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    • MMB
    • 5 March 2010 editado
     # 1

    Aviso da moderação

    Esta conversa é para testemunhos de quem fez uma IVG ou está em vias de fazer.
    Não é para convencer ninguém a não fazer ou para censurar opções e pessoas.

    Se quiserem falar sobre despenalização do aborto, podem-no fazer aqui: http://forumsaude.com/conversa/801/despenalizacao-do-aborto-opinioes/
    Se quiserem falar sobre alternativas ao aborto, podem-no fazer aqui: http://forumsaude.com/conversa/1258/alternativas-ao-aborto/

    Qualquer comentário que não se insira no espírito desta conversa será APAGADO.
    Este espaço existe para apoiar e não para censurar - se não podem ou querem apoiar, não participem, obrigado.


    Fiz uma IVG. Tenho 23 anos, sou estudante de Design, não sou de classes sociais baixas, nem sou pouco informada, nem tão pouco os meus pais são analfabetos. Engravidei por pura irresponsabilidade, como por pura irresponsabilidade tenho lidado com a minha vida e o meu curso. O pensamento só acontece aos outros, e o “bolas esqueci-me de tomar a pílula durante três dias…bem coito interrompido e não há-de ser nada” foi o que me bastou para agora ter que carregar com esse peso o resto da vida. Tenho namorado há quase dois anos, e desde dos 18 que tomo a pílula. Tomei somente a pílula do dia seguinte duas vezes na minha vida. A consciência que a descarga hormonal da pílula do dia seguinte é enorme esta bem estruturada na minha cabeça.
    Não me orgulho de o ter feito mas também não me envergonho. Foi uma decisão de consciência e dolorosa, como desconfio que seja para quase todas as mulheres que o façam. É duro por termo a vida de algo que cresce dentro de nós, que começa a crescer um amor estranho vindo não se sabe de onde e nem se sabe pelo que, já que nada é visível ainda e nos põe a sorrir sem queremos como as pessoas que estão apaixonadas. Na eco grafia que tem que se ter não tive a melhor assistência para uma IVG, a médica fez questão de virar o monitor para mim e dizer: “esta a ver o embriãozinho?”, creio que não devam fazer isto. Uma mulher que faz uma IVG, não é um monstro e não precisa que os profissionais de saúde se armem em Deus para as querer castigar. O castigo já vai ser suficientemente grande para o resto da vida. Mas eu vi, vi o que poderia ser o meu primeiro filho. E doeu! Como disse muitas vezes e volto a dizer, é bem feito passar por aquilo que passei e passo, as coisas são como são, fui irresponsável e agora arco com as consequências, já mais me vitimizei neste processo todo, nem seria capaz de o fazer. Quando fui a primeira consulta para a IVG, olhei a minha volta e vi meninas e mulheres, meninas sozinhas sem parceiro ou amigas para as acompanhar e vi mulheres já feitas e crescidas sem companhia também. Havia só mais um casal como eu na sala, mas vi a menina era tão novinha…e com um ar bastante assustado. Quem olhou para mim de fora e me julgou achou que me estava perfeitamente nas tintas para o que estava a fazer, ria-me e brincava com o meu companheiro. É a minha maneira de ser, para não chorar, riu.
    A segunda consulta não foi a mais dolorosa, o mais doloroso foi ver o embrião na primeira eco grafia. Vi o mesmo casal que tinha visto na primeira consulta, e vi as mesmas mulheres e meninas sozinhas, sem ninguém para as apoiar. E isso talvez fosse o que me custasse mais nessa consulta, onde estavam os pais das crianças? Porque deixavam meninas sozinhas sem apoio? Sabia que o sofrimento físico seria intenso e vi estas meninas sozinhas. E quando começam-se as dores quem cuidaria delas? Não é justo, nem tão pouco respeitoso deixar uma mulher que passa por este sofrimento sozinha. Infelizmente a minha IVG não correu bem, e passado quatro dias tive que ir de urgência para o hospital porque as dores eram de tal maneiras insuportáveis que achava que ia morrer, nem percebi o que se passava supostamente já poderei retomar a minha vida normal nesse dia. Quando fui para a sala de triagem fui bastante mal recebida pela enfermeira, bastou ouvir “fiz uma IVG” para a descriminação estar estampada no rosto dela, senti que estar-lhe a gritar “por favor ajudo-me estou cheia de dores”, o meu chorar era a mesma coisa que lhe dizer: “olhe querida estou com uma ligeira dor de cabeça mas estou óptima”. Ela respondia-me muito secamente que era normal do tratamento que estava a fazer, sabia que não era normal porque a medica que me fez aplicação disse que se as dores não passassem com os medicamentos teria que ir para o hospital. E eu entre gemidos de dores respondia-lhe que não era normal. Lembro-me da lentidão a fazer tudo, da falta de atenção que teve por mim, da moleza com que fez tudo. Supostamente era para ser posta a soro, então a Sra. Enfermeira foi fazer a cama á maca para poder-me deitar, via de longe novamente mole e sem interesse no meu estado e para o cumulo a falar ao telemóvel como se não tivesse uma pessoa ali com dores, mas sim um drogado qualquer com uma enorme “moca”. Uma das minhas melhores amigas é enfermeira, e sei que poderia ter levado logo uma injecção para atenuar as dores, que as coisas podiam ter sido tratadas com muito mais eficácia. O que se passou ali, foi uma pessoa que se julgou Deus ou quem quer que fosse, se achou-se no direito de castigar uma mulher por ter feito um aborto. Será que estas pessoas não percebem que nós teremos o maior castigo de todos? Fomos nós próprias e as nossas escolhas que nos castigaram. Felizmente a medica chegou rápido e a raspagem foi feita rapidamente, mesmo sem anestesia, mas foi tudo tão rápido que nem me importo de não ter levado anestesia, porque mesmo com essa parte adormecida continuaria a ter dores e o processo em vez de ter demorado menos de 5mintutos demoraria mais de dez. Fiquei logo bem. A outra enfermeira ou auxiliar que estava presente também me fez sentir o quão desumana era com o seu tratamento delicado. Ainda meio desorientada e confusa perguntei pelo penso que tinha ideia que no inicio ela tinha me dado ou posto em algum lado e claro que ouvi respostas brutas e frias do género: “vá levante-se dai, a médica já lhe disse para levantar. Já lhe dei o penso, não sabe dele?”. O que mais me espantou foi o facto de a primeira enfermeira ser negra e esta ser de um país de leste. Conhecendo a mentalidade deste nosso país, provavelmente também elas em alguma altura da vida foram descriminadas, como era possível fazer o mesmo a uma mulher numa altura tão difícil? Não é humano. Se não concordam com a IVG, tudo bem nada contra, mas no local de trabalho e tendo a profissão que tem não podem ter este tipo de comportamentos. E surgem-me na cabeça mais uma interrogação, será que estes profissionais de saúde têm algum tipo de formação para lidar com estes casos? Até compreendo que lhes seja difícil pessoalmente entender o porque de uma mulher aparentemente saudável, de 23 anos ter feito um aborto, mas isso é a nível pessoal não podem trazes convicções pessoais e castigar mulheres só porque não concordam com as escolhas delas. Um dos maiores dramas das consultas de IVG, são as reincidentes mulheres e meninas que já fizeram um, dois, três ou mais abortos, que deixaram de usar métodos contraceptivos. Essas são altamente julgadas e criticadas, na minha opinião uma mulher que se sujeita o corpo e alma tantas vezes a este choque, são mulheres que não estão bem. Deveriam ter este filho? Provavelmente seriam crianças rejeitadas, que não receberiam atenção nem amor, mulheres que tem filhos como que tem animais. Se fossem meninas muito provavelmente seguiriam as pisadas da mãe, se fossem meninos muito provavelmente seriam homens que fugiriam as responsabilidades quando aparecesse uma namorada grávida. Não se preocupem a critica-las, o maior dor e para elas, talvez porque chegará uma altura em que queiram ter realmente filhos e já não possam, talvez porque a vida nos esta sempre a dar lições e um dia elas vão sofrer mais que qualquer pessoa. Preocupem-se a prevenir e investir o tempo a informar jovens sobre a sexualidade.
    Nestes últimos dias tenho procurado pela internet historias e fóruns sobre esta situação, encontrei as mais variadíssimas opiniões. O que me chocou mais foi ver desabafos de mulheres que passaram por isto e ver comentários de pessoas a chamarem-lhes vadias e todos os géneros de ofensas. Acredito que para uma mulher que perdeu o filho pela mãe natureza seja difícil aceitar outra mulher que o tenha feito por livre vontade. Mas quem lhe garante que as condições da primeira eram iguais às da segunda? Quem são as pessoas para julgarem quem quer que seja? A minha mãe votou sim no referendo, mas disse sempre que nunca o faria mas cada mulher pode escolher. O feto que matei ainda não tinha cérebro, embora já tivesse batimento cardíaco. Dizem que ninguém tem o direito de tirar a vida a outro ser, mas será que temos o direito pelo erro nosso trazer ao mundo uma criança em que o futuro não se sabe? O mundo está cheio de meninos abandonados, está cheio de mães e pais frustrados que descarregam em cima dos filhos essas mesmas frustrações, não estarão também a mata-los aos poucos? Não quero olhar para um filho e sentir que ele era a consequência da minha irresponsabilidade e por isso não realizei os meus sonhos. Seria mais uma no leque de mães histéricas e egoístas que descarregam nos filhos as próprias frustrações? Pelo o que me conheço, seria. Os filhos que um dia terei serão educados num lar com amor, respeito e de pessoas bem com elas próprias, para que um dia sejam homens e mulheres equilibrados e íntegros. Não sou má pessoa por ter feito um aborto. Apenas sou uma mulher que escolheu ter primeiro uma vida e depois dar a vida a outro ser.
    Às mulheres e meninas que passaram por isto muita força e não fiquem a culpabilizar-se para sempre, sigam em frente. Ás meninas e as mulheres que nunca passaram por isto e tem tendência a esquecer-se dos meios contraceptivos como a pílula, informem-se nos centros de saúde, centros de saúdes como o do Lumiar tem uma óptima assistência da consulta de planeamento familiar. Uma equipa de medicas e enfermeiras que nos fazem sentir que não somos apenas um número mas uma pessoa. Informem-se sobre o implante subcutâneo tem a duração de 3 anos e é super eficaz é distribuído e aplicado gratuitamente no planeamento familiar. Aos homens nunca deixem uma mulher sozinha nesta situação, lembrem-se que é vossa companheira mas provavelmente tem mãe, irmãs e filhas e não gostariam que elas passassem por isto sozinhas.
    Os melhores comprimentos
    :fixe:

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  2.  # 2

    Olá MMB :D

    Eu sou mãe de uma linda menina de 6 anos.
    Sempre o quis ser... mas na altura que eu e o meu marido considerámos a altura ideal.

    Estou casada há 6 anos mas comecei a namorar o meu marido aos 17 anos.
    Comecei a toma da pílula aos 18 anos ( depois de ter a minha filha, devido a problemas coronários fui obrigada a deixar de a tomar e a optar apenas pelo preservativo)
    Podia não ter acontecido na altura ideal porque os azares acontecem e sem aviso...
    Sempre tomámos precauções e já aqui contei que por duas vezes, o preservativo se rompeu e recorri à pílula do dia seguinte.

    Engravidei aos 26 e fui mãe aos 27 anos. É sem dúvida alguma, uma das melhores experiências da minha vida.
    Foi muito desejada e posso mesmo dizer que foi planeada, porque foi...

    Agora, o seu testemunho.

    Se estivesse no seu lugar, provavelmente teria feito o mesmo.
    Não poderia estar mais de acordo com o que escreveu.

    Em 1º lugar, não sou deus para julgar ninguém.
    Em 2º lugar, é preferível fazer uma IVG do que colocar uma criança no mundo sem ter condições para a criar, sem a querer... do que serem abandonadas, vendidas ou colocadas em lares para adopção ou serem maltratadas.
    Em 3º lugar, o modo como a trataram é no mínimo... nem sei que lhe diga!
    Uma profissional da saúde, deveria abster-se de recriminar seja quem for e fazer o seu trabalho o melhor que sabe e pode.( como aliás, em qualquer profissão)
    Em 4º lugar, louvo-lhe a coragem.

    Recordo-me de ver o "ponto negro" na ecografia que mais tarde viria a ser uma menina :D
    Recordo-me de ouvir o bater do coração daquele pequeno ser e de ficar comovida assim como o meu marido, que me acompanhou sempre a todas as consultas e foi ( e continua) a ser parte integral na vida da nossa filha.
    Estamos presentes os dois em todos os momentos da vida dela desde a ida ao médico como as idas ao colégio e etc.

    Seria assim se tivesse vindo mais cedo? Julgo que não...
    Daí a minha frase " veio na altura ideal". Tínhamos a vida organizada, cada um com o seu emprego, com a relação estável e com o desejo comum de termos filhos.

    Considero que teve a atitude correcta e quem dera que todas pensassem como a MMB pensou.
    Não tem que se recriminar ou de se martirizar pela atitude que tomou.
    Aconteceu. Terá a sua oportunidade de ser mãe novamente quando o entender e quando se sentir preparada para tal.

    Espero que o seu testemunho elucide muitas pessoas e que tirem daqui muita aprendizagem.

    E espero que deixe de se recriminar porque eu não considero que seja crime algum.

    Tenho uma filha que amo muito e não sei o que me espera... mas garanto-lhe que estou cá para a apoiar em todas as decisões da vida dela.
    Posso não estar de acordo mas se a fizerem feliz, então estarei feliz também.

    E digo-lhe mais... Infelizmente, não posso voltar a engravidar sem conhecimento da minha reumatologista mas se acontecesse, teria que abortar por causa da medicação que tomo.
    Adoro crianças mas sabendo que nasceria com graves problemas, não pensaria duas vezes... Daí o ter corrido a comprar a pílula do dia seguinte quando o preservativo se rompeu.

    Não sou egoísta a esse ponto...

    Espero sinceramente que este testemunho mude a maneira de pensar de muita gente e principalmente de quem a assistiu.

    Vai dar uma boa mãe, quando o decidir ser.;)

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: SDT, anago, Dre

    • MMB
    • 6 March 2010
     # 3

    Ola Isabel

    Primeiro de tudo parabéns pela menina. =) Tenho priminhas com dentro dessa idade e elas são bem divertidas.

    Obrigado pelo comentário. E por todos os elogios.

    Decidi publicar este texto para puder ajudar mulheres e também homens a lidar com este tipo de situação. Especialmente meninas. Fez muito impressão ver meninas sozinhas na sala de espera.

    Não creio que me recrimine, ou se o faço não dou conta. Mas fico com uma emoção estranha agora cada vez que vejo bebés e crianças pequeninas. Talvez acabe por passar.... O que me assusta mais é o que se passa dentro do meu organismo, tenho lido textos que explicam o aborto medicamentoso (que foi o método escolhido para mim) e assusta-me ver que não é bem como o fizeram comigo. Mas não sou da área da saúde e muitas vez as informações que tiramos da internet tem erros, por isso não posso fazer uma analise correcta da situação.

    Formei a opinião que somos muito mal informadas a respeito do pós aborto. A informação das consequência imediatas e a longo prazo não nós são facultadas o que é um erro crasso. Passo a citar alguns trechos de um artigo que encontrei com base em declarações de Margarida Castelo-Branco da Faculdade de Farmácias da Universidade de Coimbra, que na minha humilde opinião esta senhora deve perceber alguma coisa do assunto.

    "No I Encontro de Estudos Médicos sobre a Vida Humana, a decorrer em Lisboa, a médica vai manifestar a sua preocupação por o folheto informativo sobre o uso da pílula abortiva não indicar os riscos de hemorragias graves ou de morte.

    «Está descrito um caso de uma morte, na Suécia em 2003, em que a mulher foi para casa e não soube avaliar bem a gravidade da hemorragia e acabou por morrer por sangrar excessivamente», descreveu à agência Lusa.

    A especialista enunciou ainda «cinco casos confirmados e sete muito prováveis» de morte devido a septicemia, ou seja, infecção generalizada resultante da medicação entre 2003 e 2006.

    «Quando estas mulheres têm septicemia não têm os sinais típicos da infecção, pode aparecer sem febre ou em poucas horas e as pessoas não se apercebem», explicou.
    [...]
    A médica quis desmistificar a «ideia geral» de que usar a pílula abortiva é apenas tomar os comprimidos e abortar na intimidade do lar.

    «Há riscos resultantes dos próprios medicamentos que se tomam. O aborto medicamentoso não aparece como a grande salvação em relação ao aborto cirúrgico», referiu.

    Este processo é «demorado, dura alguns dias».

    Segundo a especialista, a mulher «pode sangrar durante entre nove e 45 dias, em casos mais raros, o que marca desde logo a diferença para o aborto cirúrgico».

    A necessidade de informar a mulher de que vai ter dores muito fortes e não meramente dores menstruais e de que em 75 por cento dos casos se recorre a analgésicos narcóticos como a codeína foi também sublinhada por Margarida Castel-Branco.

    «O que mais nos preocupa é que neste processo a mulher é deixada muito sozinha. É enviada para casa e é-lhe dito que se tiver dores fortes ou perdas abundantes de sangue se dirija a um estabelecimento de saúde».

    «Mas o que são dores, mal-estar acentuado ou perdas abundantes de sangue depende da percepção de cada mulher», salientou à Lusa.
    A médica sublinhou também que a indicação de que se tratará apenas de perdas idênticas às menstruais não está completamente correcta porque "saem também coágulos e o embrião (que às nove semanas não tem mais de dois centímetros)".
    "A mulher quando está sozinha em casa nesse momento não conta com qualquer apoio físico ou psicológico", recordou.

    O aborto medicamentoso consiste em dois momentos, a mulher toma a pílula abortiva RU486 (que actua como antagonista da progesterona) e depois é enviada para casa, numa altura em que ainda não deve expulsar o embrião. Depois de 36 a 48 horas, a mulher terá que voltar ao estabelecimento de saúde para tomar um segundo medicamento com misoprostol, uma prostaglandina sintética que actua por estimulação das contracções uterinas. Neste segundo momento é recomendada a prescrição de um analgésico, porque é a altura em que deverão aparecer as dores mais fortes. A mulher poderá ficar quatro a seis horas no estabelecimento para haver hemorragia e expulsão do embrião, mas também pode ser enviada para casa, dependendo da decisão do estabelecimento ou do perfil da mulher"

    Talvez esta ultima parte seja uma das mais importantes. Estava de 7semanas e 1dia, tomei um comprido via oral e foram-me aplicados quatro compridos via vaginal e fui logo mandada para casa. Não percebo esta discrepância de comportamentos. Talvez se soubesse aquilo que sei neste momento tivesse pedido uma IVG cirúgica, talvez não tivesse que passar pelo que passei e não tivesse com medo que algo no meu corpo possa estar errado neste momento.

    Li também algures no site que a IVG aumenta a probabilidade de cancro em 30%, que aumenta o numero de cesarianas tal como a possibilidade de bebés prematuros. Mas novamente digo que não sei se isto são informações seguras. Quinta-feira irei a uma consulta e vou tentar ter informações sobre a veracidade destas afirmações.
    Espero, com toda a sinceridade, que esta conversa seja lida por muitas mulheres e homens a passarem por isto ou que já tenham passado, para puder ajudar. É importante estarem informados sobre todos os riscos e não esperarem que seja o medico a dizer tudo, porque eles também são humanos e não são uma nem duas IVG que são feitas por dia em casa hospital, são bem mais.
    Com os melhores comprimentos
    MMB

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: SDT

  3.  # 4

    Eu estou admirada com a coragem que tiveste MMB. Não é qualquer mulher que fala no que aconteceu da maneira que falaste! Isso só revela bom carácter e sentido de entre ajuda ao próximo.

    Confesso que não estava informada de muito pormenor sobre o IVG, mas agora que tocaste no assunto fui pesquisar e através dos vossos posts também aprendi alguma coisa.

    É horrivel sequer pensar que existem (AINDA) pessoas que discriminam por esses "actos de coragem"! É tão bom criticar terceiros quando não estão envolvidos na situação não é? Mas o que é certo, é que ninguém pode dizer "eu nunca" porque não sabe o que o futuro lhe reserva!

    MMB vais ver que tudo correrá pelo melhor e, acredito, que um dia mais tarde serás uma mãe exemplar :)

    Beijinho

  4. Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: SDT

    • eli
    • 16 July 2010
     # 5

    ola MMB
    ao ler a tua historia fiquei muito preocupada porque vou fazer uma ivg medicamentosa, e infelizmente tambem fui muito mal tratada, desde me perguntar se ivg era o meu metodo contraceptivo, quando nao sabe o porque de eu nao tomar a pilula, no meu caso é do foro cardiaco. mas como no teu caso já me disseram k eu nao podia fazer a segunda toma no hospital, que teria que ser feita em casa obrigatoriamente e que nao podia ficar no hospital. a opção cirurgica nem me foi colocada. eu estou em panico, porque embora seja bem mais velha do que tu, vivo com o meu pai e nao kero k ele descubra. e nao tive qualquer apoio do hospital, mesmo sabendo k tenho taquicardia nao viram razao de o fazer no hospital. nao imaginas o medo k tenho. o sentimento de impotencia. as vezes penso k se me sentir mesmo mal nem me vou queixar e me vou deixar fikar na cama... quieta... desculpa estar a desabafar assim. mas a verdade é k o serviço no lugar de nos apoiar parece k nos está a castigar..

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  5.  # 6

    Sou estudante de Enfermagem, e estou a precisamente 5 meses de acabar o meu curso! tenho 22 anos, e até há bem pouco tempo considerava-me uma pessoa feliz!
    No dia 24 de julho, com apenas 5 dias de atraso do período, tinha um teste de gravidez em casa e por descargo de consciência resolvi fazê-lo... quando eis que: POSITIVO! Ok, não acreditei, e fui comprar um da farmácia. Novamente positivo.
    isto não me podia estar a acontecer... eu tinha tido relações protegida! Preservativo e coito interrompido parece infalível, não é? Pois, tb pensei que fosse!
    Perante o teste de farmacia comecei a acreditar, mas não foi suficiente! era sábado e para confirmar com o teste de sangue, só podia recorrer ao hospital. Como uma amiga trabalha lá, consegui fazer o teste em 1hora. Confirmado. HCG positiva em 496mg/ml - "estou grávida".
    Fiquei sem reacção. As minhas amigas estavam comigo e acabaram por me conduzir porque embora estejamos dentro da área de saúde, pouco sabemos acerca do aborto, como se processa, burocracias, etc!
    Ao fim de semana estava tudo inacessível, e na maternidade alfredo da costa (MAC) pouco souberam dizer que me pudesse efectivamente ajudar. Ainda a minha amiga ligou para a saúde 24 para pedir informações, procurei na net... e tudo era demasiado assustador e até mesmo irreal para que eu pudesse de facto acreditar que tudo isto me estava a acontecer.
    Inevitavelmente a minha ideia inicial foi impulsiva optando pela IVG. O pai do meu filho não era meu namorado, ou seja não havia uma relação, a questão da minha família... tudo indicava que não. Ao consultar foruns na net comecei a ficar aterrorizada com os comentários acerca da IVG, sobre a qual eu não tinha qualquer noção prática!
    Comecei a desesperar, e a situação era irremediavel. Os meus amigos foram o meu grande suporte, mas claro que nada poderiam fazer para reparar esta situação.
    Consegui consulta de IVG na MAC para 4ª feira, e assim foi. Ok... aquele lugar fala por si próprio! Um recanto literalmente obscuro nos confins da maternidade, onde ressalta mesmo a ideia de ilegalidade e crime.
    Mto tempo de espera a olhar para a angústia de muitas das raparigas lá sentadas, acompanhadas ainda pelo mau gosto e inconveniência de outras que optam por levar os filhos para lá. Fui atendida por uma enfermeira sobre quem até me custa falar.
    Como quase enfermeira que sou, custa-me saber que existem pessoas assim, enfermeiras assim. A sra de uma frieza incalculável tratou-me o mais abreviadamente possível; eu cheia de dúvidas e a tentar esclarecer nem que fosse parte delas, consegui apenas como resposta "Eu acho o que você achar", rematando com umas folhas informativas acerca dos métodos de IVG. Toda a consulta e ecografia foram feitas como se eu fosse culpada por aquilo e como se realmente merecesse ser mal tratada. Eu, envergonhada e com uma série de emoções negativas à tona, deixei a minha faceta reivindicativa de lado e acatei aquele tratamento. Fiz análises, e marcou-me a consulta para a semana seguinte para fazer a IVG medicamentosa.
    Eu estava na última semana de estágio, que tornou-se um descalabro. Tudo começou a correr mal ao mesmo tempo. E eu, a pouco e pouco fui começando a tomar efectivamente noção do que estava a acontecer, e a reflectir.
    Tinha decidido nem sequer contar ao pai do meu filho, até ao momento em que comecei a considerar tê-lo. Contei, e eleenem sequer hesitou nas suas palavras, qdo proferiu que "vamos abortar". Nunca o perdoarei por isso.
    Chegámos a conversar, a debater o assunto, mas ele é demasiado egoista para se descentrar sobre si mesmo e pensar um pouco no que NOS estava a acontecer. Embora na prática deva antes dizer "no que ME estava a acontecer".
    Fui de férias com os meus pais, pois afinal eles nunca chegaram a saber. Achei por bem poupá-los a isto.
    Embora tenha ido contra a minha vontade, acabei por ir com eles. O que acabou por ajudar-me a pensar realmente no que eu queria para a minha vida, descentrando-me um pouco dos outros, e do impacto que teria sobre eles. Foquei-me em mim, e concluí que não podia ter este filho. Não estava preparada, não tinha estrutura familiar para ele, ia prejudicar esta fase final do meu curso e a minha vida futura e, claro, não iria ter qualquer apoio por parte do pai do meu filho. Decidi.
    Debrucei-me sobre os métodos de IVG, e optei pelo cirurgico, pois pareceu-me o mais eficaz e com menos complicações possíveis.
    Tomada a minha decisão, compareci na consulta que não durou mais do que 50 segundos. A mesma enfermeira qdo me viu perguntou "Então o que é que decidiu?", da mesma maneira leviana e redutora, à qual respondi que tinha optado pela cirúrgia. Perante isto mandou-me ir ter com a administrativa que me iria encaminhar para a Clínica dos Arcos.
    Claro está que saí da consulta estupefacta sem saber de nada. Quando entrei ia cheia de medo que ela me fizesse um "ultimato" acerca da toma dos comprimidos, e eu tivesse de tomá-los por falta de opção... não sei! Tantas coisas parvas passam na cabeça de uma pessoa, que nem é preciso referir a falta de sentido que há no seu conteúdo!
    Ok, a administrativa acabou por me explicar todo o procedimento e tirar-me algumas dúvidas. Afinal de contas era a pessoa que demonstrava maior sensibilidade e menor expressão de juizos de valor.
    A IVG ficou marcada para dia 12 de Agosto, na clínica dos arcos, pois este sector da MAC iria encerrar para férias. Foi mais uma semana terrível - enjoos, astenia, sonolência, e sobretudo labilidade emocional. Estava mesmo mal fisica e psicologicamente. Todo aquele tempo de espera não foi nada positivo, até porque a barriga começou a notar-se... e bem!
    Ao certo eu nem sabia de quantas semanas estava, pois a enfermeira apenas me disse que "de facto tem aí um saco".
    Na véspera da IVG foi talvez, se não o pior, foi sem duvida dos piores da minha vida. Entre vómitos e astenia, já nem tinha forças sequer para me levantar da cama. Foi horrível!
    Chegou o dia. Eu e as duas minhas amigas que mais me acompanharam foram comigo para a clínica, onde o inergume daquele que se intitularia de pai do meu filho - é um inutil, mas lá foi, não o impedi.
    Eu, bem... eu estava aterrorizada em todos os sentidos possíveis. Mas dentro do terrível que era toda esta situação, tive a "sorte" de ser encaminhada para a clínica. Pessoas 5 estrelas, que nos tratam de forma acolhedora, sensivel, e até mesmo terna. Há umas poucas consultas antes da cirurgia em si, mas acaba tudo por ser relativamente rápido.
    Esclareceram-me todas as duvidas que eu tinha antes da cirurgia, e sempre aliviou um pouco a tensão.
    Cheguei ao BO, pronta para a cirurgia. Tive de passar pelo constrangimento de dizer que sou estudante de enfermagem, qdo me questionaram em pleno BO, sob o olhar espantado dos enfermeiros e um comentário menos próprio. Mas nem vou malicioso.
    O propofol fez o seu trabalho, e quando acordei já estava. Tinha mtas dores, mas os analgésicos fizeram o seu efeito rapidamente. A dor passou a psicologica... essa sim, teimou em ficar! Expressei-me como pude, e chorei.
    A enfermeira do recobro foi impecável, e fez comigo realmente a relação empática e terapeutica especifica dos enfermeiros. Aquela sra sim, ajudou-me naquele momento e foi a pessoa mais significativa e importante naquele momento, naquela circunstância.
    IVG feita, consulta pós-IVG feita, e fomos embora. Tudo isto não durou mais do que uma manhã.
    Fui-me mantendo ocupada tanto quanto pude, mas a pouco e pouco o peso do que acabara de fazer foi-se apoderando de mim.
    Fisicamente eu estava praticamente bem. mas emocionalmente não, e foi dificil.
    Hoje, passaram-se apenas 5 dias desde que a cirurgia foi realizada. Tenho medo das complicações que possam surgir, e mesmo com algumas dores e sobretudo desconforto abdominal e genital, é suportável.
    Muitos são os pensamentos e emoções que me circundam, mas tento seguir o conselho da psicóloga, "agarrando-me" a irreversibilidade da questão, bem como aos argumentos que me ajudaram a tomar a decisão.
    Ainda assim é dificil, e noto mtas mudanças em mim e na minha forma de me relacionar com os outros. Espero que estes sentimentos acabem por desvanecer, embora tenha perfeita noção de que a minha vida mudou irremediavelmente.
    É muito bom ler estas opiniões de casos reais e testemunhos de pessoas que acabam por passar por situações, em parte, semelhantes. O aborto é um assunto ainda muito condenado, e obter apoio por parte de alguém que não o saiba compreender é praticamente impossivel.
    Por isso, obrigada MMB pelo teu post inicial, pois foi muito esclarecedor e disse muito mais do que aquilo que escreveste.

