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    • 2008-05-20 09:26:3320 Maio 2008 editado
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    A falta de sono causa grande ansiedade tanto às crianças - que não sabem o que fazer para passar o tempo - como aos pais. No dia seguinte, aos pais, espera-lhes um dia de trabalho cansativo, já que é difícil manter o rendimento depois de uma noite mal dormida. Em alguns casos, o que se passa é que as crianças dormem demasiadas horas durante o dia, o que faz com que durante a noite não tenham sono. Este problema deve-se simplesmente ao facto de terem os horários trocados. Noutros casos, estamos perante uma perturbação do sono que, embora frequente na infância, necessita de ser detectada e posteriormente entendidos os problemas que estão na base do seu surgimento, para que se consiga debelar o problema.

    Apneia do sono
    Trata-se de um grupo de perturbações que se caracteriza pelo facto de haver uma suspensão repetida da respiração ao longo do sono (apneia). Este tempo é suficientemente longo para que possa provocar uma diminuição da oxigenação cerebral. Nas crianças que sofrem desta perturbação, a respiração pode parar várias vezes durante a noite devido a uma obstrução respiratória (ligada a factores como uma amigdalite, obesidade, hipertrofia das amígdalas e problemas nos adenóides). A criança pode acordar e voltar a adormecer sem ter consciência do sucedido, sendo que a única consequência é a sonolência no dia seguinte. É importante que se detecte o que é que está a provocar a obstrução para que a apneia seja devidamente tratada.

    Pesadelos e terrores nocturnos
    Os pesadelos são comuns na infância. Geralmente, a temática roda em torno de monstros e seres assustadores, o que irá fazer eclodir uma crise de ansiedade, acompanhada de aceleramento respiratório. Por vezes a criança chega a gritar e a acordar muito assustada, a tal ponto que a perturbação a impede de voltar a adormecer. Os terrores nocturnos são um fenómeno diferente dos pesadelos. Cerca de 90 a 180 minutos depois de adormecer, a criança senta-se de forma abrupta na cama, abre os olhos e grita ou chora, pedindo ajuda e mostrando uma grande aflição. Passados alguns minutos pode parecer confusa e agitada e ter o ritmo respiratório acelerado. As tentativas dos pais em confortá-la podem ser infrutíferas, uma vez que a criança ainda está a sonhar e vai inserir os pais no sonho. Este facto explica o comportamento de muitas vezes os empurrar e manifestar alguma agressividade. Os terrores nocturnos podem durar de 30 minutos a uma hora, até que a criança regresse ao seu sono normal. Este problema, ao contrário dos pesadelos, não é muito comum na infância. Acontece a entre 1 a 5 por cento das crianças, ocorrendo sempre num estado profundo do sono. Apesar de perturbador, não remete para nenhuma perturbação psicológica. Nestes casos é vital que os pais sejam informados do que se está a passar, já que este problema nocturno é causador de muito mais stress para os pais do que para os filhos.

    O sonambulismo
    Cerca de 15 por cento das crianças entre os 5 e os 12 anos já tiveram pelo menos um episódio de sonambulismo. Esta perturbação atinge mais os rapazes. Em geral, a criança levanta-se da cama e deambula pela casa de olhos abertos e com um aspecto pálido. Pode chegar a abrir portas (inclusive sair para o exterior da casa) e ter comportamentos despropositados. Se falar, as suas palavras geralmente não fazem sentido. Tudo isto acontece durante o sono, o que faz com que ao acordar não se recorde de nada. Em regra, os episódios de sonambulismo ocorrem após duas a três horas de sono. Não se tratando de uma patologia grave, normalmente é desnecessária intervenção médica; contudo, há que haver alguns cuidados, sobretudo no que concerne à segurança, uma vez que podem surgir acidentes. Assim sendo, as portas que dão acesso à rua deverão ser mantidas bem fechadas e sem a chave na fechadura. As janelas também devem estar trancadas e o acesso a objectos cortantes não deve estar facilitado. Perante a situação, há que tentar conduzir a criança lentamente para a cama, sem procurar acordá-la.

    Falar durante o sono
    Chama-se sonilóquio e trata-se de falar durante o sono coisas geralmente sem nexo e com uma voz monótona. Normalmente estes episódios duram apenas alguns segundos. É uma situação muito comum e não necessita de qualquer intervenção terapêutica.

    Sinais de que a criança dorme pouco
    Mesmo que os pais não estejam atentos ao facto de os filhos dormirem pouco, alguns sinais que à criança exibe durante o dia podem alertá-los para essa questão:
    • Sonolência excessiva durante o dia.
    • Recusa em ir dormir ou em ir sozinha para a cama.
    • Agitação psicomotora.
    • Dificuldade em manter a atenção e concentração.
    • Impulsividade.
    • Problemas de memória.
    • Agressividade face aos pares e à família.
    • Comportamentos de oposição.
    • Alterações do humor.
    • Ansiedade (derivada de medos, fobias, problemas emocionais).
    • Problemas na aprendizagem.