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  1. Fazer análises clínicas, uma radiografia, ir a uma consulta de oftalmologia ou clínica geral no mesmo dia e no mesmo espaço onde pode ir ao restaurante, ao banco, à lavandaria ou ao ginásio poderá ser possível num dos 25 "centros comerciais da saúde" que um grupo privado quer criar em Portugal nos próximos anos. Pelo menos um por distrito.

    O projecto ainda não saiu do papel, mas o seu coordenador, o ex-deputado do PSD Nuno Delerue, afirma que já tem manifestação de interesse de entidades clínicas suficiente para ocupar metade dos espaços.

    A ideia das chamadas "Casas da Saúde" é permitir ao utente, equipado com um equipamento electrónico que lhe permita saber daí a quanto tempo terá consulta, por exemplo, andar pelo espaço e ir à farmácia, ao oculista, ao cabeleireiro ou à lavandaria. "A sala de espera lúgubre desaparece", afirma o responsável.

    Delerue refere que será uma "loja do cidadão da saúde", termo que prefere a shopping de saúde. O coordenador lança uma pergunta que explica o conceito: porquê é que as pessoas vão logo às urgências? Sabem é onde lhes fazem tudo o que é necessário num só sítio.

    Mas, tal como os hipermercados põem em causa a sobrevivência dos pequenos comerciantes, irá uma Casa de Saúde fazer fechar pequenos consultórios privados? Nuno Delerue acredita que algumas pequenas unidades privadas vão ter interesse em "migrar" para estes espaços. Quanto à possibilidade de indução de consumo clínico, refere que "não se trata de autoconsumo", a triagem é médica e assenta na prescrição de exame ou análises.

    Foi feita uma pré-selecção de 68 concelhos onde as chamadas Casas de Saúde poderão ser construídas, mas o grupo compromete-se a ter uma por distrito, mesmo em zonas do país não muito interessantes em termos económicos. Espera-se que o número de visitantes oscile entre os dois mil e cinco mil por dia.

    Público-alvo? Clientes particulares, detentores de seguro de saúde e qualquer utente do Sistema Nacional de Saúde, desde que seja reaberto o sistema de convenções.

    Esperam criar 4865 novos empregos, excluindo as profissões de saúde. O número de médicos poderá rondar os 100 profissionais por unidade. A ideia é lançar a primeira pedra da primeira Casa de Saúde ainda este ano e ter até 2009 seis das casas. Numa segunda fase, avançarão as 19. Há dois projectos de arquitectura que alternarão consoante os distritos.

    O Grupo Sanusquali foi criado em Maio deste ano para este projecto e envolve um grupo de médicos e empresários ligados à saúde, caso de José Vila Nova (Grupo Hospital da Trofa), Teófilo Leite (Casa de Saúde de Guimarães), Albano Mendonça (Hospital Internacional do Algarve) e Germano de Sousa, ex-bastonário da Ordem.

    Os valores envolvidos são de 1239 milhões de euros. O coordenador refere que o valor total não está reunido e estão na mesa várias hipóteses de financiamento. Esta não é a primeira vez que Nuno Delerue está envolvido num projecto na área da saúde. Esteve à frente da Netsaúde, que, em 2003, pretendeu lançar um sistema em que era suposto serem fornecidos telemóveis aos médicos do SNS para darem consultas telefónicas. O serviço esteve envolto em polémica, nomeadamente por não ter sido sujeito a concurso público, e acabou por não ser aprovado.

    http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1302971&idCanal=10