelos nossos farmacêuticos, biólogos, médicos, que andam no Infarmed e outros institutos a aprovar ou não os medicamentos para venda ao público. Eles não são assim tão "tapadinhos" a ponto de não perceberem se tudo o que lhes passa à frente não é mais do que gato por lebre. A indústria farmacêutica tem muitos podres que urge serem denunciados, mas se hoje um doente com SIDA consegue viver 3 ou 4 vezes mais anos do que nos anos 70, devemos-lhe isso a ela.

    • 2011-10-07 22:46:27 7 Outubro 2011 editado
    • #18

    Os artigos do Pubmed provavelmente serão dos mais fiável que se poderá encontrar. Claro que alguns poderão ser adulterados, mas como são todos artigos publicados em revistas conceituadas, com revisão de pares e exigências estatísticas apertadas, "fazendo a média" julgo que são bastante fiáveis. Claro que não basta ler um artigo ou dois, é preciso ler vários sobre o mesmo assunto, e ter um certo grau de espírito crítico (e conhecimento base).


  6. Claro que não basta ler um artigo ou dois, é preciso ler vários sobre o mesmo assunto

    Coloquei só os que me pareciam mais contundentes, apesar de haver dezenas deles sobre o tema.

    Restante opinião, subscrevo totalmente.

    • 2011-10-08 02:03:25 8 Outubro 2011
    • #20

    Claro, numa conversa informal não é necessário rigor profundo, referia-me a situações em que este é necessário :smile:

  7. Obrigada pelos vossos posts, foram muito úteis e esclarecedores

    • 2012-02-02 09:11:38 2 Fevereiro 2012
    • #22

    para fazer esse teste temos de ir à medica de família pedir uma credencial? e qual é o preço?

    • 2012-02-02 10:56:06 2 Fevereiro 2012
    • #23

    Este teste não é comparticipado pelo SNS, logo não te adianta nada ires à médica de familia.

    • 2013-02-15 00:19:4415 Fevereiro 2013
    • #24

    eu fiz hoje...e queria saber para quem ja fez, como vieram os resultados..os meus so vinham a dizer:
    os de incompatibilidade muito grandes(proibidos), incompatibilidades grandes(proibidos),tendencia para a intolerancia, e recomendados
    apareceram para aqui uns alimentos esquisitos que nao conheço

    • 2013-02-18 13:18:5518 Fevereiro 2013
    • #25

    Eu desde há 1 ano e meio que comecei com violentas diarreias logo a seguir ao que comia, principalmente após o almoço e jantar.Há muito tempo que comecei a verificar que o leite de vaca me fazia diarreias, por isso percebi que tenho intolerância á lactose, ou á proteína do leite, então deixei de o beber há muitos anos atrás. Do nada, e como acima disse, comecei a passar mal com tudo o que comia...!Emagreci 10 kg....estou nos 46,5kg! Aos poucos estou a descobrir sózinha quais os ingredientes que me poderão fazer mal...e pelos vistos são quase todos...desde o tomate, ao alho, a cebola, legumes crús ou cozidos, fruta, a única que consigo comer ainda é a banana..., só consigo comer arroz e batata! Durante toda a minha vida nunca nenhum destes alimentos me fizeram mal, exceptuando o leite de vaca!Agora até o leite de soja me faz mal...:crying: Estou á espera de ser chamada há mais de 6 meses para fazer uma colonoscopia pelo hospital, pois não tenho possibilidades de o fazer particularmente numa clínica..e entretanto já vou sabendo o que posso evitar e outras vezes em que tenho crises diarreicas, não sei! Ora,ao fazer estes testes de intolerância alimentar, se calhar, já poderia orientar melhor a minha vida, porque o ter emagrecido assim tanto, também mexeu com a minha auto-estima...:bored:
    Pelo menos enquanto não sou chamada para fazer o exame de colonoscopia....:smile: