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  1. A questão tem vindo a público várias vezes ao longo dos últimos tempos.

    Eu, infelizmente, vivo a poucos metros de uma linha de muito alta tensão e, como tal, estou interessado nesta matéria. Tenho uma filha pequena a viver em casa e preocupa-me as alegações de que o risco de leucemia é mais elevado junto dos mais pequenos.

    Devo acrescentar que cheguei primeiro aqui. Ou seja, comprei a casa com um descampado ao lado e 4 anos depois recebo estes vizinhos indesejados.

    Em 2007 a Direcção Geral de Saúde divulgou um estudo intitulado: "Exposição da População aos Campos Electromagnéticos", finalizado em 2003. Quatro anos para divulgar um relatório? Porquê?

    É aqui que entra a teoria da conspiração, uma vez que parte da REN, empresa que gere a rede eléctrica nacional, responsável por estes postes de alta tensão, foi privatizada em meados de 2007. Coincidência?

    Estes campos electromagnéticos dizem respeito não só aos postes de electricidade de alta tensão mas também às torres de telecomunicações, as chamadas torres de telemóveis.

    Muitas coisas emitem radiações electromagnéticas, de forma natural. Normalmente não existe qualquer problema com isto. A radiação electromagnética está em todo o lado e em quase tudo o que fazemos.
    O problema põe-se quando estas radiações ultrapassam um determinado nível e começam a ser prejudiciais ao corpo humano, seja a curto ou a longo prazo. O campo electromagnético é caracterizado pelo alcance que essas radiações têm.

    Esta preocupação, nomeadamente com as linhas de transporte de electricidade, surgiu a partir dos anos 70. Com a explosão das redes móveis de telefone verificou-se uma nova preocupação com o tema nos anos 90.

    Em 1999 (há 8 anos) o Conselho da União Europeia emitiu uma recomendação ([url=http://www.anacom.pt/template20.jsp?categoryId=34308&contentId=13299]1999/519/CE) que diz:

    É imperativo proteger a população na Comunidade contra os comprovados efeitos adversos para a saúde susceptíveis de resultar da exposição a campos electromagnéticos;

    As medidas respeitantes aos campos electromagnéticos deverão proporcionar a todos os cidadãos da Comunidade um nível elevado de protecção. As disposições aprovadas pelos Estados-Membros neste domínio deverão ter por base um quadro acordado em comum, a fim de contribuírem para garantir uma protecção coerente em toda a Comunidade;

    A presente recomendação tem por objectivo proteger a saúde pública, aplicando-se consequentemente aos locais em que as pessoas passam períodos de tempo significativos de exposição aos efeitos abrangidos pela presente recomendação;

    (poderão esse locais serem as nossas casas?)

    Nessa mesma recomendação foram estabelecidos diversos limites de exposição aos campos electromagnéticos que deverão ser cumpridos.

    Seguindo a esta recomendação e na sequência do alarme provocado pelas mais diversas situações a UE pediu um parecer actualizado sobre esta questão, cuja conclusão foi:

    O resultado, de 30 de Outubro de 2001, do Comité Científico de Toxicidade, Ecotoxicidade e Ambiente, sobre os “possíveis efeitos dos campos electromagnéticos, campos de radiofrequências e radiações microondas na saúde humana”, informou que os resultados entretanto obtidos sobre os possíveis efeitos carcinogéneos ou outros efeitos não
    térmicos destas radiações eram insuficientes para a implementação de medidas que visassem a protecção de grupos populacionais específicos, não se registando também qualquer evidência científica, relativamente aos efeitos não térmicos e/ou térmicos que justificassem quaisquer alterações aos níveis de referência e restrições básicas propostos pela Recomendação do Conselho de 1999.

    Ou seja, não há resultados que cheguem para dizer seja o que for ou, os resultados em si não chegam para concluir seja o que for. Na prática, fica tudo na mesma.

    Sai posteriormente em Portugal uma lei, tentando cumprir a recomendação da UE, que diz praticamente o mesmo dessa mesma recomendação. Ou seja, há que proteger a população, dinamizar a informação e fomentar o estudo da influência dos campos electromagnéticos na saúde. Estabelecem-se os limites, semelhantes aos recomendados pela UE, de exposição aos campos electromagnéticos.

    Em quase todo o mundo estes limites são semelhantes, nos EUA são superiores (os habitantes podem estar sujeitos a maiores níveis de radiação), na Suiça as zonas residenciais têm níveis inferiores, sendo que a Bélgica e a Itália estabelecem, no global, sem discriminar zonas, níveis também inferiores.

    O sintoma mais comum da exposição à radiação electromagnética é o aumento da temperatura dos tecidos.
    Quando este aumento chega a entre 1.º C a 2.º C, dão-se inúmeros efeitos que podem por exemplo incluir irritação nos olhos e, em casos extremos de exposição, cataratas.

    Quanto a outros efeitos, os sintomas variam muito de indivíduo para indivíduo. Nas crianças, por terem uma cabeça mais pequena e uma caixa craniana mais fina a absorção da radiação é maior.

    Torna-se difícil associar um determinado nível de radiação a um sintoma ou problema de saúde porque os efeitos do aumento da exposição são inconstantes, variam muito e não têm resultados exactos. Ao contrário do que acontece por exemplo com um medicamento, em que a dose tomada é proporcional ao efeito obtido, na exposição aos campos electromagnéticos tal não acontece.

    Verificou-se, por exemplo, que há mais radiação emitida de um telefone móvel do que de uma estação de telecomunicação de rede móvel. Por outro lado, o telefone está em uso apenas alguns minutos enquanto que uma antena de telemóveis emite ondas electromagnéticas em contínuo.

    Alguns dos sintomas referidos na exposição crónica a ondas de radiofrequência de baixa intensidade (telemóveis não se enquadram): existência de efeitos na memória, na aprendizagem, alterações da atenção, cefaleias, tonturas, ansiedade,
    tendências depressivas ou suicidas, cansaço e perturbações do sono.

    A exposição intensa aos campos electromagnéticos pode aumentar o risco de leucemia nas crianças e o risco de leucemia e tumores cerebrais nos adultos. No entanto, isto apenas aconteceu nos estudos em que houve subida da temperatura dos tecidos. Sempre que isto não aconteceu, isto é a temperatura dos tecidos não subiu, não houve aumento da formação de tumores.

    Fala-se também em efeitos psicológicos e reacções alérgicas, mas não se comprova que estejam associados à exposição aos campos electromagnéticos.

    Na prática o que tudo isto quer dizer é que os estudos não são conclusivos. Há pessoas que pelas suas características poderão ser mais ou menos pré-dispostas ao risco inerente da exposição, mas no global, e pelo que conhece até ao momento, o risco é baixo ou quase nulo.

    É a velha história: se não conheces não podes dizer que não existe.

    Mas uma coisa pode-se fazer: saber quais são os valores de radiação electromagnética num determinado espaço e compará-los com os valores estabelecidos pela comunidade científica e instituídos pela recomendação da UE. E isso, não está a ser feito em Portugal. Eu não sei se os valores de radiação electromagnética na minha casa são ou não inferiores aos máximos recomendados pela UE.

    Diz o estudo da Direcção Geral de Saúde:

    O indivíduo só poderá proteger-se se estiver informado. Reter a informação não é forma mais adequada de procedimento. Uma informação objectiva, séria e ponderada, multiplicando as fontes de informação e protegendo a sua independência, reduz as desconfianças por parte das populações e leva-as a adoptarem as medidas de protecção individual e colectiva propostas pelos avanços científicos e tecnológicos. Não seguirão assim as pessoas os arautos de desgraças que unicamente pretendem vender este ou aquele material de hipotética protecção individual, que muitas vezes mais não é do que uma panaceia sem qualquer fundamento científico, para lucros de uns quantos menos honestos.
    Por fim, prevenir os riscos, suscitando acções impeditivas de possíveis acidentes.
    A informação é a primeira etapa da prevenção, sabendo-se que esta começa no indivíduo, antes de se estender em seu redor. Basta um uso criterioso do telefone móvel para reduzir o impacte dos CEMs na saúde. É aconselhado um afastamento prudente de quaisquer fontes importantes de CEMs. Está-se aqui ao nível da responsabilidade de cada um na qualidade do seu microambiente.

    A utilização duma nova tecnologia apresenta vantagens importantes. Mas não menos importante é a saúde das pessoas. E em matéria de saúde, a racionalidade deve ser acompanhada de prudência, mesmo pecando por excesso de precaução.

    Encontram o estudo completo aqui: http://www.dgs.pt/upload/membro.id/ficheiros/i009084.pdf


  2. Lisboa, 04 Out (Lusa) - Os limites de exposição à radiação electromagnética definidos internacionalmente são insuficientes para proteger a saúde humana, concluiu um estudo que relaciona vários casos de leucemia com a proximidade de campos electromagnéticos originados em linhas eléctricas.

    O relatório do Bioinitiative Working Group, um grupo internacional que reúne cientistas, investigadores e profissionais de saúde pública, datado de finais de Agosto, manifesta "sérias preocupações científicas" sobre os limites que actualmente regulam os campos electromagnéticos admissíveis de linhas eléctricas, telemóveis e muitas outras fontes de radiação presentes na vida quotidiana, que considera inadequados para proteger a saúde humana.

    Os investigadores apresentam informação detalhada sobre os efeitos nefastos na saúde quando as pessoas estão expostas a radiação electromagnética centenas ou mesmo milhares de vezes abaixo dos limites actualmente estabelecidos pela Comissão de Comunicações Federal (norte-americana) e pelo Comité Internacional europeu para a Protecção de Radiações Não-Ionizantes (ICNIRP, na sigla inglesa).

    Os autores analisaram mais 2.000 estudos científicos e concluíram que os limites de segurança existentes são desadequados.

    O relatório documenta preocupações crescentes relacionadas com a leucemia em crianças (devido a linhas eléctricas), tumores cerebrais e neuromas acústicos (tumores do nervo auditivo), relacionados com telemóveis e telefones sem fios, e doença de Alzheimer.

    "Existem evidências de que os campos electromagnéticos (CEM) são um factor de risco para o desenvolvimento de cancro em crianças e adultos", salienta o documento.

    O especialista em saúde pública e co-autor do relatório David Carpenter, director do Instituto de Saúde e Ambiente da Universidade de Albany, afirmou que "o estudo é um alerta para os efeitos da exposição a longo prazo aos campos electromagnéticos. É necessário um bom plano de saúde pública para prevenir o cancro e as doenças neurológicas ligadas à exposição a linhas eléctricas e outras fontes de CEM".

    As questões relacionadas com CEM e linhas eléctricas surgiram pela primeira vez em 1979, quando quando uma especialista em saúde pública e um engenheiro eléctrico constataram que as crianças que viviam em áreas próximas de linhas eléctricas e postos de transformação tinham duas a três vezes mais probabilidade de desenvolver leucemia .

    Lennart Hardell, professor do hospital universitário de Orebro (Suécia) e especialista em tumores cerebrais afirmou que a evidência de riscos associadas ao uso prolongado de telemóveis ou telefones sem fios "já é muito forte, quando se analisam as pessoas que usam estes aparelhos há dez ou mais anos e quando são usados, sobretudo, num só lado da cabeça".

    Um resumo dos vários estudos sobre tumores cerebrais mostra um aumento de 20 por cento dos riscos relacionado com dez anos de utilização. Mas o risco aumenta para 200 por cento quando os aparelhos são essencialmente usados num só lado da cabeça

    Outro alerta vai para as tecnologias sem fios que usam radiofrequência para enviar e-mails e comunicações de voz e que são "milhares de vezes mais fortes do que os níveis identificados" estando associados a sintomas físicos, incluindo dores de cabeça, fadiga, sonolência, tonturas, alterações da actividade cerebral e falta de memória e concentração.

    Os cientistas revelam que estes efeitos podem ocorrer mesmo com pequenos níveis de exposição, se acontecer numa base diária, sendo as crianças mais vulneráveis.

    O relatório conclui que os dados actuais, embora limitados, são suficientemente preocupantes para questionar a fundamentação científica dos limites de segurança em vigor.

    A Agência Europeia do Ambiente (AEA), que foi parceira neste estudo, recomenda igualmente a adopção do princípio de precaução.

    "Existem muitos exemplos em que o princípio de precaução não foi assumido no passado e que resultaram em danos sérios e, muitas vezes, irreversíveis para a saúde e o ambiente", declarou Jacqueline McGalde, directora executiva da AEA, recomendando a adopção de acções "para evitar ameaças sérias, potenciais e plausíveis, para a saúde devido a presença de campos electromagnéticos".

    RCR.

    Lusa/fim

    O estudo completo está aqui: http://www.bioinitiative.org/report/docs/report.pdf
    O site do grupo: http://www.bioinitiative.org/index.htm

  3. Lisboa, 08 Out (Lusa) - O presidente da Rede Eléctrica Nacional (REN), José Penedos, garantiu em entrevista hoje publicada que as redes de alta tensão não causam problemas de saúde, encarando com normalidade a semana de protestos contra a construção de novas linhas.

    "Não há evidência da relação causa-efeito entre o transporte de electricidade e problemas de saúde humana", afirmou José Penedos, baseando-se na sua experiência como presidente da associação internacional de electricidade e nos estudos científicos que têm analisado os níveis de exposição das populações a campos magnéticos.

    As linhas de alta tensão da REN, do traçado sul Tunes-Portimão e de Sintra têm causado protestos das populações, queixando-se de desconhecimento dos projectos, o que é contestado por José Penedos.

    "Sempre que estamos a construir uma linha fazemos uma concertação a nível micro: falamos com as autarquias envolvidas e com os proprietários dos terrenos afectados", garantiu.

    "Temos equipas no terreno a falar com as pessoas, a dar informações, a negociar", acrescentou.

    As populações afectadas pela passagem das linhas afirmam-se dispostas a negociar com a REN a alternativa de enterrar a linha de muito alta tensão.

    Solução que para José Penedos "só resolve o problema visual".

    "Se fizesse mal à saúde, o que não está provado, continuaria a fazer mal debaixo da terra", acrescentou.

    Quanto à contestação, José Penedos referiu que "o fenómeno não é novo, nem exclusivo de Portugal" e disse continuar atento à segurança das populações.

    Na semana passada o chefe de divisão de saúde ambiental da Direcção-Geral de Saúde, Paulo Diegues, tinha igualmente garantido que até agora não há motivo para alarme das populações quanto às linhas de muito alta tensão.

    Em reacção a um estudo recente que indica que "os limites de exposição à radiação electromagnética definidos internacionalmente são insuficientes para proteger a saúde humana", Paulo Diegues chamou a atenção para outros estudos que contrariam a relação entre o transporte de electricidade e o aparecimento de doenças como a leucemia.

    Acrescentou que por enquanto os peritos portugueses e europeus "ainda não acharam necessidade de impor limites mais restritivos em Portugal".

    AZC

    Lusa/Fim

    • 2007-10-15 11:42:3715 Outubro 2007 editado
    • #4

    Moradores da Quinta de São Macário, em Almada, admitem interpor uma acção em tribunal contra a empresa pública Rede Eléctrica Nacional (REN) caso esta recuse mudar o traçado da linha de muito alta tensão que passa pelo concelho.

    Um dos principais impulsionadores do movimento de cidadãos, Bruno Silva, adiantou que alguns moradores se disponibilizaram para avançar com dinheiro para suportar uma providência cautelar em tribunal que impeça a continuação dos trabalhos no local.

    A principal razão apontada pelos habitantes é a possibilidade de surgirem “problemas de saúde graves” caso a REN mantenha o traçado da linha, que prevê a montagem de postes de muito alta tensão a menos de 50 metros de casas e escolas.

    Além disso, os proprietários dos imóveis alegam que quando compraram as habitações não foram informados da futura construção desta linha, que será prejudicial em avaliações futuras.

    Os construtores dos imóveis na Quinta de São Macário alegaram não ter tido conhecimento da linha de muito alta tensão.

    http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=261671&idselect=10&idCanal=10&p=200

    • 2007-10-19 13:15:5919 Outubro 2007 editado
    • #5

    Sintra, 19 Out (Lusa) - A primeira audiência da acção principal movida pela Junta de Freguesia de Monte Abraão contra a Rede Energética Nacional (REN) foi adiada após a empresa pública ter apresentando um estudo com medições electromagnéticas abaixo do valor estipulado por lei.

    "Eu não acredito nestes valores", disse a presidente da junta de freguesia, Fátima Campos, à saída do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra.

    Fonte da REN disse aos jornalistas que os valores apresentados "estão muito abaixo dos valores legais", adiantando que este estudo vai ser divulgado.

    Fátima Campos duvida deste estudo e afirmou que as medições foram feitas "com a linha a funcionar a 25 por cento".

    "Obviamente que não são fidedignos. As linhas vão funcionar a cem por cento e eram essas medições que a REN deveria ter apresentado", referiu a principal impulsionadora deste processo.

    A autarca adiantou aos jornalistas que se necessário pedirá "medições a uma empresa independente".

    "Se for possível pediremos ao tribunal, na altura em que realizarmos o estudo, para que obrigue a REN a pôr a linha a funcionar a 100 por cento", concluiu Fátima Campos.

    JYR.

    Lusa/Fim

    http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/Dmrbzv%2Fx%2BW16DEKYxjQaPA.html

    • 2007-12-07 19:31:15 7 Dezembro 2007 editado
    • #6

    Linhas de Muito Alta Tensão: Medições da REN não possuem acreditação

    Engenheiro electrotécnico de empresa de medições reconheceu que ensaio de avaliação de campos electromagnéticos apresentada em relatório pela REN no Tribunal de Sintra “não está abrangido pelas acreditações". Documento impugnado foi analisado por três testemunhas e aguarda avaliação judicial.

    ( Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007 )

    As medições de ondas electromagnéticas apresentadas pela REN no processo de que opõe a junta de freguesia de Monte Abraão "não estão abrangidas pelas acreditações" da área, reconheceu ontem em tribunal Francisco Gomes, engenheiro electrotécnico da Labelec. O técnico, quadro superior da empresa que realizou as medições referidas no relatório apresentado pela REN em julgamento, foi a primeira de três testemunhas que voltaram a depor no âmbito do processo, desta vez para avaliar da credibilidade do documento, que fora impugnado pela junta de freguesia de Monte Abraão.

    Francisco Gomes, questionado pelo advogado da REN, negou a existência de qualquer pressão da parte da empresa pública nas medições e garantiu que a existência de “um cuidado extremo para que os resultados sejam credíveis”. Ao colectivo de juízes, o engenheiro electrotécnico explicou que as medições foram realizadas pela Labelec a partir de um mapa da linha fornecido pela REN. “É a Labelec que decide os locais”, garantiu o técnico.

    Minutos depois, Rui Martins, também engenheiro da Labelec, admitia a “urgência” com que a REN pedira as medições no local. Ao que apurou o Alvor de Sintra, o trabalho foi executado cerca de uma semana depois do pedido ser feito pela REN. O técnico reconheceu que, ao contrário do habitual, “não foi enviado um perfil normal” das linhas para um reconhecimento prévio do território. A avaliação dos locais a visitar fora feita no terreno e na observação directa.

    Para António Santos, engenheiro electrotécnico e morador em Agualva, freguesia atravessada pelas linhas de muito alta tensão, através dos dados presentes no relatório “não se sabe qual a altura das linhas” nos locais onde foram efectuadas as medições. o documento refere a a medição com aparelhos a um metro e a 1,80 metros do solo, para simular a acção sobre os seres humanos que se movimento no solo. “As cascas estão lá”, alerta o morador, lembrando que “se o ponto de medição ficar a uma altura superior, como a de um piso de uma habitação, influencia os resultados.

    O relatório, impugnado pela junta de freguesia de Monte Abraão, ainda não foi admitido como prova pelo júri. Ouvidas as testemunhas, a decisão será tomada no final do processo. As alegações finais ficam marcadas para dia 23 de Janeiro. O tribunal pode no entanto realizar diligências no terreno e avaliar por si próprio a situação das linhas, caso aceite um pedido efectuado pelos advogados da junta de freguesia de Monte Abraão.

    http://www.alvordesintra.com/noticias/templates/Noticias.asp?articleid=8687&zoneid=1&z=1&sz=&n=

    • 2008-05-02 16:20:30 2 Maio 2008 editado
    • #7

    Boa tarde!

    Li com atenção o tópico criado pelo WinstonSmith....

    Tenho uma preocupação, o meu filho de 6 anos irá para a escola primária este ano, mas ao lado está um poste de alta tensão...Que fazer?

    Porque é que os ciêntistas não fazem experiências com animais? Seria fácil criar animais...e reproduzi-los e acompanhá-los ao longo de sucessivas gerações....e quem sabe tirar conclusões...

    Em ratos ou outros animais ....em poucos anos teriamos analisado várias gerações...com a vantagem de podermos fixar todas as variáveis (alimentação, mesma temperatura...etc...) à excepção da fonte de electromagnetismo. Esta sim, seria a unica variável de vários grupos (de animais) de estudo....e poderiamos incluir outras variáveis como por exemplo a distancia em metros em relação à fonte....

    Cumps,

    Canary

    • 2008-05-02 16:23:21 2 Maio 2008 editado
    • #8

    Pensando melhor....este tipo de experiencias já deve ter sido feito....onde estão os resultados?

  4. Se a escola está ao lado do poste de alta tensão não há muito a fazer a não ser pressionar uma de duas entidades: a REN ou a Câmara Municipal ou Junta de Freguesia.

    Pelo que sei, ainda não fizeram quaisquer testes em animais...

    Mas há um estudo português novo que vem adiantar mais alguma coisa: https://dspace.ist.utl.pt/bitstream/2295/164948/1/CEMEBF%20saude%20publica%20e%20linhas%20de%20Alta%20Tensao.pdf

    Depois de o ler fiquei um pouco mais descansado, nomeadamente com as alternativas que podem diminuir a intensidade das radiações.

  5. Já agora, as perguntas e respostas:

    José Luís Pinto de Sá, Prof. Dr. Engº INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO Fevereiro de 2008

    20 PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE LINHAS DE ALTA TENSÃO E SAÚDE PÚBLICA

    1. Que relação têm os campos electromagnéticos das linhas de Alta Tensão com a radioactividade?

    Nenhuma. A energia radiada nos campos electromagnéticos é proporcional à sua frequência (a rapidez com que oscilam). A partir de um dado valor, que só ocorre para radiações electromagnéticas com frequências próximas da da luz visível, essa energia é capaz de arrancar electrões aos átomos da matéria, dizendo-se então que é ionizante. As radiações ionizantes podem, em princípio, alterar as moléculas do ADN e, por conseguinte, causar mutações cancerígenas. A luz do Sol, por exemplo, é cancerígena para a pele. As radiações cósmicas, as dos elementos radioactivos, os raios X, são todos ionizantes e reconhecidamente cancerígenos quando a exposição humana a esses agentes é intensa e prolongada.
    Os campos electromagnéticos gerados pelos condutores de energia eléctrica, pelo contrário, têm Extremamente Baixas Frequências (EBF) e por isso não são ionizantes, sendo incapazes de alterar o ADN. O quase-estático campo magnético da Terra, que é aliás muito mais intenso que o gerado por qualquer linha portuguesa de Alta Tensão, até nos protege dos efeitos cancerígenos da radiação cósmica e das partículas de alta energia dos ventos solares, desviando-as para os pólos.
    Na verdade, os especialistas em energia eléctrica nunca usam o termo “radiações” para se referirem aos campos electromagnéticos da Alta Tensão. Quem começou a usar esse termo, explorando um reflexo condicionado de medo que todos temos da radioactividade, foi o jornalista americano Paul Brodeur do semanário New Yorker, há uns 15 anos. Brodeur escreveu vários livros em que pregou a existência de uma grande conspiração das empresas de electricidade, dos fabricantes de equipamentos, dos media, do Pentágono e do Governo para esconderem supostos malefícios das “radiações” electromagnéticas, apresentados de forma semelhante aos da radioactividade.

    2. O ruído emitido pelas linhas de Alta Tensão é uma manifestação de radiações?

    Não. Mesmo junto aos condutores das linhas de Muito Alta Tensão, quando há irregularidades na sua superfície resultantes da acumulação de poeiras ou de gotas de chuva ou nevoeiro, o campo eléctrico das linhas pode ionizar as moléculas de ar, que é o que causa o ruído referido. Esse campo decai muito rapidamente com a distância à superfície dos condutores e, por isso, essa ionização só ocorre numa fina coroa de ar em torno dos condutores, razão por que o fenómeno é conhecido como “efeito coroa”. A partir de alguns centímetros de distância da superfície dos condutores já não há ionização. O ar ionizado pelo efeito coroa nas linhas de Muito Alta Tensão mistura-se depois com o outro e pode ser levado pelo vento até alguns quilómetros de distância.
    O cientista DL Henshaw da Universidade de Bristol defendeu, em 1996, que essa ionização do ar pelo efeito coroa poderia aumentar a deposição de rádon, um elemento radioactivo natural proveniente de certos granitos e existente normalmente na atmosfera, assim como outras partículas nocivas para a saúde, na vizinhança das linhas de Muito Alta Tensão. Porém, a esmagadora maioria dos cientistas especialistas no assunto não acredita que daí possam decorrer riscos para a saúde, visto haver campos eléctricos naturais permanentes na atmosfera que causam o mesmo efeito. Em 2004, a Comissão Nacional de Protecção Radiológica inglesa publicou um relatório com o que se sabe sobre o tema. As conclusões são que a electrização das partículas normalmente suspensas no ar pelos iões gerados pelo efeito coroa podem, de facto, aumentar o depósito nos pulmões de alguns poluentes normalmente existentes na atmosfera, como as finas partículas dos fumos de escape dos automóveis ou do tabaco. Esse efeito, a existir, poderia teoricamente traduzir-se num muito pequeno aumento de doenças respiratórias, mas a observação não o confirma.
    Por outro lado, a ionização do ar é considerada como sendo bactericida e, por isso, nos últimos anos têm-se vindo a propor e a experimentar com sucesso aparelhos de ar condicionado ionizantes como forma de desinfectar o ar em aviários, hospitais e grandes edifícios de escritórios.

    3. Que riscos para a saúde pública podem resultar da exposição aos campos electromagnéticos das linhas de Alta Tensão?

    A resposta depende das instituições em que confiarmos. A Organização Mundial de Saúde, por exemplo, considera presentemente que para campos muito intensos, no que diz respeito ao campo magnético só valores acima de 500 microtesla podem ter algum efeito sobre o sistema nervoso, mas mesmo nas piores condições o campo magnético das linhas de Muito Alta Tensão não ultrapassa os 30 microtesla. Quanto ao campo eléctrico, aquela organização considera que só há efeitos sobre o sistema nervoso (e não necessariamente nocivos) acima dos 10 kV/m, o que só é possível de atingir muito perto dos condutores de Alta Tensão. Estes limiares correspondem a reconhecidos efeitos agudos e foram traduzidos numa recomendação da OMS de 1998, adoptada pela Comunidade Europeia em 1999 e que veio a ser posta na lei portuguesa em 2004, contendo factores de segurança adicionais para o público em geral.
    Além destes efeitos agudos, a OMS considera ser possível, embora não seja provado nem sequer provável, que campos magnéticos de muito mais baixa intensidade possam estar associados a algumas raras formas de cancro (vd. resposta à pergunta nº 5), para o que recomenda a adopção de medidas de precaução desde que não ponham em causa os benefícios sociais e para a medicina da electricidade, e tenham custos baixos ou nulos. Estas posições são também adoptadas pelos organismos de Saúde da Comunidade Europeia.
    Muitas instituições científicas mundiais, como a Sociedade Americana de Física, a Academia de Ciências norte-americana e Associações Internacionais de Engenheiros Electrotécnicos, não reconhecem de todo qualquer risco na exposição a campos electromagnéticos de baixa intensidade. Porém, há uma instituição incorporando alguns cientistas, o Grupo internacional “Bioiniciativa” (vd. resposta à pergunta nº 12), que considera os campos electromagnéticos, que designa por “radiações”, suspeitos de serem causa de uma extensa lista de patologias similares às atribuídas à radioactividade, e que reclama medidas radicais contra as fontes de campos electromagnéticos, nomeadamente o enterramento generalizado das linhas de Alta Tensão.

    4. O que é a Organização Mundial de Saúde (OMS)? Como estabelece as suas posições?

    A Organização Mundial de Saúde, OMS, é o organismo das Nações Unidas para as questões de saúde, e foi criada com esta em 1948. Além de conjugar contribuições de todos os países membros que o queiram, dispõe de um staff permanente de 8 mil cientistas. A OMS inclui uma Unidade de Saúde Ambiental e Radiação (RAD) que promove um projecto internacional sobre Campos Electromagnéticos e conta com algumas instituições especializadas que têm promovido estudos e relatórios neste domínio, nomeadamente a Agência Internacional para a Investigação do Cancro (IARC) e a Comissão Internacional para a Protecção contra Radiações não-ionizantes (ICNIRP). Na elaboração das monografias e relatórios sobre campos electromagnéticos, os cientistas da OMS começam por produzir um documento preliminar que é depois divulgado para apreciação
    prévia por mais de 150 instituições mundiais. Recolhidas as críticas e comentários destas instituições, são elas revistas por um Grupo de Trabalho nomeado pela OMS, com perto de 10 elementos de países diferentes, que só aprovam o documento final por consenso de todos os seus membros e que são coadjuvados por vários grupos de peritos, que totalizam cerca de 50 cientistas. Todos estes cientistas têm de assinar uma declaração de interesses, de modo a clarificar eventuais compromissos financeiros ou de activismo político-ideológico que possam ter nesta matéria.

    5. É verdade que a OMS considera os campos magnéticos como sendo cancerígenos?

    Não exactamente. O que a OMS subscreve é a posição definida em 2002 pela IARC e reafirmada em 2007, segundo a qual “existe uma evidência limitada para a cancerigenidade humana dos campos magnéticos de Baixa Frequência relativamente à leucemia infantil”, e que “não existe evidência adequada para a cancerigenidade humana desses campos em relação a todas as outras formas de cancro”, esclarecendo ainda que isso não se estende a campos eléctricos nem a animais. A IARC mantém uma tabela de classificação de vários elementos quanto à sua cancerigenidade, que vai dos comprovadamente cancerígenos como o tabaco, o amianto, o álcool, o rádon, os raio-X e a luz solar (75 elementos), aos não classificáveis quanto à cancerigenidade. Depois dos comprovadamente cancerígenos, a IARC lista em perigosidade os provavelmente cancerígenos (59 elementos), que incluem os fumos de escape dos motores Diesel e os PCB, e finalmente os possivelmente cancerígenos, que são muitos (225 elementos). Estes, que incluem o café, os fumos de
    escape dos motores a gasolina e os “pickles”, são onde se incluem também os campos magnéticos de baixa frequência. Para a IARC um agente “possivelmente cancerígeno” é aquele cujas evidências de cancerigenidade em seres humanos são considerada credíveis, mas para as quais não se exclui a possibilidade de outras explicações.
    Frequentemente esta classificação da IARC é citada sem se precisar que ela se aplica apenas à leucemia
    infantil e que exclui expressamente todas as outras formas de cancro.

