Participar & Escrever

    • 2010-03-16 10:07:2416 Março 2010 editado
    • #1

    Olá a todos.Tenho um problema de saúde que já se arrasta à vários meses e para o qual a medicamentação receitada pelos médicos não tem produzido efeitos. Há sensivelmente 3 meses comecei a sentir dores de garganta e a obstruir o nariz o que me provocava fortes irritações na garganta ..dores de cabeça e muita tosse.Depois de várias passagens pelo médico de família..consultas abertas no centro de saúde,a toma de um antibiótico o Bactrim Forte e medicamentação para rinites e xaropes expectorantes,a situação não melhorava e sempre que sofria acção de uma temperatura mais fria a garganta voltava a ficar irritada e os medicamentos apenas produziam algum alívio.Como esta situação manteve-se,optei por consultar um otorrinolaringologista que fez o seu diagnóstico do caso,e por observação terá avançado com a existência de uma faringite de refluxo causada pelo refluxo dos ácidos gastricos que estaria a afectar a membrana mucosa que reveste a faringe tornando-a mais enfraquecida e susceptível a infecções e inflamações constantes.Para além disso diagnosticou-me também uma rinite que me estaria a afectar a respiração nasal e a provocar as dores de cabeça.Fiz ainda um TAC aos seios peri-nasais cujo resultado,felizmente eliminou por completo a possibilidade de um quadro de sinusite.Sendo assim o especialista, optou pelo seguinte tratamento com a intenção de a longo prazo diminuir estas crises na garganta tornando-as menos frequentes e menos agressivas.Para isso aconselhou-me a fazer um tratamento de 3 meses ao refluxo gástrico que consiste na toma de Cinet e um protector gástrico,o Nexium e para o reforço do sistema imunitário ,o spray nasal Nasomet e como medida preventiva a vacina Paspat Oral.Após 15 dias a efectuar este tratamento a garganta não apresenta melhoras,voltando a inflamar com frequência e provocando fortes crises de tosse que me obrigam a adormecer sentada para evitar a sensação de dificuldade em respirar durante a noite quando me encontro deitada.Fisicamente, tenho-me sentida muito abatida e sinto que facilmente a minha garganta sofre estas inflamações constantes,o que me parecem ser sucessivas recaídas da faringite diagnosticada.Esta 5ªfeira volto a ter uma consulta com o otorrinolaringologista que me está a acompanhar e espero que ele consiga ver que o tratamento que estou a efectuar não está a ser o mais eficaz e que preciso essencialmente de combater a faringite que já tenho e só depois efectuar um tratamento preventivo para futuras crises inflamatórias.A minha pergunta é se alguém neste fórum já passou por uma situação semelhante de sucessivas recaídas numa faringite de refluxo e como as superou.Obrigado pela atenção


    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Alexandra Fernandes

    • 2010-03-16 18:01:5216 Março 2010
    • #2

    Tem sintomas de refluxo gástrico?

    • 2010-03-16 18:13:0216 Março 2010
    • #3

    Sim,foi-me diagnosticado refluxo gástrico há poucos anos....após algumas refeições,predominantemente após jantares ,sensação de ardor no estômago,mas nesta situação actualmente os sintomas que mais se manifestam é a sensação do constante "engolir" acompanhado por aumento da saliva.Por vezes tenho mesmo a sensação de sufocar quando me deito devido á sensação de se ter algo a obstruir a garganta,que pelo que me foi dito pelo médico essa "bola" na garganta não são mais do que os ácidos do refluxo gástrico e serão esses ácidos que estão a provocar esta situação de "faringite de refluxo".A estes sintomas acrescentam-se os súbitos ataques de tosse violenta provocada essencialmente pela sensação de engasgo...

  1. De modo algum o revestimento da garganta está preparado, em condições normais, para suportar a extrema acidez do estomago. Haverá sempre uma hipersiália, ou seja, aumento da produção d saliva para esta anular o efeito do ácido, um maior peristaltismo esofágico (engole-se com maior frequência), etc.

    Penso que mais importante como tratar a consequência, será tratar a causa, ou seja, descobrir o motivo e tentar tratar o refluxo gastroesofágico. Está a ser seguido por algum gastroenterologista, ou apenas o otorrinolaringologista?

