Participar & Escrever

    • 2007-09-30 23:47:5730 Setembro 2007 editado
    • #1

    Parece mal dizer isto mas sinceramente deveríamos poder escolher a família do mesmo modo que escolhemos os amigos.

    Gostava de ser ingénua a vida inteira para não ter que lidar com situações que me são desagradáveis ou com as quais só quem se preocupa é quem tem os maiores "telhados de vidro"

    Quando cheguei aos 30 anos decidi que não tenho que aguentar fretes e como tal, deixei de conviver com grande parte da família. Porque deveria estar a aturar má língua e parvoíces, quando a vida é para se aprender uns com os outros e não para passarmos o tempo a dizer mal de tudo e todos?

    Arranjar soluções deveria ser o correcto mas é mais fácil, comentar as desgraças do que ajudar a pessoa a erguer-se...

    Irónico é que a partir do momento em que optei por tomar as decisões que me parecem as mais correctas, sinto-me melhor comigo própria... Tudo o que me afectava porque não queria "ofender" ninguém deixou de existir e sinto-me realmente melhor.

    Felizmente tenho um marido que concorda comigo e que me apoia nas decisões que temos que tomar.
    E no fundo é isso que interessa, provavelmente será com ele que acabarei os meus dias e ele é que é a minha família.
    Quando tenho problemas é a ele que recorro e vice- versa e assim temos construído a nossa vida... a dois! ;)

    E sinto-me muito mais feliz assim... Comecei a pensar mais em mim e no que quero dos "meus".
    Achei que quem não me fazia bem, estava de fora e foi o melhor que fiz por mim.

    Com os amigos é a mesma situação... Só o que incomoda é que se a pessoa não entra no jogo da maldicência e tenta ver a vida com "bons olhos", com umas cores mais alegres e não está sempre contra o sistema, está excluída.
    Só perduram realmente as amizades em que conseguimos sempre ser nós... Poucas mas boas! :fixe:

    Estou a ser injusta?!


    • 2007-12-06 16:35:48 6 Dezembro 2007 editado
    • #2

    Olá Isabel,

    estou a fazer um pequeno estudo do comportamento humano e dei com este espaço.

    Gostei! :)

    li o que escreveste e pensei, olha a minha fase, que eu já passei....:)

    A minha area profissional não tem nada a ver com a mente ou a relação humana, não a minha area profissional é a matemática, mas desde já há muito tempo que me tenho confrontado com muitas situações complicadas e problemáticas, muitas também devido a crises familiares e decidi procurar-me a mim mesma! Deixar a matemática das 9h00 às 5h00 e o restante tempo procurar outras coisas, filosofias, modos!

    Assim o fiz, e faço, continuo e espero continuar, não que não me encontre, LOL mas porque acho que diáriamente estamos a modificar, somos como a larva que se torna borboleta!

    Os fretes de que falas às vezes são feitos por nós e não pelos outros|! LOL nós é que não percebemos isso! :)

    Mas sem duvida que a vida é para ser vivida! Só!!!

    O aprender vem com o tempo, que um dia chegará!

    Bjkas
    Perola

    • 2007-12-07 19:35:38 7 Dezembro 2007 editado
    • #3

    E lá me levas novamente a concordar contigo...

    Só coloco algumas reticências no "a vida é para ser vivida! Só!"
    Eu acho que conforme se vai vivendo, vamos aprendendo... Temos é que nos "abrir " a essa aprendizagem, penso eu! ;)

    Mas a idade... dá uma grande ajuda!

    • 2007-12-12 12:09:2312 Dezembro 2007 editado
    • #4

    Olá Isabel,

    A vida é para ser vivida só! Ponto final, tudo o que vem a seguir à vida ser vivida vem por acréscimo, vem como uma prenda surpresa!

    Por isso a vida deve ser vivida, só!

    Ser for pensada e depois vivida já não há prendas no sapatinho! LOL
    O melhor é vivê-la, como diz a velha frase, vive cada dia como se fosse o ultimo, carpem diem!!!!

    A aprendizagem, os triunfos, as desilusões e as tristezas, vem com a vivência, são a nossa aprendizagem da passagem pela vida, são as ofertas que recebemos, às vezes não são boas pois não? Mas, quantas vezes já te ofereceram uns lençóis terrivelmente feios nos teus anos??? E recebeste-os não foi? Embora que se calhar até estão num saco ou num caixote de papelão no sótão, onde nem te lembras deles, porque não gostaste mesmo deles não é!