    6. Que evidências considera a OMS existirem para a sua posição sobre a cancerigenidade dos campos magnéticos?

    As evidências existentes são duas análises de conjunto (“pooled analysis”) de muitos estudos epidemiológicos feitos nos EUA, Canadá e vários países da Europa do Norte, abrangendo mais de 100 milhões de pessoas ao longo de várias décadas, e em que num deles se totalizaram, perto de linhas de Alta Tensão, 44 casos de leucemia infantil quando seriam de esperar, na ausência dessas linhas, de 14 a 35, e no outro, mais abrangente, 98 casos quando seriam de esperar de 42 a 85.
    Relativamente ao valor médio esperado, o primeiro estudo aponta para uma duplicação do que seria normal mas, concretamente, o que se observou “perto” de linhas de Alta Tensão, para uma enorme população e várias décadas, foram 44 casos quando o valor esperado seria de 24 (isto de um total de 3247 leucemias infantis observadas naquela população e durante aqueles anos).

    7. Porque diz a OMS que ainda não há certezas sobre a cancerigenidade dos campos magnéticos?

    Por duas razões: a primeira é que nenhum estudo laboratorial confirmou qualquer mecanismo explicativo de como poderá o campo magnético à frequência das redes de energia causar alterações no ADN, nem isso é considerado fisicamente plausível, por esses campos induzirem efeitos no interior do corpo humano muito inferiores aos dos próprios campos naturais deste. Alguns efeitos metabólicos indirectos (radicais livres, magnetite, etc) têm sido investigados em profundidade, mas os resultados ou são inconclusivos ou, quando positivos, não se têm mostrado replicáveis.
    A segunda razão é um conjunto de fraquezas dos estudos epidemiológicos realizados e que têm sido criticadas por vários cientistas de competência reconhecida pela OMS. Na realidade, estes estudos, que consistem em comparar o número de casos de doença verificados com o estatisticamente esperado na ausência dos campos magnéticos, defrontam-se com duas grandes dificuldades: a primeira é que a leucemia infantil é uma doença rara (1 caso-ano por cada 30 mil crianças, em média), e a segunda é que pouca gente vive perto de linhas de Muito Alta Tensão (0.5% da população, na Europa).
    A combinação destas duas raridades cria um número muito pequeno de leucemias infantis na vizinhança
    das linhas de Alta Tensão, o que acarreta grandes incertezas estatísticas, mesmo quando muitos estudos desses são fundidos em análises de conjunto. Na realidade, a pequenez relativa dos números de casos observados é tal que qualquer imperfeição no método de selecção de amostras produz grandes variações nas estimativas de risco relativo.

    8. O que falta saber para se ter a certeza sobre os efeitos da exposição do campo magnético para a saúde?

    Dada a extensão e inconclusibilidade dos estudos epidemiológicos já realizados e relativos à leucemia infantil, alguns conceituados cientistas consideram que não vale a pena fazer mais estudos desses. Por outro lado, também já foram gastos muitos milhões de euros e dólares em estudos laboratoriais igualmente inconclusivos. Na verdade, é muito difícil provar que um qualquer agente raro é inofensivo para a saúde, embora em 2008 ainda prossigam alguns grandes estudos do tipo dos já realizados, agora aperfeiçoados, nos EUA. Por estas razões, a própria OMS considera que o esclarecimento deste assunto passa pela compreensão é do processo de desenvolvimento da leucemia infantil, a qual teve recentemente (Janeiro de 2008) um grande progresso com a identificação dos genes envolvidos nas mutações cancerígenas que a iniciam. Por isso, a OMS agendou para Maio de 2008 um workshop que visa reorientar a investigação no que respeita às relações do
    campo magnético com a leucemia infantil tendo em conta estas recentes descobertas.
    Presentemente pensa-se que a maioria dos casos desta doença, que em regra se manifesta antes dos 3 anos de idade, resulta de uma predisposição genética presente em cerca de 1% das crianças, promovida depois por uma reacção imunológica desadequada a uma infecção vulgar, como uma gripe. Um facto interessante comprovado, por exemplo, é que nas crianças expostas desde muito cedo ao ambiente de infantários com pelo menos outras 3 crianças, a taxa de leucemia infantil é metade da que se verifica nas que ficam sempre em casa, no 1º ano de vida, com mães domésticas; a exposição precoce a contágios infecciosos parece amadurecer saudavelmente o sistema imunitário. A leucemia infantil é também ligeiramente mais frequente nas famílias de estrato social superior, o que se pensa resultar de terem ambientes mais assépticos em casa.
    Há, naturalmente, outros agentes causadores da leucemia infantil, como a radioactividade e os raios-X. Quanto a estes comprovou-se que aumentam em 50% o respectivo risco quando recebidos pelas mães durante a gravidez. Por este motivo, aliás, se deixaram de fazer raios-X a grávidas.

    9. Se as suspeitas sobre a cancerigenidade do campo magnético das linhas de Alta Tensão se confirmarem, que taxa de mortalidade daí decorre para Portugal?

    Em primeiro lugar temos de considerar o número de casos de leucemia infantil observado em média em Portugal. Podemos usar dois processos: o primeiro é usar as estatísticas da Direcção-Geral de Saúde e dos IPO, e o segundo é extrapolar dos números espanhóis (3.4 casos por cada 100 mil menores de 15 anos), e também se pode combinar os dois processos. A razão da necessidade destes cálculos é que infelizmente não se consegue encontrar esse número exacto nas estatísticas publicadas em Portugal. O número a que se chega é de cerca de 50 por ano. Como só 0,5% da população vive “magneticamente perto” das linhas de Alta e Muito Alta Tensão, isto conduz ao número de uma leucemia infantil esperada, cada 4 anos, “perto” dessas linhas e sem considerar qualquer efeito por estas. Admitindo que, como no estudo mais pessimista em que se baseou a IARC para a sua classificação dos campos magnéticos, estes duplicam a incidência da doença, então àquele caso normal teremos de adicionar outro, associado aos referidos campos.
    Outra via para estimar o referido número é admitir que será semelhante ao calculado na Suécia pelo estudo epidemiológico ali realizado em 1993, considerando que esse país tem 9 milhões de habitantes, o que conduz ao mesmo número de uma leucemia infantil cada 4 anos associada às linhas de Alta Tensão.
    Em segundo lugar temos de considerar a taxa de mortalidade da leucemia infantil, hoje em dia uma doença com uma elevada taxa de cura nos países mais desenvolvidos como a França ou os EUA. Nesses países, a taxa de cura (sobrevivência ao fim de 5 anos) é presentemente de 85%, mas alguns números apontam para que, em Portugal e infelizmente, ainda seja de só 70%.
    Assim, se considerarmos o estado recente da medicina portuguesa, teríamos uma morte esperável cada 12 anos (4/0,30); mas se acreditarmos que ela vai melhorar no sentido da francesa teríamos uma morte esperável cada 25 anos (4/0,15)…! Para se ter uma ideia destes valores, vale a pena notar que o número anual de mortes de crianças (com menos de 15 anos), por acidente, em Portugal, é de cerca de 100, dos quais 40 em acidentes de viação, e que o número de mortes por acidentes de trabalho com electricidade tem sido de 12.