    P.s. Eli como correu tudo? Como estás?

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: SDT, cm, ANFG, Ana P

    • CIB
    • 4 September 2010
     # 7

    Olá, eu também sou uma Estudante de Enfermagem e também vou fazer uma IVG para a próxima semana. Considero-me uma pessoa responsável, adulta e ponderada, mas nada pode descrever o que tenho passado desde o inicio do mês de Agosto. Desde que iniciei a minha vida sexual que tomo a pilula sem interrupções ou descansos, e por isso estive sempre tranquila em ter relações sexuais sem preservativo. Nunca tomei a pilula do dia seguinte e muito menos pensaria em realizar uma IVG. Em Junho e em pleno estágio, cheia de stress e com as minha manias de aguentar xixi contraí uma infecção urinária. Como sou bastante activa e também e faço um part-time para ajudar nas despesas em casa, pois já vivo com o meu parceiro decidi ir a uma urgência na CUF Descobertas e pedi um antibiótico para resolver a questão. Entre trabalhos e relatórios nem me passou pela cabeça que um antibiótico inibe a pilula por isso manteve-se tudo na mesma. Acabei o estágio no fim de julho e na primeira semana de Agosto fui de férias e aqui começou o meu tormento, comecei a ter perda de apetite, sonolência e todos os cheiros me incomodavam mas não liguei, pensei "Foi de andar de avião, a viagem foi atribulada, mudei de ares e ainda não recuperei!". Por duas semanas aguentei os sintomas, regressei e já no fim da terceira semana decidi ir ao médico, a uma urgência no centro de saúde. Quando entrei na gabinete do médico e expliquei os meus sintomas explicou sem olhar para mim que eu estava com uma crise de vesicula, diagnóstico com o qual não concordei, mas aceitei a receita, passei pela farmácia e comecei a tomar o medicamento para a minha crise, mas os sintomas pioraram, comecei a vomitar por isso fui novamente ao centro de saúde e para sorte minha estava lá a minha médica de familia que suspeitou que seria gravidez, passando-me de imediato o teste sanguineo. Comecei a ficar assustada, realmente agora recordava-me que ainda não me tinha vindo o período este mês por isso fui novamente à farmácia e comprei um teste! Em menos de 30 segundos o resultado foi positivo, caiu-me o mundo aos pés. Falei com o meu companheiro e ambos concordámos que o melhor seria uma IVG pois neste momento não temos condições para ter um filho. Sempre desejei ser mãe mas não desta forma, não tenho o meu curso terminado, não tenho trabalho fixo, não tenho dinheiro suficiente para dar tudo aquilo que uma mãe deseja poder dar a um filho e isso seria um grande sofrimento para nós enquanto casal, nós não concordamos com o "aconteceu, vamos ter o bebé e viver um dia de cada vez" por isso no dia seguinte fiz o teste sanguineo de gravidez obtendo a confirmação da gravidez no mesmo dia e fui de imediato ao meu centro de saúde. Por sorte encontrei a minha médica de familia e expliquei-lhe que não poderia ter este filho, embora seja objectora de consciência foi espectacular comigo e explicou-me o que fazer e deu-me o seu total apoio pela minha decisão dizendo-me algo que nunca esquecerei "não deixes que te julguem por fazeres uma IVG pois ninguém tem o direito de te julgar..." assim fui ter com a enfermeira do centro de saúde que encaminhou os meus dados para a Clinica dos Arcos e naquele mesmo dia fui contactada. Marcaram-me consulta para o dia seguinte e lá fui eu cheia de medo e vergonha! Pedi ao meu namorado para ir sozinha pois como era apenas a consulta pré-IVG onde fazem a ecografia e as análises sanguineas e ele tinha de faltar ao trabalho não havia problema de eu ir sozinha. Quando cheguei à clinica e apresentei os meu documentos encaminharam-me para a sala de espera, e foi ali que tive o primeiro contacto com outras mulheres que estavam para o mesmo, todas de cabeça baixa, silenciosas umas acompanhadas pelas amigas outras sozinhas outras acompanhadas pelos namorados mas todas com algo em comum, a realização de uma IVG. Fui muito bem atendida, por médicos, enfermeiros e analistas e tenho a minha IVG marcada para esta semana, será feita por aspiração com anestesia geral, não vi a minha ecografia nem sequer a impressão da mesma (algo que considero humano pois realizar a IVG é de si só uma decisão muito pesada e dificil mostrarem-me a eco seria cruel). Estou nervosa, assustada e acima de tudo infeliz por tomar esta decisão mas sei que um dia mais tarde serei mãe, quando estiver preparada, quando tiver uma situação de vida estável e sei que nunca esquecerei este momento, esta decisão e que compreendo todos os relatos que aqui estão. Tive sorte, fui bem atendida pelos profissionais de saúde, não fui julgada e tenho apoio incondicional do meu namorado e isso ajudou-me muito nestes dias, mas não retira o peso da responsabilidade de tomar esta decisão e a sensação de culpa e pesar que sinto!

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    • am
    • 19 September 2010
     # 8

    olá a todas as mulheres aqui presentes.
    Também sou estudante, a acabar um curso. Descobri ontem que estou grávida, sei que a melhor solução será recorrer à ivg, pois tal como a MSA87, o pai não era nem é meu namorado, a resposta dele quando lhe disse foi logo fazer o aborto, e a minha família...a minha família nem pode sonhar que estou grávida...
    Estou muito assustada com isto tudo, e praticamente estou por minha conta. O pai diz para eu tratar disso, para ir à consulta e para o informar, a única amiga a quem contei, acha que faço mal em querer tira-lo, que posso mesmo ficar sem poder voltar a ter filhos depois. Em termos psicológicos já estou a sofrer, mas é o melhor a ser feito. Estou mesmo decidida embora não saiba muito bem o que tenho de fazer.
    Quero agradecer a oportunidade de ter um sitio onde posso falar sobre isto, e foi muito importante para mim conhecer outras situações destas.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Juliana B, luisa andreia

    • suh
    • 27 September 2010
     # 9

    oii..tambem fiz uma IVG recentemente e sinceramente nunca pensei que me fosse custar tanto psicologicamente..ainda por cima estou a passar por isto sozinha..tenho uma vontade enorme de desabafar com a minha mae ou com uma amiga proxima mas por outro lado falta me coragem para contar. E tao dificil passar por isto..Nao me sai da cabeca a segunda ecografia, de ver o embriao.Depois daquilo so me apetecia ir para casa e continuar com a gravidez mas infelizmente nao podia mesmo fazer isso. Ha dias que me arrependo do que fiz e outros que acho que nao tinha mesmo outra solucao. E normal passar por isto e sentir me assim tao mal com o que fiz mesmo sabendo que nao tinha outra solucao?
    se alguem ja passou por isto agradecia que me ajudasse a perceber
    obrigada

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  6.  # 10

    Olá Suh...

    Compreendo infelizmente por experiência própria o que estás a sentir! Tenho momentos em que o arrependimento vem... até que eu própria consiga controlar e racionalizr a situação, percebendo e reconhecendo as razões que me levaram a optar pela realização da IVG.
    Contudo, são essencialmente os meus amigos que me têm ajudado, não direi a superar pois esse "estatuto" ainda não consegui, mas sim a lidar com toda esta situação e com todo o turbilhão de emoções em que por vezes estou mergulhada. Depreendo então que não tenhas contado isso a ninguém... se quiseres acho que como alguém que tem conhecimento de causa, gostava de t poder ajudar de alguma forma...!

    • am
    • 11 October 2010
     # 11

    olá suh
    Acredito que todas as mulheres que recorrem à IVG se sintam assim. apesar de termos a certeza que é esta a melhor solução,depois fica sempre a duvida.
    também estou a passar pelo mesmo, e ainda não acabou o processo, fiz na 4ª passada mas acho que algo está errado, a minha colega perdeu o feto e coagulos grandes de sangue logo lá no hospital e eu nem sei se o feto já me saiu,e tenho sangrado pouquinho. tenho a ultima consulta dia 21 mas tenho medo que algo esteja mesmo errado. já basta o que estou a passar psicologicamente, não quero ficar com sequelas físicas.
    Muita gente não compreende o porquê desta decisão que tomamos, talvez por não estarem a passar pelo que estamos a passar,por isso não nos podem ajudar muito.só quem passou e passa por isto é que sabe. as poucas amigas minhas que sabem, não posso falar abertamente sobre o que estou a passar porque não aceitaram a minha decisão,só pude contar com o apoio de 2 raparigas que também iam fazer e assim pudemos se apoiar umas às outras.
    outra coisa que não ajuda muito é mesmo a nossa família não saber,no meu caso,e não maioria não podem mesmo saber, assim o peso torna-se mais pesado para o nosso lado, ter de fingir que estou bem quando não estou,fingir que nada aconteceu.
    Acho que fugi um pouco ao assunto mas acho que nós que passamos por isto temos sempre aquela necessidade de desabafar,e esta é uma das poucas oportunidades que algumas pessoas tem. mas voltando ao teu assunto,suh,acho que é normal sentires te assim,mal,eu tenho dias que chego a pensar que foi por cobardia que o fiz,embora tenha a certeza que era isto que tinha de ser feito.e suh,tudo o que possa ajudar,nem que seja a ouvir um desabafo,podes contar comigo,sei o quanto necessitamos de alguém,que nos compreenda,do nosso lado.
    Deseijo muita força a todas as mulheres que passam por isto,tal como quero ter essa força para ficar bem.

