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    • 2008-07-21 13:08:3521 Julho 2008 editado
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    Estranha contradição! O filho tão desejado já nasceu e você, em vez de estar feliz, sente-se triste, tensa e de mal com a vida... Não se preocupe, pois a fase é passageira. Estabeleça uma nova harmonia e, não tarda nada, vai voltar a sentir-se tão bem ou melhor do que antes.

    A gravidez é uma experiência única na vida de qualquer mulher. Ao longo de 9 meses, a grávida é o centro das atenções de toda a família: cada análise, ecografia, ou ida ao médico constitui matéria para longas conversas ao jantar. Depois, os desejos que não podem ser contrariados, os mimos a toda a hora, os inúmeros telefonemas do futuro papá, as flores, as prendinhas inesperadas. A par de tudo isto, ainda uma intensa actividade psicológica que se traduz em fantasias acerca do bebé. Com quem se parecerá? Será sossegadinho ou agitado, será menino ou menina?

    Chegado o dia, tudo se modifica repentinamente. A mãe vê-se perante um ser muito pequenino que parece infinitamente frágil e completamente diferente daquilo que imaginou. Reclama quando tem fome, grita se tem dores, recusa-se a adormecer e precisa que lhe mudem constantemente a fralda. Não há tempo para adaptações, já que a realidade se impõe. O instinto maternal é posto à prova, sem antes ter sido testado. Quando chega o momento de ir para casa, os receios acentuam-se. E agora como vai ser? Será que consigo dar conta do recado? Se, por um lado, existe o desejo de voltar, por outro, era bem mais cómodo deixar ficar tudo como estava.

    De repente, a tristeza...

    Os primeiros dias são muito cansativos: cuidar do bebé, receber as visitas, tratar da casa, de si própria e, eventualmente, do marido.

    Não há tempo para tudo, só se fosse a super-mulher! No meio de tanta exigência, parece que, de repente, o céu lhe desaba inteirinho em cima da cabeça! Aparece, então, uma tristeza muito grande, um vazio inexplicável e uma enorme vontade de chorar. As nossas avós chamavam-lhes "lágrimas de leite", porque o choro sempre foi o sintoma mais comum. Perante esta situação, o que é preciso é não desesperar! Ao longo das épocas, as mulheres demonstraram ser capazes de enfrentar e resolver positivamente esta fase temporária. De resto, os receios e as inseguranças são absolutamente normais e só não surgiriam se a recém-mamã fosse completamente inconsciente.

    Serei eu capaz?

    Perante uma situação nova que acarreta grandes responsabilidades, como é o nascimento de um filho, até é bom que surjam alguns medos, porque nos fazem falar com quem tem mais experiência, ler nas revistas de especialidade ou telefonar para o pediatra. Será que o meu leite é suficiente? Conseguirei ser boa mãe? Como é que vou ser mãe, mulher e profissional, ao mesmo tempo? A exaustão física e as noites mal dormidas pouco ajudam a que esta fase se supere rapidamente, mas, passo a passo, ela vai mesmo sendo ultrapassada. Além disso, os médicos referem que este tipo de depressão pode estar associado a alterações hormonais que só são equilibradas quando a actividade ovárica é restabelecida. O que é certo é que cerca de 80 por cento das mulheres, sobretudo quando se trata do primeiro filho, sofrem de depressão pós-parto. Os sintomas iniciam-se por volta do quarto dia após o parto e mantêm-se ao longo de aproximadamente um mês. Esta fase coincide com o momento em que se dão acentuadas alterações a nível físico, hormonal e emocional.

    Nunca se esqueça de si!

    Com os devidos cuidados, o seu corpo voltará, lentamente, ao que era. Os quilos a mais poderão ser perdidos, se houver cuidados com a alimentação e um esforçozinho para começar com exercício físico. Se, quando estava grávida, frequentou aulas de preparação para o parto, agora é altura de voltar, mas com o objectivo de se restabelecer a nível físico.

    Ainda que pareça ser difícil arranjar tempo, há sempre uma avó disponível, ou uma tia simpática que pode vigiar o bebé durante um par de horas. É muito importante que cuide de si própria e não deve sentir-se culpada por isso. Deixar o seu bebé ao cuidado de alguém, durante o tempo necessário para ir ao ginásio, não envolve perigo nenhum. Se voltar mais bem disposta, é ele que vai beneficiar da sua felicidade!

    O pai também pede mimos...