    10. O que quer dizer exactamente a OMS quando recomenda o princípio da precaução relativamente aos campos magnéticos?

    Num relatório publicado em Junho de 2007 (“facts sheet nº 238”), a OMS explicita o que entende precisamente com tal recomendação, a saber, e no que respeita a medidas técnicas:
    - “Justifica-se e é razoável a implementação de medidas de muito baixo custo para reduzir a exposição (aos campos magnéticos de EBF), desde que isso não comprometa os benefícios para a saúde, sociais e económicos da energia eléctrica;
    - Os políticos, os planificadores das comunidades e os fabricantes deverão implementar medidas de muito baixo custo quando construam novas instalações ou desenvolvam novos equipamento, incluindo electrodomésticos;
    - Deverão considerar-se mudanças nas práticas de engenharia para se reduzir a exposição aos campos EBF de equipamentos e dispositivos, desde que isso produza outros benefícios adicionais, tais como maior segurança, ou um custo pequeno ou nulo;
    - Quando se contemplarem alterações a fontes de campos EBF existentes, a redução desses campos deverá ser considerada em paralelo com aspectos de segurança, fiabilidade e economia.”
    A OMS justifica esta ênfase nos custos “baixos ou nulos” que deverão ter as medidas precaucionais de redução de exposição aos campos magnéticos EBF, da seguinte forma: “… a energia eléctrica comporta óbvios benefícios para a saúde, sociais e económicos e as medidas precaucionais não deverão comprometer estes benefícios. Mais ainda, considerando quer a fraqueza da evidência de um elo entre a exposição aos campos magnéticos de Extremamente Baixas Frequências e a leucemia infantil, quer o limitado impacto sobre a saúde pública se esse elo existir, os benefícios para a saúde da redução da exposição não são claros. Por conseguinte os custos das medidas precaucionais deverão ser muito baixos.”
    A estas afirmações da própria OMS, pode-se acrescentar: é previsível que os estudos em curso sobre a leucemia infantil venham a clarificar de vez a eventual relação entre os campos magnéticos das linhas de Alta Tensão e aquela doença, nos próximos anos. Essa relação pode não existir de todo, ou existir através de mecanismos indirectos, cuja solução passe por medidas técnicas que nada têm a ver com as linhas como, por exemplo e segundo certos autores, os sistemas de ligação à terra das canalizações metálicas de água das banheiras usadas nos EUA e na Europa do norte.
    Seria um disparate social e económico ter apostado em dispendiosas e dificilmente reversíveis políticas de alteração das redes eléctricas e vir-se entretanto a provar a inexistência de qualquer relação directa entre a exposição aos campos magnéticos dessas redes e a leucemia infantil, como já é considerado provado relativamente às doenças cardiovasculares e ao cancro da mama que, por serem muito frequentes, já permitiram estudos epidemiológicos conclusivos.

    11. A legislação portuguesa cumpre as recomendações internacionais sobre a limitação pública aos campos magnéticos?

    Desde 2004 que cumpre as recomendações da OMS e do CE, como foi respondido à pergunta nº3.

    12. O que é o grupo “Bioiniciativa”? Como estabelece as suas posições?

    O grupo “Bioiniciativa” é um grupo ad-hoc de cerca de dezena e meia de investigadores, constituído em 2006, e que contesta as posições da OMS, reclamando que se deverão tomar medidas de precaução contra as linhas de Alta Tensão muito mais radicais que as recomendadas por aquela instituição, proclamando também que as evidências de malefícios para a saúde da exposição dos seus campos electromagnéticos são muito mais severos que os reconhecidos pela OMS.
    O grupo “Bioiniciativa” é dirigido pela Sr.ª Cindy Sage, uma activista anti-“radiações electromagnéticas” desde há cerca de 25 anos, de cujo curriculum público não consta qualquer formação académica mas que é proprietária da empresa “Sage Associates EMF Design - Environment Consultants”, a qual tem uma agressiva política comercial, nos EUA, com grande audiência mediática, vendendo serviços que vão da “protecção pessoal” ao “projecto de interiores” passando pelo projecto de “linhas aéreas com baixa emissão de campos magnéticos” e até o download de textos e vídeos pagos. Apesar desta lucrativa actividade da sua dirigente, o grupo “Bioiniciativa” acusa os cientistas da OMS de estarem “vendidos” aos interesses das grandes companhias de electricidade e, em geral, atribui aos campos magnéticos, a que chama “radiações”, o tipo de malefícios atribuídos à radioactividade. Pode-se afirmar, portanto, que o grupo “Bioiniciativa” prossegue as teses do jornalista Paul Brodeur referidas na resposta á pergunta nº 1, mas acrescentando-lhe um grande sentido de oportunidade comercial.
    Em Setembro de 2007 o grupo “Bioiniciativa” publicou um volumoso documento, que se assume explicitamente como um relatório contra as posições da OMS, e que tem encontrado grande acolhimento em certas franjas políticas mais radicais de vários parlamentos europeus e nos EUA. Pela sua clara posição de princípio contestatária, a formação de opinião do grupo “Bioiniciativa” não é reconhecida pela OMS como obedecendo às práticas científicas internacionalmente consensuais.

    13. É verdade que os limites de exposição ao campo magnético definidos pela legislação nacional são mil vezes superiores aos limites estipulados internacionalmente?

    Depende do que se entender por “estipulado internacionalmente”. A única instituição internacional que defende a limitação da exposição pública aos campos magnéticos a 0,1 microtesla, de facto um milésimo dos 100 microtesla recomendados pela OMS, é o grupo “Bioiniciativa” caracterizado na resposta à pergunta nº 12.
    As posições da OMS são coadjuvadas pela Comunidade Europeia para os respectivos estados membros, conforme se pode ler no relatório mais recente (Março de 2007) do SCENIHR – Scientific Committee on Emerging and Newly Identified Health Risks, da Direcção-Geral de Protecção dos Consumidores e de Saúde da União Europeia.

    14. As linhas de Alta Tensão são a principal fonte de exposição pública aos campos magnéticos?

    Na sua proximidade, em geral são. Porém, os circuitos de Baixa Tensão residenciais e os electrodomésticos também nos expõem a campos magnéticos, que em geral não ultrapassam, em média, 0,1 microtesla (por sinal precisamente o limite reclamado pelo grupo “Bioiniciativa”). Nos EUA a exposição residencial é maior, atingindo os 0,2 microtesla. É aliás apenas por este motivo que os limiares investigados para a exposição aos campos magnéticos das linhas de Alta Tensão se têm situado entre os 0,2 e os 0,4 microtesla, já que se fossem mais baixos seriam indiscerníveis dos produzidos pelos circuitos e equipamentos de Baixa Tensão.
    A poucos metros das linhas aéreas, os campos magnéticos podem atingir alguns microtesla.
    Porém, valores similares se observam no interior dos automóveis modernos, produzidos pela rotação dos pneus radiais que se tendem a magnetizar com o tempo, e valores bastante superiores são frequentes em comboios, na vizinhança das suas linhas eléctricas e no metropolitano.
    Por outro lado, também sobre os passeios de algumas ruas, debaixo dos quais há invisíveis cabos eléctricos subterrâneos de Média e de Alta Tensão, assim como em alguns pisos de edifícios próximos desses cabos e de transformadores de distribuição montados no interior de edifícios, os campos magnéticos podem atingir alguns microtesla, valores frequentemente superiores aos observados a algumas dezenas de metros das linhas aéreas de Muito Alta Tensão.