  7.  # 12

    Boa noite,

    Antes de mais os meus parabéns a todas pela coragem de comunicarem abertamente um assunto tão delicado como é o aborto.
    Tenho 23 anos e sou estudante de psicologia. Este ano, no âmbito da realização da tese de mestrado decidi investigar o tema [“Maternidade Interrompida”: Aspectos Emocionais, Ansiedade, Depressão e Luto face à Interrupção Espontânea, Médica e Voluntária do processo gravídico].

    Tenho feito leitura sobre a temática e agora, nesta fase mais avançada consigo ver este tema de uma outra forma, com maior compreensão.

    Portugal não está preparado para lidar com o aborto seja ele de que tipo for, isto porque está intimamente relacionado com as questões da morte e por isso é um tema tabu.
    No aborto espontâneo, os familiares quase nunca reconhecem a perda e o sofrimento desses pais porque eles de facto sentem a perda de um filho, assim como as mulheres/ companheiros de alguém que efectua uma IVG. Só que a IVG é vista como se a decisão fosse fácil, mas não é... sei que existe a culpa, o sentimento de perda de um filho, a sensação de desprezo e incompreensão por parte dos outros (incluindo profissionais de saude o que não deveria suceder nunca), é preciso passar também por um processo de luto para que se consiga ultrapassar este acontecimento de dor...

    Por isso que decidi deixar aqui este comentário, para vos dizer que, apesar de nunca ter passado por isso, compreendo a vossa posição e vossa falta de apoio e é com o meu trabalho que pretendo mudar um pouco isso. esta questão tem e deve ser explorada para que no futuro as pessoas saibam a melhor forma de lidar com a situação, isto se me deixarem investigar porque já vi um pedido meu de colaboração ser recusado no ambito hospitalar. Mas se conseguir fazê-lo, um dia postarei aqui os meus resultados para que toda a gente tenha acesso.

    Muita força

    Cumprimentos,
    Adriana Braga

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    • MOS
    • 20 January 2011
     # 13

    Ola a todas presentes.. quero, desde ja felicitar a todas pela coragem e determinação como falam abertamente sobre um assunto tao delicado!

    Infelizmente para a semana vo fazer uma IVG e desde que tomei consciencia do que vo fazer esta a ser muito dificil aceitar tal decisao.

    Sinto me impotente, frustrada e angustiada quando penso nisto, principal peso que esta a ter na minha consciencia, sentir que estou a retirar uma vida de um ser que nao teve a culpa da minha irresponsabilidade,tal como todas voces se sentem.

    Sempre fui uma pessoa que nao sabe lidar muito bem com os erros que cometo e com as dificuldades que me surjam, apesar de me considerar mesmo muito pessimista era uma pessoa feliz e que lutava pelos seus objectivos pela sua propria mao talvez seja assim pela educação e os valores que os meus lindos pais me ensinaram, fazem tudo para que eu esteja bem e para que nada me falte sempre preocupados com o meu bem estar, nem imagino sequer como iriam reagir se eu lhe dissesse que estava gravida de um rapaz negro.

    Nunca tive nenhuma relação seria com ninguém, das poucas relações passageiras que tive comecei a tomar a pílula mas como tinha relações sexuais muito esporadicamente interrompia sempre a toma, chegando a tomar a pilula do dia seguinte uma vez pensando agora começar de vez (ja fui tarde).

    Conheci o meu namorado a cerca de 3 meses namoramos a apenas 2 meses e, notando o atraso do período cerca de 17 dias disse lhe e fomos a farmácia comprar um teste.. em menos de 5 segundos notei logo as duas riscas vermelhas bem nítidas..sem reacção estivemos cerca de 1 hora sem trocarmos uma única palavra. Pelo tempo que estou parece me que foi das primeiras vezes que estivemos juntos que engravidei, so uma das vezes não usamos protecção e praticamos o coito interrompido tal não foi a inconsciência e irresponsabilidade que não me ocorreu ir tomar a pilula do dia seguinte :crying:

    Agora so me resta ter de levar com as consequências e este peso na consciência para o resto da vida, felizmente não estou sozinha falei logo com 2 amigas minhas, uma que ja fez uma IVG e me deu indicações para ir a clínica dos arcos e outra que podia ajudar me monetariamente, visto que tinha de decidir rapidamente o que fazer e nem eu nem o meu namorado não conseguiríamos arranjar uma quantia relativamente grande tao rapidamente, visto que somos estudantes.

    Mais uma coisa que temia era o meu namorado não me apoiar visto que nos conhecemos a bastante pouco tempo mas felizmente tem me dado um apoio incondicional tal como as minhas amigas. Ja fui a consulta previa e fiquei surpreendida com a quantidade de mulheres e meninas que estavam la para o mesmo, umas com as amigas outras com os respectivos companheiros e outras com senhoras mais velhas calculei que fossem mães :impatient: , nao tenho razoes de queixa da maneira como fui tratada muito pelo o contrario. O mais doloroso foi mesmo ver a ecografia nao me mostraram mas vi no papel algo ja formado, o nervosismo e a ansiedade era tal que não conseguia perguntar as duvidas que tinha e muito menos escrever.

    Agora é só esperar por quarta feira pela intervenção cirúrgica, espero que isto passe depressa o que vai ser dificil pois os danos morais sao visiveis. Se alguem tiver algum remedio para a consciencia agradeço que me recomendem:crying:

    Agradeço a todas os vossos testemunhos dos quais senti que não era a unica a passar por esta dolorosa fase, espero que passe mesmo por ser "fase". Felicidades para todas e tenho a certeza que irão ser excelentes maes para quem ainda não é.

    Cumprimentos,
    MOS

    • nbg
    • 5 February 2011
     # 14

    Ola a todas...
    como voces tambem passei pelos mesmo a pouco tempo... Quando dei pelo atraso fiz o teste e estava gravida... decidi entao ir a um hospital publico para fazer uma ivg... mas sinceramente arrependo-me, não de o ter feito, porque não tinha as condições necessarias mas de ter recorrido a um publico... não tem a minima consideração e pensam que o fazemos so porque queremos... o aborto esta legal e os profissionais tem de fazer o seu trabalhjo... nunca me senti tao mal, ate colocaram a foto da ecografia na mesa, e claro que vi tudo... se não concordam tudo bem mas ali estao na profissão deles, depois ainda tive de fazer uma raspagem e foi horrivel chegar ao hospital e dizer fiz uma ivg e estou cheia de dores, simplesmente não ligam... ja ouvi falar mt bem da clinica dos arcos e estou arrependida de nao ter ido la... hoje estou bem, acho eu mas tenho receio de alguma coisa ter corrido mal e não conseguir ter mais filhos, queria muito ser mae, e tenh medo que agora não consiga:( tenh pensado em tanta coisa.... beihjos para todas e força:crying:

  8.  # 15

    Boa tarde,
    Antes de mais queria agradecer todos os comentarios, este foi o 1º site em que realmente se percebe o que acontece qdo se faz uma ivg..
    é dificil de acreditar q ainda sejamos discriminadas pela nossa opçao por pessoas que deveriam estar ao nosso lado... mas enfim...
    a decisao ja e bem dificil n é necessario sofrermos ainda mais
    eu soube que estava gravida de quase 3 semanas , e nao sei o que fazer
    neste momento por mais que me custe nao posso ter um filho, nao foi por falta de cuidado que engravidei mas agora não posso mudar
    ainda nao fui a nenhuma consulta pois soube ontem a noite que estava gravida, fiz 2 testes, e ao fds parece que o pais fecha
    pelo que li um aborto cirurgico é muito menos complicado do q o outro mas nao sei bem como fazer as coisas
    parece que tudo é feito para q passem semanas e semanas
    li neste forum que a clinica dos arcoss presta uma boa assistencia..
    se me puderem dar mais informaçoes agradecia muito
    por ser uma clinica pago alguma coisa? tem acordo com algum sistema de saude?
    a marcaçao da consulta é rapida?
    agradeço qualquer informçao que me possam dar obrigada a todas que compartilharam a sua historia e muita força para qm ainda está a espera da 2ª consulta

    FM

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    • JFS
    • 20 February 2011
     # 16

    Olá!!!
    Pois é....o tratamento que nos dão num Hospital é totalmente diferente do que nos dão numa clínica privada!
    Tive que percorrer 300km para poder ir á Clínica dos Arcos pq me senti muito mal tratada no Hospital por querer fazer a IVG!
    Não sei pq existiram as eleições para a legalização da IVG visto que os Hospitais públicos não estão preparados para tratar bem as pessoas que tomam esse tipo de decisões!!!!
    Também me disseram assim no Hospital : 'Ahhh a menina vai fazer uma IVG??? são estas fichas amarelas que só podem ser atendidas quando houver vaga'
    Recusei-me a fazer a Interrupção por método medicamentoso...penso que é bem mais prejudicial á saúde do que o método cirúrgico!
    Ainda me dói....dói o coração por ter feito essa escolha mas não tive alternativa!
    Trabalho, este ano quero entrar na faculdade...e vivo apenas com a minha mãe!
    Sei que ela me apoiaria em tudo o que eu precisasse..mas e o resto da família? ia ser julgada ...principalmente por só namorar apenas há um ano!
    Ele não queria que eu fizesse...queria ser pai! Mas ele ainda estuda e tem sonhos ..vai tendo uns trabalhos mas nada de certo para conseguir manter uma criança com todos os cuidados necessários!
    O meu namorado ficou chateado comigo por eu não ter ligado ás necessidades e 'quereres' dele! Acho que ainda sofre mais que eu no meio de tudo isto e de vez em quando põe a mão na minha barriga e enche-me de beijos!!!
    Compreendo e aceito a parte dele...mas ele também compreende a minha parte (espero eu)!
    Descobri quando estava com 5 semanas, e resolvi fazer a intervenção passado 2 semanas!
    Estamos num país que não nos apoia quer numa IVG, quer numa gravidez em que precisemos de apoio financeiro e psicológico!

