Participar & Escrever

    • 2007-11-12 14:52:1212 Novembro 2007 editado
    • #1

    "Como é que uma empresa funcionaria se os sócios-gerentes não se reunissem de vez em quando? A família é como uma empresa. E eu pergunto: há quanto tempo é que os pais não fazem um jantar de negócios para discutir sobre o filho?" A todos os pais que passam pelo seu consultório, cheios de dúvidas, o pediatra Mário Cordeiro deixa o conselho: "Pelo menos uma vez por ano devem ir jantar fora a um sítio bom, que também merecem e não é isso que vai arruinar o orçamento da família, escrever numa folha aquilo que acham da criança, virtudes e defeitos, aquilo que acham deles próprios, o que está correcto e errado na condução do negócio, depois troquem os papéis, leiam e comentem durante a refeição. E à hora do café combinem estratégias para o futuro."

    Não há uma receita infalível para se ser bons pais, mas quando se tem 30 anos de experiência - como pediatra, professor e pai de cinco filhos - há uma série de conhecimentos e estratégias que vale a pena partilhar. É isso mesmo que Mário Cordeiro faz n' O Livro da Criança, acabado de de chegar às livrarias pelas mãos da Esfera dos Livros. Inteiramente dedicado às crianças de um a cinco anos, este grosso volume segue-se a O Grande Livro do Bebé, lançado no ano passado e que abordava todos os assuntos da vida dos bebés no primeiro ano de vida.

    "O primeiro ano é fulcral", diz o pediatra, justificando esta divisão. "No final do primeiro ano, em média, as crianças já andam ou começam a andar, começam a usar a linguagem verbal e já têm mais ou menos o domínio da manipulação fina dos objectos. A comemoração do primeiro ano é uma barreira."

    Neste segundo volume, que acompanha a criança até à entrada na escola primária, aborda-se um período de muitos progressos: "É o período em que a criança toma consciência de si e do mundo, da sua relação com os objectos, o mundo material, e com o mundo relacional, as pessoas. Toma consciência de que não é um deus, mas humano, com o consequente medo do abandono e a consciência da sua fragilidade e da possibilidade de morte." Isto não quer dizer que uma criança de dois anos saiba o que é a morte, mas tem já uma "consciência animal de que é frágil e dependente e que sozinha não sobreviveria". Mário Cordeiro usa uma imagem fortíssima: "Para uma criança desta idade, os pais são uns matulões que na nossa escala teriam mais de três metros. Já imaginou ter de olhar para cima, ali para o andar de cima, e dizer por favor quero comida, por favor limpem-me o rabo?"

    Daí esta ser também a idade das birras (da "Dona Birra", como é tratada no livro) e da constante provocação. A criança testa os limites dos pais porque precisa saber com o que pode contar. E é comum perguntar muitas vezes "gostas de mim?"

    Os progressos registam-se também ao nível da linguagem e da cada vez maior capacidade de apreensão da linguagem simbólica; e da consolidação do desenvolvimento, ao nível da alimentação, da higiene e de todos os aspectos da sua autonomia. "São anos determinantes. Nós não temos muitas memórias dessa altura, mas está tudo lá", diz este especialista, ainda que abra um parêntesis para deixar um sinal de esperança aos pais adoptivos, que, quase sempre, perdem os primeiros anos dos seus filhos: " Se se chegar atrasado a um concerto tem-se pena de ter perdido o início, mas o concerto não se torna mau por causa disso, há sempre possibilidade de recuperação. O passado não é necessariamente futuro. Mas tem de se fazer uma ligação. Não podemos é pretender que a vida deles acabou e que começa uma nova. Isso é uma asneira."

    http://dn.sapo.pt/2007/11/12/sociedade/dicas_para_matuloes_lidarem_as_birra.html


    • 2008-02-09 00:01:17 9 Fevereiro 2008 editado
    • #2

    Bastante interessante e sou bem capaz de seguir esse conselho.

    Quando ouço falar colegas ou amigos acerca dos seus filhos, eu só posso dizer que me orgulho muito da minha filha.
    Poderia dizer que sou uma sortuda mas acho que eu e o meu marido passamos bem a mensagem. Claro que não somos os pais perfeitos mas contribuímos muito para a "formação" da nossa princesa e ela corresponde ás nossas expectativas.

    Tenho algum receio quanto ao futuro mas julgo que as bases principais já fazem parte do seu dia a dia.

    Tenho sempre em mente que eu já passei pelas fases dela e que ela ainda agora as está a passar.