    15. Que medidas de precaução têm sido tomadas noutros países relativamente à exposição aos campos magnéticos?

    A esmagadora maioria dos países comunitários adoptou a recomendação do Conselho Europeu de 1999 de se assumirem os limites recomendados pela OMS em 1998, mas poucos o puseram na lei como Portugal e, fora da Europa, são raros os países que adoptaram esses limites e mudaram alguma coisa, com excepção da China e do Japão.
    Quanto às medidas precaucionais, a própria OMS “não recomenda que os valores-limite nos guias de exposição se reduzam a qualquer nível arbitrário em nome da precaução”. E a OMS justifica: “tal prática mina o fundamento científico sobre o qual os limites são baseados e é provável que seja uma maneira dispendiosa, e não necessariamente eficaz, de fornecer protecção”.
    No entanto, e apesar desta recomendação, alguns poucos países e Estados norte-americanos têm estado a adoptar nos últimos anos limites de exposição aos campos magnéticos bastante mais restritivos que os definidos em 1998 pela ICNIRP, concretamente e por ordem decrescente de exigência quanto aos valores máximos admitidos: Suíça, Israel, Holanda, Califórnia, Itália e Eslovénia.
    Porém, em caso algum se adoptou aí uma política generalizada de enterramento das linhas, sendo a medida mais vulgar a de aumentar as distâncias das novas linhas a residências e sobretudo a escolas, a de criar corredores para as novas linhas com construção interdita e largura variável e, na Suíça, Israel, Califórnia, Japão e Itália também em certos casos a modificação da geometria dos apoios de linhas já existentes (ver resposta à pergunta nº 19).
    Entretanto, na Irlanda, por exemplo, a distância mínima permitida entre as novas linhas e edifícios pré-existentes é de 22 metros; no Luxemburgo é de 30 metros, mas apenas para zonas residenciais novas; em Israel cresce com o nível de tensão, indo dos 3 metros para tensões até 110 kV aos 35 metros para os 400 kV; na Califórnia os corredores de interdição também aumentam com o nível de tensão, mas só relativamente a escolas: vão dos 50 metros para 50 e 133 kV, aos 120 metros para os 500 kV. Um único país afirma que vai enterrar todas as linhas, embora isso seja uma medida em curso em muitos países islâmicos por razões provavelmente mais de precaução político-militar do que de saúde pública: a Turquia.

    16. Por que é que não há linhas de Alta Tensão nas zonas residenciais dos ricos?

    O que não há é zonas residenciais de ricos onde há linhas de Alta Tensão. Isto acontece porque as grandes concentrações destas linhas são nos subúrbios das cidades, onde passam a caminho das Subestações que alimentam as cidades e zonas industriais, e os ricos não vivem nesses subúrbios.

    17. Enterrar as linhas de Alta Tensão resolve o problema da exposição pública aos seus campos magnéticos?

    Só parcialmente. O campo magnético a que se está exposto na proximidade de uma linha aérea é proporcional à distância entre os respectivos 3 condutores de fase, e inversamente proporcional ao quadrado da nossa distância média à linha. Quando uma linha de Alta Tensão é substituída por um cabo subterrâneo, neste os 3 condutores de fase estão mais próximos uns dos outros, mas em contrapartida o seu conjunto está muito mais próximo da superfície do solo do que o da linha aérea. Daqui resulta que, para lá de alguma distância, digamos 5 a 10 metros, o campo magnético do cabo subterrâneo é de facto substancialmente menor que o emitido pela linha aérea mas, em contrapartida, na sua imediata vizinhança, por exemplo por cima do cabo, o campo magnético é muito superior ao que há debaixo da linha aérea! Para reduzir a exposição média ao campo magnético ao limite definido recentemente na Suíça e Israel (ver resposta à pergunta nº 15), e que é de 1 microtesla, para uma linha de 400 kV será necessária uma distância mínima ao eixo da linha de pelo menos 30 metros, atingindo-se mais de 5 microtesla directamente sob os condutores; se a linha for substituída por um cabo subterrâneo da mesma tensão e capacidade, a distância a proibir será de cerca de 5 metros, mas exactamente sobre o cabo o campo será de quase 25 microtesla.
    Por conseguinte, a substituição de uma linha aérea por um cabo subterrâneo reduz a largura do “corredor” de interdição, mas não o elimina e até intensifica o campo magnético na sua proximidade, apesar da invisibilidade dos cabos poder criar uma falsa ilusão de inexistência desse campo.

    18. Que custos tem enterrar as linhas de Alta Tensão?

    Numa linha aérea, o isolamento é realizado essencialmente pelo ar. Num cabo subterrâneo o isolamento é feito por plásticos, sendo o respectivo fabrico muito delicado para as muito altas tensões.
    Por este motivo, o custo dos cabos subterrâneos cresce em flecha com a tensão para que são projectados, razão por que geralmente não são usados acima de 60 kV, ou seja, nas redes de transmissão como a da REN. Na União Europeia, um relatório comunitário contabiliza em 100 km a extensão total de cabos a 400 kV, e em 110 000 km a das linhas aéreas correspondentes.
    Para tensões como os 220 e os 400 kV, um cabo subterrâneo custa, por km e respectivamente, cerca de 6 e 10 vezes mais que uma linha aérea da mesma tensão e capacidade (cujo custo se pode tomar indicativamente como 1 milhão de €/km para os 400 kV e 30% disso para os 220 kV, embora tal dependa do trajecto da linha e, por consequência, do tipo e número de torres de apoio de que necessitará e que constituem mais de metade desse custo). Porém, a vida útil de um cabo (cerca de 30 anos) é de menos de metade do de uma linha aérea equivalente pelo que, a longo prazo, o custo do cabo é de facto cerca de 13 a 20 vezes o da linha, respectivamente para os 220 e os 400 kV. Este custo inclui o cabo propriamente dito e o custo de o enterrar, nomeadamente a preparação do leito de terreno para a sua correcta colocação e dissipação de calor, que para estes níveis de tensão requer em regra a construção de túneis especiais. A União Europeia estima em pelo menos 5 milhões de € por quilómetro o custo médio adicional de enterrar linhas de 400 kV (vd. documento “ETSO position on underground cables”, de 2003). É de notar que face à pressão
    pública existente em alguns meios para o enterramento das linhas aéreas, são por vezes indicados valores idealisticamente baixos para os custos dos cabos; é, neste contexto, importante não ignorar o grande interesse comercial que a indústria fabricante de cabos tem nesse enterramento.
    Além destes custos, é de ter em conta que ao longo da sua vida uma linha pode ser melhorada com relativa facilidade, por exemplo pela modificação dos seus isoladores de suspensão ou pela substituição dos seus condutores por outros de maior capacidade; num cabo enterrado essa evolução é impossível. Por outro lado, o número de avarias por km e por ano que exigem reparação é similar nas linhas aéreas e nos cabos subterrâneos de Muito Alta Tensão. Porém, enquanto a localização das avarias numa linha aérea é quase imediata e a sua reparação uma questão de horas, a localização do ponto da avaria num cabo enterrado é muito mais complexa e a respectiva reparação pode demorar semanas, com a correspondente indisponibilidade de transmissão de energia.
    Aliás e por causa disso, a previsão das futuras necessidades de acesso para reparação de um cabo subterrâneo requer que, no terreno à sua superfície, fique permanentemente disponível um corredor, impossibilitando qualquer outro uso excepto uma cobertura de relva. Esse corredor deverá ter, para um cabo de 400 kV, 13 a 14 metros de largura, o equivalente a uma estrada secundária.

    19. Há alternativas técnicas e baratas ao enterramento das linhas de Alta Tensão que reduzam a exposição pública aos seus campos magnéticos?