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  9.  # 17

    Olá!
    Obrigada pela tua historia,apesar de ser um pouco mais velha os motivos medos e sonhos sao mto parecidos
    tambem estou a pensar ir a clinica dos arcos, por todas as historias parece me o unico sitio em que tratam uma mulher com respeito e não a julgam sem saber o que se passa
    sera que as pessoas acham que umaa mulher faz uma ivg por gosto? ou como meio anti conceptivo? é o ultimo recurso e mesmo depois da decisao tomada nao deixa de ser menos doloroso
    Consegues dizer me se foi necessario pagar alguma coisa? tenho de 1º ir ao hospital de residencia ou posso ir directamente falar com eles?
    o hospital do sams em lx tb faz mas sao quase 500€...
    Desde ja agradeço todas as respostas
    FM

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  10.  # 18

    Olá Fmelo!

    Sei k já passaram uns dias desde as tuas questões... na clínica dos arcos o valor da ivg tb ronda os 500€, mas sem dúvida que o atendimento lá é incomparável com aquele que temos na MAC.
    Felizmente a minha ivg (cirurgica) foi feita nos Arcos enquanto protocolo da MAC e não paguei nada, mas realmente o custo é assustador. Se precisares de mais informações em que te possa ajudar, não hesites!
    Espero que corra tudo pelo melhor possível...!

  11.  # 19

    Boa noite... eu fiz uma IVG na sexta feira passada na clínica dos arcos através do protocolo com a Estefânia.

    A IVG foi cirurgica dado já o avançado da gravidez, porque eu esperei muito, pensei muito... tentei por tudo não a fazer...

    Na Clínica trataram-me muito bem e foram carinhosos. Principalmente porque eu estava num estado lastimoso. Vou hoje ao médico falar com ele e sei que lhe vou dar um desgosto... mas preciso de sentir que estou bem fisicamente e que tudo vai voltar ao normal.

    Eu não posso usar praticamente nenhum contraceptivo a não ser o preservativo porque tenho um Mioma. Naquela noite tivemos uma distração que dei logo na hora. Tomei a pílula do dia seguinte... e não fez efeito!

    Tenho 36 anos.... Sei que vão ficar chocadas com a minha idade mas é a verdade. Fiquei encurralada. Fiz a IVG no último dia do prazo, porque até estar na marquesa ainda pensei em desistir. Eles chegaram a perguntar-me isso, porque o meu racional estava ali a dizer tem de ser, mas o emocional dizia-lhes não me façam isto.

    A minha história é em quase tudo semelhante à da MSA87... revi-me em muitos momentos...

    Estou num sofrimento horroroso e acho que nunca mais vou ficar bem...Inicialmente ponderei tê-lo mesmo a sério, estava mesmo decidida, mas o pai fez-me chantagem psicológica a tal ponto que em entrei em colapso. Fiquei isolada num processo altamente cruel.
    Ele foi de uma crueldade comigo incessante...Cheguei a ter várias perdas de sangue por causa das discussões que houveram... Ouvi coisas horríveis, tudo porque eu não queria abortar. Como compreendem tenho o sonho de ter um filho. Não estava a pensar nisto agora, nem muito menos quis alguma vez ter um filho com este homem. Mas aconteceu...

    Negou-se a dar qualquer opoio, nem mesmo o iria conhecer nem ver nunca. Fiquei sózinha. Numa altura da minha vida em que estou sem receber ordenado, sou recibos verdes, sem direito a nada nem apoios do estado para a maternidade... Sou profissional liberal...

    Comecei então a ter de ponderar a hipótese contra tudo o que eu sentia e pensava. Fiquei num beco sem saída. Aconteceu sexta feira e estou de rastos com uma dor imensa que jamais se apagará da minha alma... Queria tanto ser mãe um dia.... A gravidez não foi planeada, tomei a pilula do dia seguinte e não funcionou. Eu não tinha qualquer relacionamento com ele, apenas ocasional para sexo.

    Nunca mais vou ser a mesma isso eu sei. Morreu uma parte de mim naquele dia... Vivo o dia a dia em sofrimento e angústia...Nem imaginam a quantidade de gente a fazer. Fiquei impressionada! Não parei de chorar desde que entrei até que saí. E choro todos os dias...

    Tenho andado a ver foruns, mas este foi o que me revi e me ajudou mais. Estou com acompanhamento psicológico e tenho tido muita ajuda de uma prima e de uma amiga e dos meus tios que me acompanharam...

    O futuro não se revelava fácil se seguisse com esta gravidez. Ia ser muito complicado e eu não tinha muitas ajudas. Nem sequer tenho mãe. Ele não me daria nada e eu nem sequer sei como nos ia sustentar aos dois. ...Ainda por cima grávida e à procura de emprego ia ser complicado. Fiz as contas todas até das fraldas... e pensei muito muito muito. Mas depois cheguei à conclusão que não havia caminhos perfeitos nem bons. Ter este filho ia ser para mim complicado e pensei mesmo que poderia mais tarde reflectir nele todas as frustrações e marcas deste começo já de si tão mau. Esta criança já viria ao mundo com uma carga enorme negativa. Sei lá se não viria a ter mais tarde uma depressão. E pelo amostra que tive com o pai do meu filho acho que a minha vida nunca mais ia ter sossego e paz. Que tipo de Mãe seria eu? Depois também pensei que estava a usar esta gravidez como uma bóia de salvação para os meus problemas afectivos. Isto é, o estar já com 36 anos e achar que era a última oportunidade da miha vida, o achar que nunca vou encontrar alguém para partilhar uma relação comigo e sim ter um filho num seio de amor... Isto porque estou sempre a achar que não vou arranjar namorado...

    Se calhar, esta IVG veio mostrar-me muitas outras coisas, como ser mais positiva em relação à minha vida afectiva, gostar mais de mim e acreditar que a vida tem coisas melhores ainda reservadas para mim. Eu ia ter este filho como se fosse a última hipótese de ter um. E a que preço?

    Quando fiz este raciocínio percebi também que estava a querer ter este filho se calhar pelas razões erradas... porque se não tivesse engravidado, não estaria sequer nos meus planos para já. Estaria a viver a minha vida normalmente à espera de encontrar um pai certo para isso.

    A pouca família que soube e que me acompanhou achou que esta fora a decisão correcta...
    Eu sei que ponderei tudo ao mínimo detalhe. Sei que não tomei a decisão levianamente. Mas ficou em mim uma marca tão profunda que às vezes já pensei em me matar... Depois tento fazer o raciocínio que me levou a tomar esta decisão. E a ser pragmática.

    Há muitas mais mulheres que o fazem do que possamos pensar. Disso tive a prova. São dezenas ou mesmo centenas todos os dias.

    Se me vou perdoar não sei... acho que vai ser díficil, mas tenho de o fazer um dia ou pelo menos tentar seguir em frente com a minha vida à procura de um dia poder finalmente ter um filho nos braços e de um homem melhor.

    É tudo muito fácil de falar antes, mas quando se está na situação as coisas são bem mais complicadas. E a realidade abate-se esmagadora sobre nós.

    Espero que a vida me perdoe, porque foi uma injustiça brutal este episódio, eu que ainda por cima passo a vida a ajudar os outros... não merecia ter sido posta nesta situação.

    Por agora não vivo... sobrevivo. Amanhã espero recuperar a alegria de viver.

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    • isa
    • 15 March 2011
     # 20

    Tuareg

    Vou transmitir-lhe isto a si porque o último testemunho foi seu mas é para todas as mulheres que aqui têm tido a coragem de se "expor". :)

    Teve uma atitude muito, muito sensata.

    Pare de se martirizar e de sobreviver porque merece viver. Cada uma destas mulheres, tenham a idade que tiverem, se optam por este caminho é porque o mesmo é o mais correto.

    Já aqui deixei o meu comentário (como Isabel ) e não me querendo repetir, não necessitei de fazer uma IVG mas poderia estar agora aqui a testemunhar também.
    Mantenho exatamente tudo aquilo que escrevi para a MMB.

    Por isso, Tuareg, não se "castigue" por ter tomado uma decisão pensada e nada egoísta.
    Faça as pazes consigo mesma e seja feliz.

    A nossa sociedade está vocacionada para dizer mal e para falsos moralismos mas não para perceber as decisões que se tomam e se são fáceis para quem as toma...
    É uma treta sabe?
    Já chega de tanto tabu... Porquê "condenar" por tomarem as decisões acertadas?
    Tanta mulher que seria "poupada" a "aproveitadores", a "carniceiros" mas enfim...

    Parabéns pela sua coragem, pela sua postura por mais dolorosa que tenha sido e esteja a ser.

    Siga em frente e lembre-se que a felicidade somos nós que a fazemos. Todos os dias.:grin:

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  12.  # 21

    Penso que após o nosso tempo de luto da IVG que realizámos, qualquer uma de nós acaba por chegar à conclusão de que aquilo que os nossos amigos, familiares, psicólogos, etc, nos disseram estava certo, e que tomámos a decisão acertada de acordo com a nossa vida naquele preciso momento e a pensar num futuro próximo. Contudo, há sentimentos que permanecem e não conseguimos racionalizar por mais que tentemos!
    Quanto a mim, se eu não tivesse abortado o meu filho seria agora recém-nascido - teria sido possível! Apelando à racionalidade e ao pragmatismo é mais ou menos fácil compreender que, embora de facto existisse a possibilidade de ter tido este filho as minhas razões para não ter superaram, naquele momento de crise, as razões emocionais que de certa forma me fizeram vincular àquele que teria sido um bebé. Não foi por falta de reflexão, não foi leviano, foi incrivelmente dificil a decisão que tomei pelas mais variadas razões que já apresentei anteriormente neste forum.
    No entanto, por mais que nos lembrem da racionalidade inerente a todo este doloroso processo penso que existe inevitavelmente um sentimento que nunca vai desaparecer: o de egoísmo! Muitas vezes falei sobre ele, até mesmo com a psicóloga que me tentou fazer ver que não se tratou de egoísmo, mas sim de uma decisão que teve em conta o meu padrão de maternidade, e tudo o que nela está incluso - situação pessoal, familiar, afectiva, financeira, social, etc, etc, etc! Concordo, mas nada disso tirou este peso de cima.
    Afinal de contas, teria sido possível! Eu é que não quis...! Quis acabar o curso, que consegui, e organizar-me mentalmente destes 4 anos muito intensos, que deixaram sequelas de cansaço!
    Por isso, não me quis submeter a mim e a ele a uma condição que apriori eu não podia antecipar e ver como iria resultar uma gravidez não planeada e, de certa forma, indesejada, fruto de uma relação vazia... que tipo de mãe seria eu? Que vida daria eu ao meu filho? O peso da culpa e a dor permanecem, mas o tempo tem ajudado e muito!
    Hoje, sou enfermeira e procuro com muita dificuldade o meu primeiro emprego. O meu filho teria nascido este mês, e não há um único dia em que não pense em tudo isto. Se o tivesse tido não sei como estariamos neste preciso momento mas, embora sem duvida nenhuma que efectivamente ia gostar dele incondicionalmente, penso que não seria feliz.
    Se sou feliz agora? Não consigo ainda responder, mas estou perto! A dor e a culpa são um preço a pagar para alcançar uma felicidade a médio ou a longo prazo, e acredito que a vou voltar realmente sentir! O tempo vai certamente ajudar.

