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    • 2007-11-29 18:02:5129 Novembro 2007 editado
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    Uma equipa de investigadores do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), em Oeiras, descobriu que o monóxido de carbono (CO), um gás letal em doses elevadas, pode vir a dar origem a uma nova geração de antibióticos quando usado em doses baixas, controladas e toleradas pelo organismo.

    A investigadora Lígia M. Saraiva, do ITQB, conta que o grande interesse desses futuros antibióticos é o facto de serem eficazes contra as bactérias multiresistentes, já adaptadas aos antibióticos clássicos (como o caso das Staphylococcus aureus).

    «É um modo de acção completamente distinto dos antibióticos normais, porque tem um composto de diferente base química. E isso é que é importante, porque esta é uma grande batalha da comunidade científica», salienta a investigadora.

    Lígia Saraiva explicou à TSF as conclusões do estudo: «Sujeitámos as bactérias a uma concentração de CO para ver se sobreviviam ou não. E verificámos que, não só param o crescimento, como morrem. Podiam ficar paradas ou letárgicas, mas o CO tem mesmo capacidade para as matar».

    O estudo desta equipa de investigadores portugueses pode vir a resultar numa nova geração de antibióticos à base de monóxido de carbono. Mas Lígia Saraiva alerta:

    «Estamos a falar de quantidades baixas e controladas. O perigo do monóxido como gás tóxico mantém-se», salienta a cientista. É preciso, portanto, continuar a ter cuidado com lareiras, poluição e com o tabaco.

    O artigo da equipa liderada por Lígia M. Saraiva foi agora publicado na Antimicrobial Agents and Chemotherapy ( http://aac.asm.org ), sob o título "The Antimicrobial Action of Carbon Monoxide Releasing Compounds".