    Foi fácil arrumá-los no sótão? E então porque não organizar um sótão sentimental? Quando alguma coisa corre mal, sótão com ela!

    E assim ficamos com a nossa mente mais desperta para receber as coisas boas, porque as más, já não vão estar lá! Vão estar arrumadas no sótão e assim tal como no natal só nos lembramos das pessoas que nos costumam dar prendas que gostamos e pensamos o que será que nos vai dar este ano, também vamos só pensar nas pessoas que nos querem bem e nos fazem bem, as outras hão de estar arrumadinhas no sótão!

    Sejamos felizes connosco!

    Claro que aceito bem as tuas reticências e não as guardo no sótão!

    Bjkas
    Pérola

    • 2007-12-28 03:52:0128 Dezembro 2007 editado
    • #5

    Eu tento nem guardar nada no sotão, para te ser honesta porque se guardasse fosse o que fosse, não falaria com muita gente.

    Eu sou mais do esquece e continua. Claro que fica uma mágoa que perdura durante uns dias mas depois opto por continuar a minha vida.

    Tenho o meu marido e a minha filha, que quando for crescida deixará a casa dos pais ( e espero sinceramente que seja assim, porque quer dizer que é auto- suficiente e que não depende de nós monetariamente) e como tal, é meu dever e dos restantes membros da casa, sermos o porto de abrigo, uns dos outros.

    Quero com isto dizer, que tento ser feliz todos os dias e tento demonstrar que os amo, porque nunca é demais dizer o que sentimos e tanto para o bem como para o mal.

    Sabes que as pessoas se esquecem de comentar o que está bem. Parece tão mais fácil criticar, dizer mal...
    Aceito a crítica desde que fundamentada, não só com o intuito de dizer mal.

    Eu tenho uma doença. Doença esta que me limita alguns movimentos e me "provoca" dores mas que tento combater com o movimento. A minha reumatologista achava que eu iria desistir e faz-me uma consulta de 3 em 3 meses mas já decidiu ver-me espaçadamente.
    Para juntar a esta doença, descobri que tenho uma insuficiência mitral congénita e que não me permite fazer algumas coisas mas não é por isso que a minha vida terminou, pelo contrário. :D

    Agora a parte mais parva, enquanto não sabia do que padecia, não desisti mas faltava algumas vezes no emprego porque não tinha sincronização nas pernas ou braços. A minha chefe é enfª e nas minhas costas dizia coisas bastante desagradáveis.
    A mesquinhez das pessoas é inconcebivel... E com a familia, passa-se tanta vez o mesmo, com outras coisas, claro.

    Mas o que não nos destrói, torna-nos mais fortes!

    Por isso, escrevo no papel o que me vai na alma e depois, deixo o que se passou para trás...

    Tens razão, devemos viver o dia mas sempre com uma previsão do futuro. ;)

    • 2008-01-02 14:39:29 2 Janeiro 2008 editado
    • #6

    Queria contar aqui uma história real que já se passou há muitos anos, mas que para mim fica marcada como se tivesse sido hoje!

    A minha mãe sempre trabalhou muito, mas nunca deixou os filhos para trás, de manhã sempre que saía era muito silenciosa para não nos acordar visto que depois era a Maria quem nos levava à escola.
    A uma certa altura, sempre que a minha mãe saía eu já estava acordada, e dava conta que o ritual era sempre igual, a minha mãe levantava-se, tomava o pequeno almoço, vestia-se e assim que estava pronta a sair ia ter com o meu pai para lhe dar um beijo de despedida. Vocês não imaginam os ciúmes que eu tinha do meu pai, ele era o único que tinha direito a um beijo de despedida. Sofri muito com aquele ritual matinal, por muito tempo que achei que se a minha mãe não se ia despedir de mim era porque eu não era tão importante como o meu pai. Cheguei a fazer grandes birras e a impor grandes tormentos quando o meu pai ficava sozinho connosco durante as noites de serão da minha mãe! Coitado….e sempre tão carinhoso! 
    Um dia pensei, vou me levantar e vou eu dar um beijo à minha mãe, e assim foi…quando ela me viu ficou com aquele sorriso que só ela tem, deu me um grande beijo e um abraço bem apertado como ela sempre exigia!