    Tuareg, já ter ou ainda ter 36 anos é uma questão de pontos de vista! Neste momento tem de, como também lhe disseram, 'agarrar-se' às razões que a motivaram e viver um dia de cada vez, planeando o que lhe for possível e mais favorável à sua vida! O tempo e os seus entes querido vão ajudar a superar tudo isto, a pouco e pouco. O luto é normal e positivo desde que no tempo certo como está a ter. Acredite que um dia irá acordar e perceber que a felicidade está próxima e a bater a sua porta! Força!

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Tuareg

  13.  # 22

    ola a todas, eu tambem fiz uma ivg de quinta para sexta e estou um pouco assustada, tenho 29 anos e, sim estou arrependida e nao me sinto la muito bem psicologicamente, mas no fundo sei que foi a melhor opçao (?) enfim.. o meu problema é que eu fui ao centro de saude, e pedi a ivg, o medico era porreiro, e receitou-me 4 cytotec vaginais e 2 orais, para fazer em casa, e assim fiz, passei um bocado mal de madrugada, e la saiu algum sangue,ha, mas eu nao fiz qualquer ecografia, o meu periodo é super irregular e eu nem sabia de quanto tempo estava, senti-me mal fiz um teste da farmacia e deu positivo e fui logo ao c. de saude, bem ja com o medico ele so me apalpou a barriga e disse que o utero estava pequeno,portanto deduzo eu assim de repente que seria prai um mes, eu tava assim em estado de choque.. pois, tomei os comprimidos e tal, nao saiu assim muito sangue e dores suportaveis. isto foi sexta de madrugada(de quinta para sexta), sexta durante o dia tive mais ou menos,eu trabalho sabado e domingo, nao tava boa para trabalhar, fui as urgencias sabado para ter justificaçao, e o medico das urgencias foi horrivel comigo, muito mau so a dizer porque é que tinha feito em casa e que era perigoso.. sai de la a chorar pk eu so fiz tudo o que o outro medico mandou e tem fama de ser bom. sinto-me mal com isto tudo e amanha vou de novo a uma consulta (dos sem medico) e vou perguntar tudo. mas eu gostava de saber atraces da experiencia de voces como foi, é que eu fiz o aborto ha 4 dias sendo assim, e hoje deito sangue ainda (nao penso que seja assim muito pk um penso dos grandes dura o dia) sai sangue com pedacinhos viscosos, e tenho é as vezes colicas fortes, digam-me por favor isto é normal? é que tou cheia de medo. obrigada :(

    • SDT
    • 22 March 2011
     # 23

    Fiz uma ivg em Dez. 2010. Acho que passei a viver em agonia desde esse dia. Na minha cabeça tinha todas as razões e mais algumas para o fazer. Quando soube da gravidez a 1ª coisa que me passou pela cabeça foi ter o bébé, mas quando dei a noticia ao futuro pai....tudo ruiu
    Tenho 33 anos e até aquele momento sentia-me uma pessoa feliz.
    Desde então sinto-me tão vazia...tão infeliz... tão mal
    Foi a maior e a pior decisão da minha vida, penso naquele bébé a quem tirei a vida todos os dias, quando me deito, quando acordo. Sem dúvida que fui muito pressionada, mas a escolha final foi minha, uma escolha muito dura e desumana. Estive até á última da hora a pensar que não havia solução e que era a única forma de voltar a ter paz e sossego. Estava tão enganada! Fui uma egoista.
    Na clinica dos Arcos todos me trataram muito bem só tenho bem a dizer eu é que me sentia a mulher mais infeliz do mundo. Eu queria ter aquele bébé eu já o sentia muito meu, foi uma decisão tão dificil ainda hoje não sei como tive coragem. Quando desci para o bloco com 1 grupo de mais 3 raparigas,tomei plena consciência que já faltava muito pouco,que ainda podia voltar atráz,mas pensava nas consequências....Ele acompanhou-me até ao fim disse-me que tb lhe estava a custar muito, mas era a melhor solução para todos. Quando entrei para o bloco só ouvia o barulho dos aspiradores ainda hoje sonho com isso, é horrivel, pedi perdão ao meu bébé vezes sem conta. Quando entrei para o bloco e me deitei na marquesa pensei...é melhor assim daqui a pouco vai acabar tudo. Queria ser anestesiada rapidamente e sair dali. Acordei a chorar,não conseguia parar parecia que estava louca,estive no recobro 15m e pedi para me ir embora porque já não aguentava mais aquele ambiente. Ele estava á minha espera e eu assim que o vi fartei-me de chorar. Quando me deixou em casa senti-me mais calma e tentei dormir. Fisicamente não deixou sequelas, não podia ter corrido melhor, nunca tive dores, nem hemorragias, tudo normal como se fosse o periodo. Sempre fui uma pessoa cuidadosa tomava a pilula e como tinha estado a tomar antibiótico, tive o cuidado de a seguir á nossa noite louca, ir comprar a pilula do dia seguinte. Foi o mesmo que não ter tomado! Costumo pensar que depois de tantos cuidados se fiquei grávida é mesmo porque tinha de ser! Penso nisto todos os dias. Tento viver um dia de cada vez. Tenho uma filha linda e muito querida com 8 anos, ela foi a melhor coisa que me aconteceu na vida. Tb não foi planeada mas depois foi muito desejada e é a alegria de todos. Sempre me considerei uma pessoa de sorte e feliz, mas depois disto a minha cabeça nunca mais foi a mesma. Peço a Deus que me perdoe, mas naquela altura tb me parecia ser a única solução. Estou muito arrependida mas não posso voltar para tráz. Compreendo todas muito bem, ninguém toma uma decisão destas de ânimo leve, é muito duro. Ainda bem que encontrei pessoas com quem posso partilhar. Desde que li as vossas histórias percebi que não estou sozinha e que é normal o arrependimento,faz parte do processo... Eu sei que tenho de me perdoar só dessa forma vou conseguir ter paz, tenho saudades de ser feliz. Aprendi várias lições. Desejo a todas tudo o que há-de melhor. Foi bom desabafar. Quem ler esta história e estiver indecisa o conselho que dou é k pense e repense,pondere ,não seja precipitada. É algo que nunca mais se deseja repetir. É uma violência em todos os sentidos. A verdade é que achei ser a melhor solução. Bjs a todas e desculpem o meu testamento.

    • VFJP
    • 22 March 2011
     # 24

    Boa noite
    Antes de mais Gostava de vos felicitar pela coragem que tiveram .. Hoje ninguem vos pode nem deve vos descriminar , pois sao mulheres com M grande!
    o meu caso é diferente do vosso , eu tenho 20 anos , e descobri apenas em fevereiro que estava gravida .. estava tudo bem , o meu namorado com quem tenho uma relaçao estavel de 4 anos ficou felicissimo , a minha familia e a dele que se dao muito bem estavam ambas felizes . ate que fiz uma ecografia apenas agora em Março. e Descobri que o meu bebe tem Malformaçoes no coraçao e no cerebro .. estou de rastos porque a unica solução é fazer uma IVG , que esta ja marcada para esta Quinta-feira.
    eu nao sei sinceramente o que pensar .. estou de rastos .. e o pior ainda esta para vir.
    Ao ler os vossos comentarios , apercebo.me de quanto fortes nos a mulheres somos , de que por muito que custe conseguimos sempre ultrapassar tudo o que seja dificil. mas eu nao sei sinceramente como ultrapassar isto. Sei que esta é a melhor soluçao para mim e para o bebe . so tenho medo que existam algumas complicaçoes e que futuramente nao possa ter filhos. ainda nao sei como ira ser a minha IVG , mas calculo que cirurgica pois ja estou de quase 18 semanas.
    enfim , neste momento ninguem me pode ajudar , mas lendo os vossos testemunhos pelo menos sei que é um dor grande , mas que sendo forte a conseguirei ultrapassar.
    Parabens a todas voces , e a todas nos , mulheres ! que somos o ser vivo mais forte que existe *

    • SDT
    • 22 March 2011
     # 25

    Olá VFJP, imagino o quanto está a ser doloroso para ti...não há palavras...
    Tenho muita pena e desejo de todo o coração que consigas ultrapassar toda esta situação, que é sem dúvida muito complicada e penosa.
    Muita força e muita coragem.
    Vai dando noticias. Um grande beijinho

  14.  # 26

    Boa tarde,
    Fiz ontem a ivg cirurgica na clinica dos arcos
    sinto me ainda muito triste, parece que ainda nao acredito no que aconteceu
    mas escrevo principalmente para salientar o bom atendimento que tive
    desde as pessoas da parte administrativa aos medicos, passando pelos enfermeiros sao todos muito muito humanos
    esta tudo mto bem preparado, tudo tem um seguimento e em cada palavra tentam animar a mulher
    Não é algo q queira repetir mas para quem n veja outra soluçao pelo menos fica a saber que existe um sitio em que o atendimento quase nos faz esquecer onde estamos..
    Muita força a todas

  15.  # 27

    Olá. Obrigada Isa e MSA87 pelas vossas palavras, acreditem que me ajudaram. Faz hoje 13 dias que fiz a IVG e ainda choro todos os dias. Eu não tenho filhos e continuo a sonhar muito ser mãe. Estou muito arrependida do que fiz embora tenha de me relembrar todos os dias das razões que me levaram lá no último dia do prazo. Claro que me sinto egoísta, culpada... porque aparentemente a minha gravidez estava a correr bem e o bebé estava bem... E claro, não posso deixar de pensar que apesar de eu ter feito tudo bem para não engravidar, engravidei... é aqui que entra a frase do "é porque era para ser"... e eu contrariei o destino.