    Efectivamente há. Em primeiro lugar, a montagem dos 3 condutores de uma linha em trevo invertido emite sempre menos campo magnético do que a montagem em esteira horizontal, ainda que isso não seja usual nas pesadas torres de sustentação das linhas usadas na Muito Alta Tensão.
    Há depois outras medidas ainda mais eficazes. A primeira e mais barata é, no caso de se usarem linhas duplas (dois feixes de três condutores partilhando as mesmas torres de apoio), a escolha adequada da geometria dos apoios e a optimização da sequência de fases dos condutores. Esta optimização pode reduzir o campo magnético emitido a uma fracção do que existe sem ela, e a distância de interdição a menos de metade, mas tem ser feita para toda a linha, do seu início ao seu fim, com um custo fixo entre 350 e 1300 milhares de € independente da extensão da linha.
    Uma segunda medida, a adoptar pontualmente em linhas de muito alta tensão, é o desdobramento de cada um dos seus 3 condutores em dois, com geometrias optimizadas e torres de apoio especiais para esse desdobramento e que, sendo uma solução mais complexa e cara que a anterior, é ainda mais eficaz que a anterior e pelo menos dez vezes mais barata que o enterramento, embora também nem sempre seja possível ou suficiente. Na Holanda um estudo, encomendado pelo seu Ministério do Ambiente à empresa de consultoria KEMA, mostrou em 2002 que o custo estimado por edifício “desexposto” ao campo magnético das linhas de Alta Tensão seria de 18, 55, 128 e 655 milhares de €, respectivamente para as soluções de optimização de fases em linhas duplas, desdobramento de condutores, deslocalização da linha e o seu enterramento.
    Para níveis de tensão mais baixos, usados na Distribuição pela EDP, há outro tipo de soluções eficazes, como a compactação das linhas usando condutores revestidos por isolamento de plástico e que reduz o campo magnético emitido por reduzir a distância entre condutores, e que a EDP aliás já usa em certas zonas para protecção da avifauna.

    20. Que recomendações faz a OMS aos políticos relativamente à exposição pública aos campos magnéticos das linhas de Alta Tensão?

    No seu documento publicado em Junho de 2007, a OMS começa por recomendar às forças políticas que adoptem os guias internacionais sobre a limitação da exposição pública e dos trabalhadores aos campos magnéticos, o que Portugal já realizou em 2004. Porém, a OMS recomenda ainda que “os políticos devem estabelecer um programa de protecção contra os Campos Electromagnéticos de EBF que inclua medições de todas as suas fontes, de modo a garantir que os limites de exposição não sejam excedidos tanto para o público em geral, como para os trabalhadores”, o que não parece já ter sido realizado em Portugal pelo menos de forma publicamente visível.
    Por outro lado, recomenda a OMS às “autoridades nacionais” que “realizem uma estratégia eficaz e aberta de comunicação para permitir a tomada de decisões informadas por todas as partes interessadas; isto deve incluir informação sobre como podem os indivíduos reduzir a sua própria exposição”. E afirma a OMS, quanto às “autoridades locais”, que “ devem melhorar a planificação de instalações emissoras de CEMEBF, incluindo uma melhor consulta entre a indústria, o governo local e os cidadãos, ao localizarem as fontes principais de emissão de CEMEBF.”
    No fundo, o que a OMS recomenda aos responsáveis políticos é que mostrem sensibilidade aos medos dos cidadãos, quer mostrando empenho fiscalizador, quer esclarecendo, quer promovendo o diálogo entre as partes. Para esse efeito a OMS publicou até, em 2002, um detalhado “guia de diálogo” de que existe on-line uma versão em português do Brasil desde 2005. Este “guia” (“Estabelecendo um diálogo SOBRE RISCOS de campos electromagnéticos”) mostra como a OMS tem consciência de que pode existir nesta questão uma enorme diferença entre o risco real e o risco percebido pelas populações, com a correspondente necessidade de gestão cuidada e sensível.

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    • 2008-05-26 15:35:2826 Maio 2008 editado
    • #11

    Boa tarde!

    Citando Winstonsmith: "Mas uma coisa pode-se fazer: saber quais são os valores de radiação electromagnética num determinado espaço....... E isso, não está a ser feito em Portugal. Eu não sei se os valores de radiação electromagnética na minha casa são ou não"............

    Por exemplo, nessa escola próxima de um poste de muito alta tensão 220 kv, a que nível de radiação estão sujeitas as pessoas, quantos microtesla?

    O limite legal de 100 microtesta é no mínimo estranho!!! Porque é que a OMS recomenda precauções....e fala em possivelmente cancerígeno.....quando nenhum poste de muito alta tensão (mesmo por baixo da linha, no seu ponto mais crítico) ultrapassa os limites legais?!!!!!!!!!!!!!

    Cheguei a um valor de 0.4 ut (microtesla). Este valor deixar-me-ia sussegado! Como é evidente, teriam de haver corredores de acima de 60 metros da maioria dos postes...

    Em relação à escola que faço referência, esta dista a +/- 40 metros da linha. A esta distancia penso que terá uma radiação de cerca de 0.8 ut (para cargas normais) e 15 ut para (cargas máximas)!!!

    É necessário criar uma organização (tipo MONIT para as antenas de telemóveis) que faça as medições e as dê a conhecer a toda a população.....

    Não basta a direcção geral de saude dizer "O indivíduo só poderá proteger-se se estiver informado. Reter a informação não é forma mais adequada de procedimento" !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    Eu pergunto, onde está a informação? Onde estão as medições?

    Toda a população tem o direito de saber que níveis de radiação tem na sua casa, na sua escola, no seu local de trabalho, etc... ISTO É IMPORTANTE!

    Uma senhora que trabalha numa lavandaria deve levar com níveis de radiação muito elevadas (sem saber!!!!!)
    pois só uma máquina de lavar a roupa tem 8 ut!!!!

    Cumps,

    Canary

  6. É mesmo esse o problema e acho que é isso que, no mínimo, deveria ser feito.

    Eu deveria poder mandar um técnico independente fazer as medições e depois poderia apresentar a factura à REN... ou, em alternativa, a câmara é que o faria.

    A REN aqui na Linha de Sintra fez isso e o limite não era alcançado, mas só tinham a rede a funcionar a 25%...

    Já leu o estudo que lhe indiquei? Existem soluções técnicas interessantes que permitem baixar consideravelmente os níveis de radiação. O próprio formato das torres tem uma grande influência, coisa que eu não sabia.

    • 2008-06-05 10:52:29 5 Junho 2008 editado
    • #13

    Li o estudo, (https://dspace.ist.utl.pt/bitstream/2295/164948/1/CEMEBF%20saude%20publica%20e%20linhas%20de%20Alta%20Tensao.pdf), sem dúvida interessante!

    Medições, medições, medições, medições....São a palavra chave.

    Um exemplo, do mesmo estudo, página 100:

    "No 3º caso (2001) as reclamações surgiram por se terem medido campos de 0,1 a
    0,48 T no interior de um jardim-de-infância, e de 1,76 T no seu recreio, próximo
    de uma linha de 220 kV. A solução consistiu também aqui no desdobramento da
    linha próxima da escola, com a instalação de um novo apoio duplo perto do meio
    do vão em causa. Para se reduzir as interferências em TVs e o ruído associado ao
    efeito-coroa, os condutores foram duplicados, no vão em causa, e as cadeias de isoladores
    também substituídas."

    Existiram medições dos níveis do CEM, e houve uma intervenção!

    A REN aqui na Linha de Sintra fez isso e o limite não era alcançado, mas só tinham a rede a funcionar a 25%...

    Que limites? Os legais?!!!Os tais 100 ut?!!! Este limite é impossivel de ultrapassar mesmo a rede a funcionar a 100%!!!!!!!!!!

    Pelo que já li, no mesmo estudo, os limites mais consensuais..apontam para valores de referência muito inferiores aos limites legais!!!!!!!!Próximos de 0,4 ut (microtesla)

    De 0,4 para 100 vai uma enorme distancia!!!!!

    Já agora, a quantos metros está a sua casa da linha de alta tensão? E qual é a KV da linha?

    Cumps,

    Canary

  7. Boa tarde a todos

    Estou prestes a comprar uma habitação (já está tudo formalizado, apenas falta escriturar) e só agora me apercebi de que junto ao ultimo prédio da minha rua, sendo que o meu é o penultimo, existe uma linha de muito alta tensão (zona Charneca Caparica). Não sei a classificaçao desta linha, ou seja os kv, mas sendo que a minha casa está a +- 60/70m de um destes postes, e tenho 2 crianças... gostava muito que alguem me pudesse esclarecer ou ajudar a saber se existe mesmo algum perigo para a saude das minhas filhas, estando a esta distancia e tendo em conta o tipo de linha de Muito Alta Tensão.

    Muito Obrigada
    Andreia