    Desde aquele dia que me levantei todos os dias para ir dar o meu 1º beijo do dia à minha mãe, e o meu pai passou a ser o meu grande amigo de outros tempos anteriores à história do beijo matinal.

    Um dia adormeci, e acordei com a minha mãe no dorso da minha cama a dar-me um beijo, “como não me foste dar um beijo vim ver como estavas” disse-me ela!

    A minha mãe tinha sentido a falta da minha presença e por isso foi me procurar! Percebi que afinal não era pela atitude dela que eu era importante ou não para ela, era pela minha atitude que eu conseguia que ela fosse importante para mim e eu para ela.

    Às vezes estamos à espera que os outros percebam que estamos a sofrer sem lhes dizermos nada, apenas porque fazemos birras achamos que eles vão perceber, mas….

    As nossas atitudes são tão ou mais importantes do que as nossas vontades de vencer!! Muitas vezes perdemos não porque não somos importantes mas porque não nos mostramos importantes perante os outros! É preciso estar sempre presente! Lá diz o velho ditado, longe da vista longe do coração.

    Bjkas
    Pérola

    • 2008-01-02 23:23:35 2 Janeiro 2008 editado
    • #7

    Olá Pérola
    Por essas e por outras é que gosto de dizer " amo-te e adoro-te" sempre que me apetece .
    Que abraço e beijo sempre que posso.
    Que dou elogios sempre que sinto que o devo fazer
    Agradeço pequenas coisas que o são para os outros mas que para mim assumem uma enorme importância. :)

    Ainda bem que te apercebeste ou que deste a entender que te incomodava o facto de a tua mãe não te dar o beijo ( simples para ela, importante para ti) ;)

    • 2008-01-29 10:52:2729 Janeiro 2008 editado
    • #8

    Recebi este texto por e-mail e não resisti a colocá-lo aqui, por achar que não se podia enquadrar melhor com a minha maneira de pensar…

    “Aprendi que a vida pode modificar-se num instante e que o mais importante é
    o tempo que dedicamos a cultivar a amizade.

    Por isso dou graças a Deus:
    Pelo meu filho que muitas vezes não limpa o quarto e está a ver televisão,
    porque significa que está em casa.
    Pela desordem que tenho que limpar depois de uma festa, porque significa
    que estivemos rodeados de familiares e amigos.
    Pelas roupas que me estão apertadas, porque que significa que tenho mais do
    que o suficiente para comer.
    Pelo trabalho que tenho a limpar a casa, porque significa que a tenho.
    Pelas queixas que escuto acerca do governo, porque significa que tenho
    liberdade de expressão.
    Porque não encontro estacionamento, porque significa que tenho carro.
    Pelos gritos das crianças, porque significa que posso ouvir.
    Pelo cansaço no final do dia, porque significa que posso trabalhar.
    Pelo despertador que me acorda todas as manhãs, o que significa que estou
    viva.
    QUANDO PENSARES QUE ALGO TE CORRE MAL LÊ OUTRA VEZ ESTE TEXTO."

    Bjokas
    Perola

    • 2008-02-09 00:22:06 9 Fevereiro 2008 editado
    • #9

    Ainda não tinha lido o texto mas identifico-me com algumas coisas que se encontram no mesmo

    Até acrescentava o que adoro mesmo...

    Adoro passar o Domingo com a minha familia, a comer pipocas e a ver um bom filme, só porque estamos os três.
    Adoro ir visitar os meus pais ou os meus sogros, para passarmos os nossos bocadinhos com a familia que nos é directa e porque enquanto eles cá estão é que nos devemos preocupar com eles. (Dar o valor enquanto cá estão porque depois as flores nada fazem...)
    Adoro os passeios que damos ou a ida ao parque com o gelado no final.
    Adoro ouvir o riso da minha filha e poder confortá-la quando se sente triste.
    Adoro que o meu marido me abrace quando vamos dormir, ficando enroscada no seu corpo.
    Adoro sentir o cheiro e o som do mar, que me fazem sentir viva.
    Adoro ler um bom livro e ficar a pensar nele, durante uns momentos
    Adoro ler e contar histórias à minha filha e aos meus sobrinhos
    Adoro ouvir a minha filha dizer que gosta muito de mim e dizer-lhe que a amo
    Adoro... viver!