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    • 2008-04-20 10:19:3520 Abril 2008 editado
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    As lesões músculo-esqueléticas são o problema relacionado com o trabalho mais comum na Europa. Uma forma - entre muitas - de as prevenir e aliviar? Espreguice-se!

    Perto de 24 por cento dos trabalhadores da UE dizem sofrer de lombalgias e 22 por cento queixam-se de dores musculares. Durante, no mínimo, um quarto do seu período total de trabalho, cerca de 62 por cento estão expostos a movimentos repetitivos da mão e do braço, 46 por cento a posições dolorosas ou cansativas e 35 por cento ao transporte ou deslocação de cargas pesadas.
    Posto isto, a verdade é que as lesões músculo-esqueléticas (LME) têm custos enormes, quer para os trabalhadores, ao causarem sofrimento e perdas de rendimento; quer para as entidades patronais, reduzindo a eficiência empresarial; quer ainda para os governos, ao aumentarem as despesas relacionadas com os sistemas de segurança social. Razão mais do que suficiente para, em 2007, a Agência Europeia para a Segurança e a Saúde no Trabalho ter lançado a campanha "Atenção! Mais Carga Não", com o objectivo de chamar a atenção para esta questão e ao mesmo tempo ir ao encontro de soluções para minimizá-la, nomeadamente prevenindo a ocorrência de lesões músculo-esqueléticas no local de trabalho. As LME não são um obstáculo intransponível. Muitos dos problemas podem ser evitados ou largamente reduzidos se as entidades patronais cumprirem as normas vigentes em termos de saúde e segurança, se seguirem as boas práticas instituídas e os trabalhadores participarem.

    O que são
    As lesões músculo-esqueléticas afectam estruturas orgânicas, tais como os músculos, as articulações, os tendões, os ligamentos, os nervos, e relacionam-se ainda com doenças localizadas do aparelho circulatório causadas ou agravadas pela actividade profissional.
    A maioria das que se referem com o trabalho são cumulativas e resultam da exposição repetida a esforços mais ou menos intensos ao longo de um período de tempo prolongado. No entanto, podem também ter a forma de traumatismos agudos, tais como fracturas causadas por acidentes. Estas lesões atingem principalmente as regiões cervical e dorsal-lombar, ombros e membros superiores, mas podem afectar igualmente os membros inferiores. Algumas, tais como a síndrome do canal cárpico (no pulso), são lesões específicas, que se caracterizam por sintomas bem definidos. Outras manifestam-se unicamente através de dor ou desconforto, sem que existam sinais de uma lesão clara e específica.
    Os sintomas das LME relacionadas com o trabalho podem demorar muito tempo a desenvolver-se, manifestando-se sob a forma de dores, desconforto, torpor e sensação de formigueiro. Os doentes podem ainda sofrer de inchaço das articulações, diminuição da mobilidade ou da força muscular das mãos e de uma mudança da cor da pele das mãos ou dos dedos, entre muitos outros.
    As lesões das cervicais e dos membros superiores são comuns entre trabalhadores do sexo feminino que trabalham com computadores. Devido à sua crescente utilização, este é um problema com tendência para se agravar; no entanto, pouco se sabe em termos de prevenção e da importância dos exercícios físicos no alívio das lesões que afectam o pescoço e os ombros.

    A importância das pausas
    Existe uma tendência geral para associar a actividade física a benefícios para a saúde, mas os conhecimentos sobre a saúde músculo-esquelética são ainda limitados. No entanto, a prática de exercício durante 20 minutos, três dias por semana, contribui para reduzir as lesões ao nível do pescoço entre os trabalhadores que passam muitas horas ao computador. Além disso, e segundo Rui Ponce de Leão, médico especialista em Medicina do Trabalho, é conveniente fazer uma pausa de dez minutos por cada hora de trabalho, aproveitando esse tempo para "desentorpecer" e retomar um hábito muito comum a alguns animais: espreguiçar! Quando nos espreguiçamos, estamos a alongar os músculos. Outra possibilidade a ter em conta para não estarmos a fazer a mesma coisa durante muito tempo seguido é alternar os afazeres. Quem trabalha num escritório, por exemplo, não tem de estar o dia todo sentado à secretária: podemos sempre levantar-nos e ir fazer fotocópias, trocar impressões com um colega ou superior sobre o trabalho que estamos a desenvolver, ir buscar o correio à recepção... Esta "alternância" pode (e deve) aplicar-se a todas as profissões.