    Um parto difícil pode ser traumático a nível emocional, e a cesariana é sempre uma cirurgia da qual a mulher tem de recuperar, por forma a que, algumas semanas depois, se sinta como antes. É necessário todo um trabalho a nível interno e externo, para que a "mamã" se volte a sentir "mulher" e atraente. Olhe-se ao espelho e analise o que é preciso mudar. Uma simples ida ao cabeleireiro pode fazer milagres, e uma roupa nova atenua qualquer depressão. Depois de cuidar de si, sentir-se-á mais atraente e segura.

    Além disso, tem que pensar que lá em casa existe um outro elemento muito importante - o seu marido. Ele também precisa de atenções e de carinhos. Se, a princípio, é difícil arranjar tempo e disposição para tudo, com o passar dos dias há todo um equilíbrio familiar que é preciso restabelecer. Muitas vezes, a mulher assume o papel de mãe a tempo inteiro e esquece-se que também é mulher e esposa. Acabam-se os mimos, os jantares à luz das velas, as idas ao cinema e, no limite, todo e qualquer programa a dois.

    Os homens também se deprimem

    Se o bebé se tornar o único pólo de interesse para a recém-mamã, ergue-se uma barreira entre o casal. Surgem então as discussões e as acusações mútuas e deixa de haver tempo para romantismos e atenções. O pai pode até sentir ciúmes do bebé, porque ele é o responsável por tudo o que se está a passar. Embora esta situação seja mais frequente quando se trata do primeiro filho, é um facto que, ao ver-se colocado em segundo plano, o homem tende a deprimir-se. Assume então uma atitude de constante mau-humor, irritabilidade, desinteresse pela vida e desleixo na forma de vestir. Pode também apresentar outros equivalentes depressivos, como insónias, dores generalizadas e queixas constantes de cansaço. Associado a tudo isto, surge também o sentimento de culpa, já que se sente mal por não conseguir dar a devida atenção ao bebé e à mulher e, por não ser capaz, fica cada vez mais deprimido, vivendo um ciclo vicioso. Esta fase é complicada de ultrapassar porque, na maior parte das vezes, o homem não assume o seu problema e, por isso mesmo, não aceita ajuda alguma. Cabe então à mulher ter a sensibilidade e a paciência necessárias para o poder ajudar ou então convencê-lo a procurar ajuda especializada.

    Partilhe a agenda com o seu marido

    A família aumenta, portanto é necessário estabelecer novas regras para que todos se mantenham unidos. Já lá vai o tempo em que o papel do homem numa família era, única e exclusivamente.

    Ganhar dinheiro para a sustentar. Actualmente, as mulheres têm também a sua actividade profissional, portanto tudo se alterou e a partilha das tarefas caseiras é de extrema importância. O homem pode ir às compras, aspirar, limpar o pó e mesmo cozinhar, nem que para isso a mulher o ajude, elaborando uma lista pormenorizada. Em relação ao filho, também existem tarefas muito importantes que o pai pode desempenhar. Adormecê-lo enquanto a mãe prepara as refeições, brincar com ele, levá-lo a passear no parque... Ao permitir que o seu marido a ajude a cuidar do bebé, consegue ter um pouco mais de tempo para si, ao mesmo tempo que fortalece os laços afectivos entre ele e o filho. É que os momentos da gravidez são sempre mais intensamente vividos pela mulher, devido às sensações físicas que são experimentadas. O homem tende a viver a gravidez "de fora para dentro" e só se confronta com a realidade do que significa ser pai quando tem, por fim, o filho nos braços. Por isso há necessidade de uma adaptação por parte do homem ao papel de pai, e a mulher estará a facilitar esse processo se o implicar nas tarefas.

    Para onde vai o desejo sexual?

    Ao olhar para o espelho, a mulher será a primeira a sentir-se menos atraente. As linhas corporais alteraram-se e demoram ainda algum tempo a voltar a ser o que eram. Estas modificações provocam inseguranças e inibições, que se manifestam num afastamento sexual.

    Como expor um corpo que agora não está atraente? As relações sexuais tornam-se, então, menos frequentes. Ao mesmo tempo, não é de estranhar que a libido se encontre significativamente reduzida, devido ao método utilizado para o parto. A mulher pode estar dorida fisicamente, ou sofrer ainda de lesões decorrentes do nascimento do bebé. O marido deve munir-se de toda a calma do mundo e rodeá-la de muito carinho e compreensão, para a ajudar a ultrapassar tudo isto e permitir que a vida do casal volte à normalidade.