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  1.  # 1

    Boas, eu há uns 10 anos eu tive um acidente de automóvel em que bati com a cabeça ou no vidro ou no espaço onde está a base do cinto de segurança e onde eu fiquei com um alto. Mandaram-me fazer um TAC só para confirmar que estava tudo bem, e a análise desse exame indicou um quisto aracnóide no lado direito. Por causa disso eu durante uns 5 ou 6 anos fui ao neurologista e eles mandaram-me fazer TAC's anuais para ver se havia algum evolução. Há prai 2 anos o último neurologista que visitei disse-me que era uma situação de nascença e que não tinha nada a ver com o acidente e que a unica coisa que ele detectou de facto foi uma sinusite crónica. Com isto deixei de fazer os TAC's anuais e de ir a neurologistas e fui a um otorrino ver da sinusite, que me mandou fazer um TAC á zona da sinusite. A minha questão é, o quão perigoso para a minha saúde foi fazer estes TAC's todos ao longo do tempo, é que agora apresentou-se outra situação em que sou capaz de ter de fazer um TAC e estou um pouco de pé atrás em bombardear a minha cabeça novamente com radiações. Uma ressonância magnética não serve como alternativa mais saudável?

    • CSJ
    • 21 April 2011 editado
     # 2

    A Ressonância Magnética, apesar da maior parte dos leigos ver simplesmente como um exame "ainda melhor do que a TAC", na verdade é um exame com propósitos diferentes desta. Ou seja, há coisas que só se vêem na TAC e há coisas que só se vêem na RM (não obstante haver coisas que se vêem em ambos).

    As máquinas de TAC (e Raio X normal) hoje em dia utilizam quantidades mínimas de radiações. Diria mesmo,talvez, que se viver numa zona de rocha granítica, estará exposto a mais radiação do que a fazer uma TAC anual.

  2.  # 3

    num dos locais onde fiz uma tac IPO, tinha um folheto com estes dados entre outros:
    ________________________

    "O que os pais devem saber"

    Radiações usadas para fins médicos

    RX do torax (0,01mSv) = 1 dia de radiação natural

    Tac do torax (2mSv) - 8 meses de radiação natural

    Tac adbominal (5mSv) - 20 meses de radiação natural

    O risco a vir a ter cancro apenas pela realização de uma Tac é praticamente inexistente
    O risco aumenta à medida que se vão repetindo estes exames(cumulativo).

    http://www.radiologyinfo.org/
    __________________________________

    quando nos fazem um tac, é só uns segundos, a maquina só passa uma vez, o tempo que estamos expostos a essas radiações parece-me muito curto, acho que devia de ser obrigatório fazer uma tac de 2 em 2 anos dos pés à cabeça

    :sunglasses_1:

    • pax
    • 7 July 2011
     # 4

    concordo, e quem paga? Nos EUa onde não há SNS as pessoas pagam quase 200e por uma TAC. Aqui é o estado, portanto não me parece viável. Só se deve fazer quando necessário, se possivel, Nunca. :)

  3.  # 5

    Olá,

    O estado ia poupar dinheiro, porque as pessoas iam descobrir os seus problemas de saúde muito mais cedo. Prontos, de 5 em 5 anos.

    o meu exemplo
    Eu fui ao medico queixar-me da cabeça, mandou-me fazer umas analises e descobriu que eu tinha uns quistos na barriga, queixas zero, depois numa urgência por causa da cabeça, outro medico mandou-me fazer um tac, vou-lhe chamar 3 em 1,do pescoço à barriga, e descobriu mais uma coisas no pulmão e outra no L2, queixas zero.

    Portanto façam analises a tudo e mais alguma coisa,mesmo sem qualquer tipo de sintoma, para começar. O meu erro foi ter deixado passar alguns anos sem pôr os pés no medico, agora estou a pagar todas juntas, porque me sentia óptima.

    Já fiz tb uma ressonância magnética à minha cabeça, é impressionante a definição e qualidade das imagens, aqui foram 20 minutos com a cabeça debaixo da maquina, fiquei com um cd de +- 100 imagens, imagens da cabeça de cima para baixo, detrás para a frente, e da esq para a direita. Isso tudo para chegar à conclusão se era maligno ou benigno, felizmente parece que o tumor é benigno.

    eternamente agradecida a todos estes médicos por qual tenho passado, acho que em Portugal estamos na vanguarda e muito bem servidos de bons médicos.

