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  1. SOU O ANDRÉ, PRECISO DE SI

    Chamo-me André Manuel Oliveira Freitas, tenho 30 anos, resido em S. Pedro da Cova, distrito do Porto, sou casado e pai de uma linda menina de 3 anos.
    Sinto-me desesperado, encurralado numa situação que não compreendo nem aceito e, na falta de explicações nem de soluções, decidi escrever um mail explicativo da minha condição de saúde e da minha situação particular, recorrendo a todos os serviços e /ou entidades de saúde, na esperança de que em algum lado, algum médico ou investigador se interesse pelo meu caso.
    Trabalhei como porteiro numa empresa de segurança em condomínios habitacionais até ao dia 15 de Abril de 2013, a partir do qual os meus problemas de saúde se agravaram e encontro-me de baixa desde essa data.
    Desde criança que me recordo de ter problemas de saúde, principalmente ao nível da visão, que piorava constantemente e afetava o meu rendimento escolar, mas também tive problemas com a fala e com a marcha, tinha vómitos e dores de cabeça, sem nunca me ter sido diagnosticada alguma doença, apesar de a minha mãe nunca ter descurado o meu acompanhamento médico e as consultas regulares no Hospital Maria Pia do Porto.
    Aos 12 anos, o oftalmologista que me acompanhava, depois de novamente ter trocado a graduação dos meus óculos, sem qualquer resultado prático na minha cada vez maior dificuldade em ver, mandou-me fazer uma TAC, posteriormente avaliada por uma neurologista que me disse que eu tinha hidrocefalia. Perante este diagnóstico (finalmente um diagnóstico!), a neurologista enviou-me para o Hospital de S. João do Porto com uma carta de apresentação. No dia seguinte, durante uma reunião da especialidade, o meu caso foi avaliado e foi decidido o meu internamento na segunda-feira seguinte.
    Fui operado pela primeira vez, no dia 10/02/1998 e foi-me colocada uma válvula, que infecionou passado um mês. Nova cirurgia, desta vez para colocação de uma válvula programável, que também infecionou e teve que ser retirada após aproximadamente 6 meses.
    Fui entretanto encaminhado para o serviço de oncologia pediátrica do referido hospital, tendo-me sido diagnosticado um glioma na região cocleovestibular esquerda. Após as devidas avaliações médicas e alguns exames, concluíram que não se justificava eu fazer quimioterapia nem radioterapia.
    Em Março de 2000 fui novamente internado e fui sujeito a uma ventriculostomia, que tem funcionado perfeitamente, (pelo menos esse é o parecer generalizado dos médicos que me acompanham no Hospital ….) e que me permitiu ter uma vida, não direi completamente normal porque as sequelas da hidrocefalia não desapareceram e fiquei com limitações, principalmente no campo da visão, mas era feliz com a minha vida. Estudei até ao 12º ano, arranjei um emprego, casei e sentia-me feliz, útil e integrado na sociedade.
    De salientar que, ao longo dos anos e após me ter sido diagnosticado o glioma, fui sempre acompanhado no Hospital de S. João, nomeadamente para a realização de RMN, inicialmente de 6 em 6 meses, depois anualmente e ultimamente de 2 em 2 anos, sempre concluindo não haver alterações na minha situação.
    Na madrugada do dia 15 de Abril de 2013, tudo mudou drasticamente.
    Ao realizar a ronda noturna aos parques de estacionamento subterrâneos do condomínio, tive um episódio ; Concor 5mg; Becozyme forte; Diazepan 5mg; Atyflor; Vigantolde tonturas, vertigens e desequilíbrios muito fortes. Seguiram-se os vómitos, a diarreia e suores gélidos. Sentindo-me incapacitado e doente, telefonei para o INEM que me transportou de imediato para o Hospital Geral de Santo António do Porto, onde realizei vários exames médicos, nomeadamente TAC e exames de ORL, não tendo sido conclusivos. Por insistência da minha esposa e da minha mãe, fui então transferido para o Hospital de S. João, onde se repetiram exames com resultado igualmente não conclusivo, tendo por isso tido alta hospitalar, sem perceber o que me tinha afinal acontecido e porque piorei tão drástica e subitamente.
    Em resumo, as TAC e as RMN que tenho vindo a fazer não sugerem alterações no glioma nem o aparecimento de quaisquer outras lesões. Já passei por diversos serviços de especialidade médica hospitalar, obtendo sempre a mesma frustrante resposta: “ nada de novo, nada a acrescentar …”. Já sugeri por mais de uma vez que me internassem e me fizessem todos os exames e/ou análises de que se lembrem que possam ajudar a esclarecer o meu problema mas respondem-me que não é assim que funciona.
    Já realizei seçoes de Reiki, Acumpumpultura, bem como umas massagens de manipulação de tecidos, que numa primeira fase teem algum efeito, mas, logo volto a ficar no estado em que estava.
    Ao longo dos vários anos, já fiz diversa medicação, sempre por tentativa e erro, pois inicialmente parece surtir algum efeito mas que rapidamente se dilui como se bebesse um copo de água e passo a citar alguns dos medicamentos que me têm sido prescritos: Inderal 40mg; Carbinib 250mg; Rivotril 0,5mg; Stugeron Forte; Trimetazidina 20mg; Paracetamol 1g; Trental 400mg; Topiramato 50mg; Tegretol CR 200mg; Clamed MG; ADT 25mg; Beta-histina 24mg; Diplexil-R; Fluoxetina 20mg; Diezepan 5mg; Concor 2,5mg; Inderal 10mg ….etc
    Entretanto, como é a minha vida atualmente?
    Estou de baixa médica desde Abril de 2013, passo o meu dia sentado no sofá, incapaz de trabalhar, sempre sem forças nos braços nem nas pernas, tenho tonturas fortes, dores de cabeça constantes, não posso fazer movimentos rápidos com a cabeça pois sinto-me logo nauseado, não posso brincar com a minha filha pois rapidamente me canso e até tenho receio de deixá-la cair, não consigo ver televisão nem ler um livro pois a minha visão, mesmo com óculos de correção, é extremamente desfocada, enfim, não vivo, limito-me a vegetar, sempre triste e revoltado por não perceber se não há nada a fazer relativamente à minha doença (que nunca me foi devidamente explicada e que me parece ainda misteriosa) ou se não há vontade de me ajudar, talvez porque sou apenas um numero numa ficha clinica de uma engrenagem demasiado grande para se preocupar comigo.
    Não sei se me poderá ajudar ou reencaminhar para alguém que possa fazê-lo, mas toda a ajuda é bem-vinda por isso aqui fica o meu pedido.
    Com os melhores cumprimentos,
    André