    • 2010-03-17 09:50:0717 Março 2010 editado
    • #5

    Neste momento só por um otorrinolaringologista, que foi quem associou a faringite ao meu problema de refluxo gástrico ... todo o tratamento que estou a fazer e que deverá ter pelo menos a duração de 3 meses centra-se essencialmente no tratamento desse problema.O meu maior problema é que todos os sintomas...o aumento da saliva para neutralizar os ácidos,o engolir mais vezes,provoca-me muita tosse o que por sua vezes piora a inflamação da garganta devido a essa fragilidade que ela apresenta e durante a noite essa tosse causa-me mesmo problemas de respiração e dificuldades em adormecer.Acordo cansada...ando abatida durante o dia e o problema nisto tudo é que o tratamento de um refluxo gástrico só tem efeitos..quando os consegue ter a longo prazo

    • 2010-03-19 01:09:4519 Março 2010
    • #6

    Estive hoje com o meu médico e foi-me dito que a minha rinite estaria pior e que continuava ainda com a garganta apresentando inflamaçao.Assim sendo,continuarei a realizar o tratamento ao refluxo gástrico,ao qual reforço o spray nasal com a toma tb de um anti-histaminico e um anti-inflamatório para combater a faringite na garganta.Tudo realizado sob a acçao de um protector gastrico.Agora vou ter que esperar para ver se ocorrem melhoras.Muito obrigado pela atençao e boa sorte para este projecto.As melhoras para quem delas precisa.

  2. O médico não lhe recomendou nenhuma dieta em especial? Longe de mim estar a menosprezar o seu otorrinolaringologista, mas, se o tratamento não resultar, eu no seu caso consultaria um gastroenterologista.

    • 2010-03-19 11:54:1419 Março 2010
    • #8

    Sim,foi-me aconselhada uma mudança de alguns hábitos comportamentais que já exercia ...nomeadamente,foi-me dito para reduzir a alimentação que pudesse favorecer o refluxo.Como por exemplo reduzir os fritos,as gorduras,doces,chocolate,mentolados,refrigerantes,chá verde..chá preto ,o café...alho,cebola..tomate e molhos com tomate e outros mais.Para além disso foi-me ainda sugerido que reduzi-se os líquidos consumidos durante o jantar,que fizesse refeições leves ao jantar e que nunca me deitasse sem passar pelo menos 2 horas do jantar.Também me foi dito pelo médico que nas noites em que estivesse com mais dificuldades em respirar,para optar por elevar a cabeceira uns 15 cms aproximadamente,coisa que já fui obrigada a fazer algumas vezes.O pior são as dores que provoca no pescoço ,o dormir nesta posição quase de sentada..
    Vou seguir à risca o tratamento e se não sentir melhoras,então regressarei ao meu especialista de gastroenterologia que tenho muito em conta..Mais uma vez obrigado pelos conselhos:)

    • 2010-04-21 22:05:3721 Abril 2010
    • #9

    Olá,
    só agora me comecei a informar sobre este problema do refluxo gástrico.
    Há cerca de 2 meses tive dores intensas de garganta e como era algo bastante comum tomei varios anti-inflamatórios e nada ajudou, até que comecei com tosse e ao fim de uns dias já nao dormia com tanta tosse. Achei que tinha que ir consultar o otorrino e ele disse me então algo que nunca imaginei possivel! Que não se tratava nem de amigdalite, nem de alergias que são outro dos meus problemas que vão sempre dar à garganta. Era refluxo gástrico que estava a causar tudo. Então receitou-me nexium para combater o refluxo, um anti-histaminico e um spray também para a rinite. Na 1a noite que tomei Nexium foi automático, dormi muito melhor, muito menos tosse e a garganta deixou de doer da noite para o dia.
    Entretanto após um mês e meio de medicação, terminei e antes de voltar ao otorrino, recomecei a ter ardor na garganta e já que tinha consulta de alergologista perguntei o que achava, e estou de volta ao nexium, com exigência de endoscopia e consulta de gastroentorologia.
    Resumindo, entrei um pouco em pânico quando vim pesquisar e me apercebi que não há grandes hipoteses de cura. Parece me que é um problema que vai tar sempre a dar sinal...:S

    • 2010-04-21 22:36:3621 Abril 2010
    • #10

    Olá Maf

    Eu comecei no ano passado a ter várias faringites que dificilmente curava..este ano piorou e comecei a inflamar a garganta com bastante frequência.Fiz o mesmo que fez,fui a um otorrino. e ele chegou à mesma conclusão que o seu...que devido ao refluxo gástrico estava a fragilizar a garganta e a inflamar o nariz diagnosticando-me uma faringite de refluxo e uma rinite crónica. Fiz na altura um TAC aos seios peri-nasais para afastar a possibilidade de também estar com um quadro de sinusite que pelo exame não se verificou.O meu tratamento foi semelhante ao seu...Nexium para protector gástrico,o Cinet para o tratamento do refluxo, um spray nasal e um anti-histaminico por causa da rinite.Tive alivio em poucos dias tanto nas dores de garganta como na inflamação do nariz...no entanto passado algum tempo a garganta voltou a inflamar e fiz alguma febre,voltei ao otorrino que verificou que apesar da rinite estar sarada a garganta continuava a fazer faringites e estava novamente muito débil.Foi-me então pedido um reforço dos medicamentos para mais 3 meses...o Nexium,o Cinet,o Nasomet,o anti-histaminico , uma vacina a Paspat oral que vou agora sexta feira iniciar a 2ªfase e ainda um tratamento de 10 dias com um anti-inflamatório para a garganta.Neste momento passado já uns 2 meses à semelhança no que aconteceu consigo a garganta voltou a inflamar apesar que agora ñ com tanta violência como antes..no entanto comecei a sentir dores abdominais e acumulação de gases no estomago devido a isso pedi ao médico de familia para realizar uma endoscopia e assim fiz... O diagnostico foi uma esofagite grau I do 1/3 inferior, associada a esboço de hérnia de deslisamento do hiato esofágico e gastrite. Apesar do otorrino me ter dito que devia evitar realizar a endoscopia porque a minha garganta estava fragilizada e o exames podia feri-la mais,acabei por fazer e acho que fiz bem porque agora tenho um diagnóstico que vou apresentar ao gastroenterologista. Acho sim, que será importante procurar o gastroenterologista...boa sorte e as melhoras

    data-ad-client="ca-pub-8057434045421582" data-ad-slot="3064784842">
    • 2010-04-21 22:57:4321 Abril 2010
    • #11

    Tenho mesmo que marcar o gastroenterologista.
    Já por duas vezes que também tenho dores abdominais fortes que nunca tinha tido e o estomago faz ruídos, parece um rosnar tão alto que sinto vergonha quando estou em lugares públicos...
    Obrigada pela ajuda. Boa sorte e melhoras para si também.

  3. G tenho o mesmo que descreve já ha um ano, não está sozinho(a)
    faringites recorrentes por refluxo(isto dito por médicos otorrinos), o que desconfio em parte eu, pois suspeito é da medicação(efeitos secundarios) para refluxo no meu caso.
    está a ser dificil controlar, a única coisa que me alivia é anti-inflamatório.
    não tenho é tosse como você, logo talvez a sua situação tenha mesmo a ver muito directamente com refluxo.
    também fiz tac, tenho renite hipertrofica, e refluxo.

    • 2010-05-12 09:50:2712 Maio 2010
    • #13

    A tosse é uma das consequências do refluxo,devido ao aumento de segregação de saliva que o organismo promove para combater os ácidos que se libertam do estômago e atingem a garganta...
    Neste momento e enquanto faço o reforço da vacina Paspat oral,o quadro de faringites recorrentes parece estar mais controlado,mas assim como o Fernando tive que recorrer à toma de anti-inflamatórios para combater as faringites.Neste caso,foi-me diagnosticado faringites de refluxo e rinite crónica.Mais tarde após efectuar uma endoscopia,confirmou-se o diagnóstico de refluxo esofágico e adicionou-se uma gastrite ao quadro e o esboço de uma hérnia...assim sendo estou há vários meses a fazer medicamentação para o estômago e graças a isso estou a ter problemas como dores abdominais fortes devido à acumulação excessiva de gases no estômago.Foi-me recomendada a toma de carvão vegetal após as refeições,mas sinceramente o alivio ñ tem sido grande coisa e tenho optado por aplicar botijas de água quente todas as noites para aliviar as dores e o inchaço para além de chá digestivo e uma redução cada vez maior da quantidade de alimentos ingeridos nocturnamente.
    No entanto,alguns especialistas avançaram com a possibilidade destes quadros infecciosos surgirem por uma quebra no sistema imunitário do meu organismo,aconselhando-me a realizar um estudo imunológico mais aprofundado...tendo em conta o meu historial clínico destes últimos anos (desde finais de 2008)que já me obrigou a várias idas aos serviços de urgência com febrões repentinos e vómitos,várias infecções e manchas na pele...sendo assim estou à espera de uma consulta com o meu médico de família para requerer as análises visto que o preço das mais banais nesse estudo é "upa upa" na carteira...

