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    • 2008-05-02 19:28:42 2 Maio 2008 editado
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    A depressão é duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens. embora seja uma doença que pode afectar qualquer grupo etário, é mais comum entre os 20 e os 30 anos.
    A taxa de incidência mantém-se elevada até aos 44 anos e reduz consideravelmente nas pessoas com mais de 65 anos.
    O que é um facto é que todos nós, ao longo da vida, experimentamos, pelo menos, um estado depressivo. De doença passageira a doença muito grave, a depressão pode ter vários contornos e numa coisa os especialistas são unânimes: não deve nunca ser ignorada.

    Chora sem saber porquê, sente-se sem forças, está quase sempre pessimista, sem esperança, dorme mal e sofre alterações do apetite? O mais provável é que esteja com uma depressão. No entanto, de todos os doentes, apenas 12% experimentam depressão grave, que requer tratamento. Para se considerar que estamos perante um quadro de depressão, os sintomas têm de estar presentes durante, pelo menos, duas semanas, provocando incapacidade no funcionamento do indivíduo.
    A depressão não é vivida de forma igual por todas as pessoas. O tratamento deve ser procurado para acelerar a recuperação e diminuir a possibilidade de reocorrência. Quando as pessoas sentem que algo vai mal devem, primeiro, tentar identificar as possíveis causas, não descartando a possibilidade de doença física. Assim, se não consultam um médico há mais de um ano, será prudente fazer alguns exames de rotina para excluir uma patologia como causa para os sintomas, por exemplo, doença cardíaca, diabetes ou hipotiroidismo. Algumas pessoas podem sair sozinhas da depressão. Sem ajuda, um episódio depressivo pode passar entre três a seis meses ou pode evoluir para depressão crónica.
    Segundo estudos recentes, um ano após o diagnóstico de depressão, 40% dos indivíduos permanecem com sintomas suficientemente graves para cumprir critérios, 20% continuam com alguns sintomas que não são suficientes para cumprir critérios e 40% não apresentam perturbações de humor. Existem diferentes tipos desta doença que têm origens igualmente diversas (ver caixa). Importa identificar-se a depressão resulta de uma crise (doença grave, morte de um familiar, divórcio ou perda de emprego) ou se a pessoa está a reagir a uma situação de stress crónico, permanente, (problemas diários, excesso de trabalho, família, situação muito frequente na mulher), ou ainda se é consequência de problemas como dificuldades económicas, problemas no casamento ou perda de autoconfiança. Na depressão, a pessoa tem uma visão negativa de si própria, das suas experiências de vida e do seu futuro. Ignora as suas qualidades e aumenta os seus defeitos (físicos ou intelectuais, por exemplo), sobrevaloriza os seus fracassos ou as situações que interpreta como tal. Tem, aliás, tendência para ver tudo de forma negativa, como que reinterpretando a realidade. Os seus objectivos pessoais parecem-lhe cada vez mais difíceis de alcançar.

    A duração da depressão é variável. Sem tratamento pode durar seis meses ou mais e, em muitos casos, os sintomas desaparecem completamente. No padrão sazonal, no qual as mulheres representam 60 a 90% dos casos, a pessoa desenvolve sintomas depressivos ciclicamente, numa altura específica do ano, normalmente o Outono ou o Inverno. Os sintomas tendem a desaparecer na Primavera.

    DEPRESSÃO E ABULIA
    Um dos aspectos mais destrutivos da depressão é a falta de motivação para tudo. Qualquer actividade parece um obstáculo intransponível. A pessoa começa a ficar dominada pela inacção e, quanto menos faz, pior se sente. Vai aumentando o seu sentimento de culpa e de autocrítica. Nestes casos, o mais importante é a pessoa tentar activar-se para regular o humor. Deve procurar actividades que, no passado, lhe deram prazer. Deste modo, dar-se-á uma oportunidade de experimentar situações que lhe tragam alguma gratificação.
    Nos casos de depressão grave, em que a pessoa sozinha não consegue 'levantar-se', é absolutamente necessário recorrer à ajuda profissional. Casos há em que é mesmo obrigatório procurar apoio psiquiátrico, para que os medicamentos estabilizem o humor, proporcionando alívio sintomático rápido.

