Participar & Escrever

  1. Olá, chamo-me Morgana, tenho 40 anos e durante mais de 25 anos vivi com diagnósticos errados: quando estava deprimida, diziam ser uma depressão. Quando saía da depressão, sentia-me enérgica, divertida e capaz de fazer tudo uma aventura.
    Durante a depressão, esforça-me por disfarçar o desespero que sentia. Nessas fases, o suicídio era o meu maior objetivo, mas das várias tentativas, a vida sempre saiu vitoriosa... Entreguei-me ao álcool e às festas ; Os relacionamentos amorosos não duravam muito pois , para mim , criar laços era-me impossível. Apenas apreciava a fase de conquista , e assim que senti-se que a aventura estava a evoluir para algo mais sério, o interesse desaparecia e partia á busca de outro alguém, de um novo romance.
    Cresci numa família dita normal, mas com grandes barreiras emocionais...
    Sou extrovertida, mas muitas vezes sou-o porque não quero que as pessoas saibam tudo o que tenho cá dentro.
    A vida foi passando, deixei o álcool e às festas,mas a tristeza ou a alegria excessiva não desapareciam.
    Um dia, por impulso, decidi voltar a um psiquiatra. Contei-lhe que era seguida por médico, qual a medicação que fazia, o que era viver na minha pele.. Após várias consultas, exames e muitas conversas, o resultado deste fardo que carrego ganhou um nome: Bipolaridade.
    Durante algumas semanas rejeitei o diagnóstico e a medicação, porque recusava aceitar que tinha uma condição crônica e sem cura.
    Depois, aos poucos, percebi que a bipolaridade, apesar de por ora não ter cura, pode ser estabilizada e controlada por estabilizadores, o que ajuda a que qualquer uma das duas crises , a depressão ou a mania, seja menos penosas.
    Ser bipolar é sofrer e fazer sofrer, e isso é o que dói mais, fazer outrem sofrer.
    Presentemente ainda ando a fazer acerto nos medicamentos pois a minha condição levou demasiado tempo a ser corretamente diagnosticada. E, todos os medicamentos que tomei durante a vida toda, agravaram e potenciaram o meu estado.
    Descobri que o estigma em relação às doenças mentais é enorme e que a ignorância, essa então é dantesca.
    Somente os meus familiares mais chegados sabem da minha condição, mas também eles não a entendem de verdade. Apoiam-me, o que já não é nada mau.
    Gostava de poder falar com pessoas que são bipolares ou entendidas no assunto porque acredito que ajudar-me-ia a sentir-me menos só.
    E, quem sabe, talvez eu também pudesse ajudar alguém...
    Um bem-haja para todos os que deram de seu tempo para ler o meu testemunho.


    • 2017-11-12 23:50:5112 Novembro 2017
    • #2

    Olá Morgana,

    Gostei muito do seu testemunho, aliás com oqual me identifico.
    Tenho 37 anos e o meu primeiro sintoma foi uma depressão aos 15 anos com tentativa de suícidio. A partir daí foi um carrossel de festas, aventuras sexuais desprotegidas, conquistas amorosas, gastos desmesurados, inclusivé do dinheiro dos meus pais, seguido de depressões profundas com algumas tentaivas de suicídio e dois internamentos compulsivos. Em 2015 quase que a depressão me ganhava.
    Fui alcoólica, felizmente já não sou, julgava-me ninfomaníaca mas também no campo amoroso consegui estabilizar há cerca de 2 anos.
    Atualmente sou viciada em jogo, o que não me permite controlar a minha conta bancária. Quando vejo que não consigo entrego os meus cartões bancários à minha mãe, que é a única pessoa que me apoia incondicionalmente.A minha família sabe mas não entende verdadeiramente.
    Não consigo manter um emprego, este ano já vou no 6ª. Começo numa fase enérgica mas depressa tenho que recorrer a baixa médica e devido ao estigma que existe na nossa sociedade não sou capaz de voltar ao trabalho e dizer o que realmente se passa comigo.
    Tenho uma filha e se não tivesse o apoio dos meus pais viveríamos em instituições ou eu na rua e ela numa instituição.
    Estou em constantes acertos de medicação pois sou bipolar do tipo II com ciclos rápidos de alteração de humor.
    Compreendo-a perfeitamente e acho que nos devíamos unir nas redes sociais para obrigar a sociedade a reconhecer que a saúde mental é tão ou mais importante que a saúde fisiológica. Eu partilho muitas publicações nesse âmbito.
    Vou tentar reformar-me por invalidez relativa e seja qual for o resultado vou publicá-lo para vergonha ou orgulho das nossas instituições.

  2. Olá Sim& Não

    Obrigada pelo feedback

    • 2018-04-03 18:06:15 3 Abril 2018
    • #4

    Sou bipolar tipo misto e faço tratamento com desvenlafaxina , bupropiona , quetiapina , e ansiolíticos como clonazepam e alprazolam. Mas isso não tem barrado surtos de bebida e raiva.
    Fui em outro psiquiatra que retirou o alprazolam e aumentou a dose de 0.5 para 2mg do clonazepam somente a noite. E receitou rispiridona durante o dia e Depakote a noite. Estou com um certo receio pois vi muitas contra indicações a respeito do rispiridona. Gostaria da opinião de alguém que passou por caso parecido

    • 2018-04-03 18:22:39 3 Abril 2018
    • #5

    Olá! Eu tomei Risperidona de 1 e de 2 mg e dei-me muito mal. Ficava em estado vegetativo, apática e não conseguia pensar. Agora tomo Quetiapina e recuso-me a tomar Risperidona. No entanto, cada pessoa reage de maneira diferente, o melhor é experimentar, ver como te sentes e perguntar a opinião de quem está à tua volta. As melhoras! Bjs

    • 2018-04-03 19:43:46 3 Abril 2018
    • #6

    Jpt1982, quero acrescentar que o Bupropion/Wellbutryn me fez muito bem. Atualmente não tomo ansiolíticos mas quando tomava Clonazepam e misturava bebida era um cocktail explosivo, sempre notei que quando bebo parece que há um retrocesso no efeito da medicação e, segundo estudos científicos basta falhar uma toma de qualquer um dos medicamentos que tomamos para podermos ter uma crise/recaída. Já tomei muita medicação diferente., se puder ajudar em mais alguma coisa é só dizer.Força!Bjs