    • CSJ
    • 8 July 2011 editado
     # 6

    A maior parte dos estudos indicam que fazer TAC's "preventivos" tem uma relação custo-benefício baixíssima. Ou seja, o benefício (probabilidade de encontrar alguma alteração em estado "curável") que se obtém versus o custo que teria era muito pouco. A verdade é que encontrar algo num TAC sem ir especificamente à procura de algo, é bastante raro de acontecer, se não houver sintomas (um TAC tem imensas imagens, o médico teria de olhar para elas uma a uma e, regra geral (sim, nem sempre), uma alteração grande o suficiente que salte logo à vista numa visualização rápida, já terá sintomas).

    E fazer exames sem sintomas/suspeitas de algo é um dos motivos do nosso SNS ter a dívida que tem. Os exames são caríssimos, o valor que nós pagamos por eles é residual face ao custo total. Por exemplo na Alemanha, cada médico tem um plafond anual que pode gastar em exames complementares para os seus doentes (adaptado à população abrangida, especialidade, nº de utentes, etc). Se atingir esse valor antes do fim do ano, ou paga do seu bolso, ou pode ser responsabilizado criminalmente por doentes que tiveram problemas por já não poderem fazer exames. E o sistema funciona perfeitamente.

    Era bonito que pudéssemos estar sempre a fazer análises e exames, sempre "à frente" das doenças. Mas isso paga-se (não é verdade quando se diz que a saúde não tem preço), e nem Portugal nem qualquer outro país tem dinheiro para isso. Portanto tudo tem que ser analisado também em termos de custo-benefício.

    Já agora, uma coisa curiosa: ainda há dias vi vários estudos em que se demonstrava que, em média, os médicos que pedem mais exames são os que têm menos competência técnica/experiência e são os que acertam menos diagnósticos. Curioso, sobretudo tendo em conta que ainda temos a cultura de ficar quase ofendidos quando vamos ao médico e ele não nos pede vários exames.

  4.  # 7

    Pois,

    E já que estamos na maquina do tac, para fazer um tac ao torax, por exemplo, porque é que não fazemos um pouco mais, apanhar uma área maior?

    foi o que me aconteceu, precisava de fazer só um tac pélvico e um medico disse, não, vais fazer abdominal e torax ao mesmo tempo, com contraste, assim descobri 2 nódulos no pulmão direito de 1 cm, para já não parece ser grave, mas vou ter que estar em cima, e já me disseram que daqui a 3 meses, terei que repetir o tac ao torax... se calhar quando começasse a ter algum sintoma respiratório já seria tarde demais... :(

    podia ser nós a pagar esses tacs, de 5 em 5 anos, já nos obrigam a pagar tanta coisa... e noite e dia a maquina do tac não parava...
    quem diz um tac diz outros exames, haver um plano que seriamos obrigados a cumprir de x em x anos, não nos obrigam ir a inspecção todos os anos com o carro?! há por ai muita doença silenciosa... e nós só vamos ao medico quando já não aguentamos mais, isto passa... e ás vezes já é tarde...

    há uns anos, era obrigatário o rx ao torax para entrar na escola, acho que o mesmo já não acontece...

    ;)

    acho que não me vou ver livre da maquina do tac tão cedo, no curto espaço de tempo já vou com 4 tacs. perigos de levar com tantas radiações? já não estou muito preocupada com isso.

    • pax
    • 9 July 2011
     # 8

    Sou da opinião que só devemos ir ao médico nas últimas e fazer análises e exames em último recurso.

    • CSJ
    • 10 July 2011
     # 9

    A grande maioria das doenças em que é significativo o benefício (custo, melhor prognóstico, frequência com que aparecem na população portuguesa) de uma detecção precoce, existe de facto a indicação de fazer uma prevenção. Daí os rastreios. Rastreio do cancro da mama, do cancro da próstata, do colo do útero, da osteoporose, da hipertensão arterial (em que muitos centros de saúde falham ao não medir a tensão dos doentes quando vão às consultas), etc etc etc. Muitos deles só se fazem, claro, em determinadas idades porque está provado que é raro aparecerem noutras (e lá está, se é raro, não vamos estar a gastar rios de dinheiro nisso). Alguns só se fazem na existência de outra patologia (como os rastreios visuais em diabéticos).

    Quanto à TAC, o impacto disso em saúde pública ia ser mínimo. A TAC não é uma máquina milagrosa que detecta tudo. Como eu disse, o seu caso é um caso raro, pois quando se encontram lesões na TAC sem que se esteja especificamente à procura delas, na grande maioria das vezes já há sintomas. Isto sem falar que não há assim tantas máquinas de TAC no país (e já nem falo em médicos para analisar imagens da população inteira). Portanto, que estejam livres para quando é realmente necessário.


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