    A IMPORTÂNCIA DA PSICOTERAPIA
    Segundo a psicóloga Ana Paula Belo, a partir desse momento é possível, então, seguira psicoterapia: "A terapia comportamental cognitiva é das mais eficazes, torna-se mais baixa a taxa de recidivas porque o doente aprende estratégias. A recuperação é também mais rápida. O primeiro passo é a activação da pessoa, através de um programa de actividades diário, que lhe vai aumentar o nível de energia. Vai cumprindo uma parcela cada dia, tarefas que pode executar em casa e que lhe dão a sensação de ser capaz." O doente deve fazer um registo do que faz e da escala de satisfação que antecipa para essa tarefa (de 1 a 100). Depois de cumprida a tarefa, a pessoa volta a avaliar, para verificar-se houve ou não diferença. "Normalmente, acaba por tirar muito mais gratificação da tarefa do que tinha antecipado", refere Ana Paula Belo, "isto fá-la compreender que, afinal, pode ter prazer na realização e, para além disso, enquanto desenvolve a tarefa, interrompe o humor deprimido. A partir daqui, o ganho em energia vai permitir-lhe ir cumprindo sempre um pouco mais." Esta é a base, mas não chega. Depois há que trabalhar a outro nível. Uma vez que a pessoa empola sempre os aspectos negativos de uma situação, desvalorizando tudo o que há de positivo, é necessário ensiná-la a perceber que há uma distorção da sua percepção da realidade.

    MOTIVOS PARA UMA MAIOR TENDÊNCIA DEPRESSIVA NAS MULHERES
    As mulheres são mais desvalorizadas socialmente, e até na família, de forma frequentemente não deliberada, mas com consequências a longo prazo. Desde a infância que as mulheres se habituam a ouvir a sua condição de mulher ser despromovida relativamente aos homens. São, muitas vezes, as próprias mulheres da família a ter esta atitude. A forma como os filhos do sexo masculino são tratados pelos pais, em particular pelas mães, reflecte bem esta situação. Mais tarde, vem ao de cima a tendência para a desvalorização.

    CASOS ESPECÍFICOS DE DEPRESSÃO

    DEPRESSÃO PÓS-PARTO
    Só se considera que existe uma depressão pós-parto se esta ocorre num espaço de quatro semanas depois de dar à luz. É mais frequente nos primeiros filhos, mas a taxa de reincidência para primíparas que tiveram esta doença é bastante elevada - entre 30 a 50 nos partos seguintes.
    Este tipo de depressão caracteriza-se basicamente por crises de choro, ansiedade, ataques de pânico, insónias e falta de interesse pelo bebé. Muitas mulheres sentem-se culpabilizadas por estarem deprimidas numa altura das suas vidas em que deveriam estar felizes. É importante tratar a depressão pós-parto. Alguns casos, raros, podem tornar-se bastante graves.

    DEPRESSÃO BIPOLAR I
    As depressões recorrentes têm apenas um pólo, chamado pólo depressivo. No entanto, casos há em que existem dois pólos: alto e baixo. Ou seja, a pessoa vai-se abaixo numa depressão profunda ou desenvolve uma elevação de humor (mania) que pode ser muito perigosa. Estes dois estados alternam. Esta perturbação é também designada por doença maníaco-depressiva. Ocorre em indivíduos que, aparentemente, nada têm de depressivo. São extrovertidos, com grande auto-estima, falam e movimentam-se de forma enérgica, saltam de assunto para assunto. Há fortes indícios de que esta perturbação seja hereditária. Naturalmente que é uma doença potencialmente perigosa, com elevado índice de suicídios, e que requer quase sempre hospitalização e intenso acompanhamento. Calcula-se que entre 0,4 a 1,6% da população adulta sofra de depressão bipolar I, sendo a incidência em homens e mulheres praticamente a mesma.

    NUNCA ABANDONAR OS TRATAMENTOS
    Este é um dos principais problemas referidos pelos especialistas. Em casos de tratamento com fármacos, ao cabo de poucas semanas do início da medicação, a maior parte dos doentes começa a falhar as horas a que devia tomar os medicamentos ou, mais grave ainda, interrompe os tratamentos. Entre 30 a 40% dos doentes seguem este padrão, o que é um número elevadíssimo. Se o doente abandonar a terapêutica quando desaparecem os primeiros sintomas e muito antes de terminar o tratamento, o que acontece quase sempre é que a depressão vai reincidir, podendo tornar-se crónica ou resistente. Isto significa que, em episódios futuros, os antidepressivos não vão ter o mesmo grau de eficácia.

    CURA
    Considera-se que um episódio depressivo terminou quando a pessoa esta livre de sintomas ou tem sintomas ligeiros durante, pelo menos, dois meses consecutivos.

    Dados preocupantes:
    ■ 15 a 20% dos doentes desenvolve depressão crónica
    ■ Recaídas frequentes em casos de depressão crónica
    ■ Suicídio em 15% dos deprimidos graves

    Causas da depressão
    ■ Hereditariedade
    ■ Situação traumática ou crise interior (morte, solidão)
    ■ Reacção a doença grave
    ■ Padrão sazonal (só em certas alturas do ano)

    Sintomas típicos
    ■ Pessimismo Tristeza
    ■ Choro frequente, sem motivo aparente « Falta de força
    ■ Perda de peso
    ■ Agitação ou lentidão
    ■ Falta de memória
    ■ Incapacidade de concentração
    ■ Sentimento de desvalorização ou culpa
    ■ Pensamentos recorrentes sobre a morte