  4. a medicação para o estomago traz muitos efeitos secundarios(intestinos) em geral não é aconselhavel tomar muito tempo, provoca efeitos como está a sentir no seu metabolismo digestivo agora, gases, eu já passei por ai e de vez em quando passo.
    também já tomei carvão vegetal, não achei nada relevante no meu caso tomar carvao vegetal.
    o melhor como já disse, e no meu caso foi mudar um pouco de hábitos alimentares, como as outras recomendações praticas, deixar de fumar não deitar junto às refeições, reduzir stress, inclinar cabeceira da cama.
    acredite, esses são os melhores tratamentos a longo prazo para refluxo.

    • 2010-05-12 11:53:4112 Maio 2010
    • #15

    É um alivio encontrar uma pessoa que compreende o que tenho passado..é muito desgastante saber que queremos resolver um problema de saúde mas os médicos atiram conselhos e opiniões quase à sorte,o que faz com que sejamos confrontados com a toma de medicamentos e quimicos que só nos prejudicam,como o senhor Fernando refere tão bem.
    Tenho sentido uma preocupação na mudança de hábitos alimentares que infelizmente tem tido poucos resultados,já agora gostaria de lhe perguntar quais as mudanças que o Fernando efectuou na sua alimentação,para me orientar melhor.Vejo com preocupação que a sua mudança de hábitos alimentares não terá produzido grandes resultados,pois mantém as suas queixas intestinais e do estomago,o que me deixa desde já com bastante apreensão.O hábito de fumar,no meu caso é um mal do qual nunca sofri ,inclinar a cabeceira da cama é algo que é facil lembrar ,o problema são as outras vezes em que nos esquecemos:bashful_cute:
    E o que fez então para reduzir as suas situações de stress?O trabalho é sempre uma fonte inesgotável de stress,não sei se acontece com o Fernando mas ao nível do trabalho e do relacionamento com as pessoas somos sujeitos a muita pressão.."

  5. Olá a todos
    A minha situação é a seguinte há 2 anos atrás fui operado ás amigdalas porque já me encontrava com 1 amigdalite crônica, dai para a frente não tive + problemas de garganta inflamada, há uns meses atrás comecei novamente com as dores de garganta. Comecei a fazer faringites contantes, juntamente com umas costipações. Indo várias vezes ao medico, o que ele me receita é anti-inflamatórios e o antibiotico juntamente com o tratamento paspat em jejum. Fico melhor durante uns tempos, passado um pouco volta-me novamente as impossiveis dores de garganta, já estou numa fase que acordo e engulo logo para ver se não me doi a garganta :(
    O meu otorrino disse-me que vou ter que viver com estas dores de garganta, mas eu sempre que sinto dor ja eu proprio tomo anti-inflamatorios e 1s pastilhas parar a garganta e atenua a dor. Só quando vejo que não consigo curar com anti-inflamatório é que vou ao medico para ser consultado. Possivelmente vou confrontar o meu medico e dizer que devo estar com 1 faringite crônica.

    Gostaria de saber se alguem pode recomendar-me algo ou se tambem ja passou por 1 situação destas...??

    obrigado
    abraço

    • 2012-02-28 15:13:1928 Fevereiro 2012 editado
    • #17

    Olá Boa tarde!
    Interessante este assunto, pois passei por parecido. "Saí e tomei bebidas alcoólicas e varias guloseimas e etc." Minha garganta inflamou e la vai receitas de anti-inflamatórios e antibióticos, qdo na verdade a garganta irritou por refluxo gástrico :( Sempre tive isso e não tinha me dado conta que estes remédios só iriam mesmo piorar as irritações, pois "atacam" diretamente o estomago/esôfago... :( Em conversa com uma amiga médica, me orientou a procurar um Gastro que foi maravilhoso, mas de fato as irritações me acompanharão sempre que abusar na alimentação (álcool, gorduras, café, chocolate, etc). É isso, o Omeprazol após tratamento de 2 meses agora me acompanha todas as manhãs que desejo "abusar" :) pois, diminuem a secreção de ácido pelo estômago, diminuindo assim o risco de lesão do esôfago naqueles com refluxo (eu - minha garganta, rsrs). Abraços! ;)

  6. Tenho sofrido imenso com inflamações na garganta. Desde a gravidez da minha filha há 9 anos. Tinha hérnia,... e tive que ser operada. Melhorei durante 3 anos e agora estou novamente pior. O meu médico pôs-me em dieta rigorosa. Tirou-me leite, e todos os derivados, todo o tipo de frutas acidas, alhos, cebolas, alimentos fritos. Uma dieta que nunca mais acaba. E agora depois da operação e todo este tempo, voltou tudo. O pior é que infeto toda a família. Vivo com terror este filme. Há alguém que me pode ajudar. Conhecem algum bom médico?

    • 2019-07-11 09:25:1311 Julho 2019
    • #19

    Refluxo gastroesofágico pode afetar também a laringe e a faringe

    Se você tem com freqüência pigarro, tosse crônica, rouquidão e dor de garganta, atenção! O culpado por isso pode ser o refluxo, um retorno do conteúdo ácido do estômago para o esôfago, que pode também atingir a laringe e a faringe. Todos nós apresentamos, normalmente, vários episódios de refluxo ao longo do dia, principalmente após as refeições. Porém, quando o refluxo se torna excessivo, causando sintomas ou lesões, denomina-se doença do refluxo gastro-esofágico (DRGE).

    O quadro clássico costuma se manifestar com dores no estômago, má digestão e queimação na altura do esôfago. O sintoma mais comum é a azia (pirose), que ocorre por causa da acidez elevada do suco gástrico refluído. O ácido atinge regiões não preparadas para esse contato, provocando inflamação crônica.

    Estudos realizados nos últimos dez anos mostram a incidência da forma atípica de manifestação da doença, chamada de refluxo laringofaríngeo, problema que está chamando a atenção dos especialistas. Quando ultrapassa o esôfago e sobe até a garganta, pode ferir as cordas vocais e a faringe, afetando assim a saúde vocal e prejudicando principalmente os profissionais da voz, como professores, cantores, locutores. O refluxo também traz outras conseqüências, tais como a halitose (mau hálito), rinites e sinusites crônicas, e problemas dentários (cáries, gengivites e aftas).

    Por causa da ausência dos sintomas clássicos, demorou-se muito tempo para que os médicos conseguissem identificar quem eram esses doentes e quais manifestações apresentavam. "São sintomas que nada tem a ver com o refluxo clássico, mas sim com o fato de o ácido ter subido na garganta e queimar aquela região", afirma a Profª Assistente do Departamento de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo, Cláudia Eckley. A garganta fica vermelha, inchada e isso causa, na região de transição entre o esôfago e a faringe, "uma sensação de pigarro ou algo parado na garganta". Para o refluxo laringofaríngeo, as manifestações mais comuns são tosse seca, pigarro e rouquidão, principalmente pela manhã, ou após as refeições.

    Hoje já existe tratamento para o refluxo, que é feito com medicamentos e dieta. A alimentação deve ser fracionada (menores quantidades em intervalos menores entre cada refeição) e balanceada, evitando-se alimentos ácidos, frituras, gorduras, refrigerantes e molho de tomate. Perda de peso é recomendada. Os otorrinolaringologistas condenam o uso de pastilhas, balas e gengibre, que provocam uma falsa sensação de alívio e apenas "disfarçam" o problema.

    Se não for tratado, o refluxo na laringe e faringe, associado principalmente à bebida, drogas ou cigarro podem causar irritações graves na garganta, levando ao aparecimento de feridas nas cordas vocais e podendo até transformar-se em um câncer.