    Agora tenho o terror de nunca mais ter uma oportunidade de novo e de se tiver que a mesma não corra bem. Já fui ao meu médico (logo 3 dias depois) e já fui vista. Ele foi impecável e acalmou-me imenso. Ainda me disse que me ia fazer um parto ou dois...Acompanhou esta história triste... eu estou até agora bem fisicamente. Ainda com algum sangramento. Mas o meu corpo começa agora a voltar ao normal. até tudo estar normalizado leva dois meses.

    Por outro lado agora vem o panico de nunca encontrar ninguem com quem possa realizar este sonho... Enfim, a minha cabeça está péssima. Amanhã fazia a eco das 12 semanas e está a bater-me muito mal. Hoje vou começar a psicoterapia com outro psicólogo. A minha psicóloga que já me acompanhava antes deste episódio não está a conseguir lidar com este assunto. Na realidade ela queria que eu tivesse este bebé porque achava que era a solução para os meus problemas, isto é o ainda não ter um bebé e ter o relógio biológico a dar horas e o facto de não encontrar um namorado. esta minha decisão no fim confrontou-a imenso... porque ela não pode ter filhos... E eu senti isso.

    Assim escolhi um terapeuta homem. Acho que me vai ajudar melhor. E sem aquele estigma do "já estás no fim da linha" e ainda por cima tiraste um bebé que a vida te deu.

    Com isto tudo devem pensar que mulher serei eu? Sou uma mulher normal, vivo sózinha na casa que pago ao banco, sou recibos verdes (por isso não tenho ajudas nenhumas). Sou Advogada. Neste momento, tenho dois ordenados em atraso!!! E não sei quando voltarei a receber porque a empresa onde trabalho está na falência desde Novembro. Estou a enviar CVs mas as respostas têm sido parcas. Numa das entrevistas ainda estava grávida e informei-os do facto. A resposta foi em tom de piada "Ah, agora que está a enviar CVs é que engravida?" - mais um peso para decisão que tomei...

    Sou uma mulher atraente (isto para perceberem que não teria muitas razões para estar sózinha mas às vezes a vida é mesmo irónica). Faço desporto, estava a treinar para a meia maratona, tenho um grupo grande de amigos que me adoram. Enfim...

    Também ando a ver da hipótese de congelar óvulos para proceder a uma inseminação daqui a um ano ou dois. Devem pensar agora que estou louca... Sim, tirei este filho e já estou a pensar em engravidar de novo! mas a verdade é que percebi mais do que nunca que quero mesmo ser mãe. Por outro lado, se calhar prefiro ser sem ter um mau pai por perto a fazer-me a vida negra. Se não aparecer ninguem vou recorrer a esta via. Neste momento tenho de arranjar soluções para poder descansar em paz. Porque neste momento sinto um vazio imenso e parece que a minha vida ficou desprovida de sentido e sem norte. às tantas parece que ando aqui por andar...

    O fulano ainda me andou a rondar depois de ter tirado o bebé, para ver se me dava colo. A lata!!! Já corri com ele. Também não será difícil porque apesar de tudo eu não tenho ninguem em comum com ele, nem um amigo sequer. E ele sempre fugiu a conhecer as minhas pessoas, a ser visto etc... Enfim prelúdio de um final dramático...

    VFJP CORAGEM!!. No seu caso e IVG é um mal necessário, no sentido de que esse bebé não terá hipóteses de sobreviver ou se viesse a fazer seria sem qualidade de vida... Ainda é muito nova e tem toda a vida pela frente para tentar de novo. A IVG não é culpa sua, não é uma decisão sua... A IVG cirurgica não traz problemas praticamente nenhuns. Por isso não se preocupe. No seu caso, vão lhe dar anestesia geral, e por isso não vai sentir nada. Apenas uma dor depois de acordar e terá corrimento durante duas semanas pelo menos. De qualquer das formas aconselho-a a ir ao seu médico logo poucos dias depois e de preferência se poder faça como eu, não volte lá para fazer a Eco. Faça através do seu médico. Vai ver que ficará mais calma.

    SDT com a única diferença que a SDT já tem uma princesa :), a sua história é igual à minha em muito e a descrição que fez do bloco também, com excepção de graças a Deus não ouvi os aspiradores (acho que há coisas que fiz um reset na altura)... Deixo-lhe uma Beijo especial de força pois que sei o que está a passar.

    Obrigada por me lerem. Ajuda muito escrever aqui. Beijos a todas e coragem. Vamos todas vencer esta fase e ainda vamos atingir a felicidade.

  16.  # 28

    Após ver este fórum a ganhar vida nestas ultimas horas passadas, não posso deixar de felicitar a todas nós que a pouco e pouco estamos a criar, quase que um "grupo de ajuda" virtual, e acho que é isso mesmo que muitas de nós precisa para que de alguma forma não se sinta só neste percurso de pura crise! Eu própria, mesmo já lá indo 8 meses depois da minha IVG, ainda sinto lacunas no apoio que os meus amigos me deram - e não digo isto de forma crítica, digo apenas no sentido de ser sempre mais fiel o testemunho de pessoas que passam pelo mesmo, e saber como elas enfrentam a situação. A troca de experiências é fundamental para complementar todo este longo e duro processo. Este fórum penso que é aquele que melhor descreve este processo, pelo menos quanto a mim, foi o que mais me elucidou na altura quando tudo ainda era novidade. Daí ter continuado a acompanhá-lo até hoje.

    Tuareg, fico contente por tê-la ajudado com mais um dos meus testemunhos (sim, começo a sentir-me demasiado faladora neste forum, e espero não me tornar massadora para as restantes utilizadoras), e quero felicitá-la em particular pelo seu ultimo post. Relativamente à parte em que se apresenta de forma pessoal, penso que é importante quer para si, quer para todos aqueles que lêem. Afinal de contas, à semelhança do que outras de nós também fez de certa forma no seu testemunho, é importante destacar que estas questões de aborto não se remete a classes baixas nem a pessoas ignorantes, sem rumo na vida. Enfermeira, advogada, designer... qualquer uma de nós, apesar de toda a informação que temos e que facilmente nos é disponibilizada, fomos puramente um alvo do azar por tal ter acontecido na nossa vida, e alterado-a irremediavelmente.

    Enfim, resumidamente queria reforça essa ideia de que somos pessoas absolutamente normais: activas, inteligentes, trabalhadoras, lutadoras, sensíveis,e até mesmo bonitas! Isto para desmistificar qualquer tipo de preconceito possivelmente existente entre algumas pessoas, com que infelizmente já me deparei. Contudo, interiormente com uma grande ferida, mas que certamente nos irá enriquecendo como ser humano.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Tuareg, SDT

    • SDT
    • 23 March 2011
     # 29

    Olá a todas! Fico feliz por sentir que de alguma forma estamos aqui unidas com o propósito de nos ajudar-mos mutuamente, penso que é muito importante para todas nós ter-se "criado" um grupo de ajuda.
    MSA87 faço tuas as minhas palavras, pelo que tenho vindo a ler todas somos mulheres normais,inteligentes,trabalhadores,somos mulheres activas e temos um rumo que embora neste momento pelas circunstâncias,ainda nos sintamos um pouco á deriva...
    Eu de alguma forma tb estou ligada á área da saúde,sou delegada de informação médica. Espero com o tempo conseguir falar mais convosco /partilhar,quais os motivos que me levaram a tomar a tão dificil decisão.
    Tuareg, compreendo muito bem aquilo que estás a sentir,assim como tu tb me revi na tua história, por vezes a vida coloca-nos em situações muito complicadas,foi o que nos aconteceu! Tivemos nas nossas mãos o poder de decisão de algo que não pedimos mas que depois desejava-mos muito e que se não fossem todos aqueles obstáculos que se depararam diante de nós,hoje estariamos a viver cada uma a sua gravidez. Sem dúvida que cada uma á sua maneira teve razões muito fortes e sem dúvida que o medo pesa e muito. Mas foi assim e agora temos de ter força e dia a dia ir tentando superar as angustias e os arrependimentos. Eu ainda não me perdoei,não sei quanto tempo vou demorar,mas ter-vos encontrado foi muito bom.
    Tuareg, tenho a certeza que quando planeares engravidar vais conseguir sem problemas, fomos muito bem tratadas por profissionais á altura e com todas as condições,pelo menos isso tivemos, se fosse á uns anos atráz tinha sido bem pior. Pelo que li todas nós estamos bem fisicamente,psicologicamente é que tem sido um inferno. Mas havemos de conseguir ultrapassar. Estarei sempre aqui para vocês. Um grande beijinho para todas e força.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Tuareg

  17.  # 30

    Tenho 32 anos e fiz uma IVG no passado dia 12 de Março. Recorri ao Hospital Público ao Serviço da Mulher e da Criança, foi horrível. Tinha tido todos os cuidados para não engravidar, mas não foram os suficientes e aconteceu. No relacionamento que mantenho sempre ficou bem claro que não haveria filhos, e quando o resultado do teste deu positivo nem queria acreditar, fiz outro mas o resultado foi o mesmo. Fiquei desesperada, era Sábado, estava sozinha e sem saber o que fazer. Passei pelo Hospital para tentar saber alguma coisa, indicaram-me o Serviço da Mulher e da Criança. Na Segunda-Feira fui lá, a recepcionista foi do mais insensível que pode haver, quando disse que queria fazer uma IVG perguntou-me se já tinha a ecografia e se sabia de quanto tempo estava, só me apetecia chorar, não sabia nada, ela responde "Devia de ter trazido a Eco como é quer quer que saiba de quanto tempo está", fui lá à procura de ajuda e fui tratada como se tivesse de saber todos os procedimentos. Marcou-me uma consulta para a Quinta-feira seguinte mas tinha, pelos meus meios, de levar uma eco a confirmar o tempo de gestação. Se já estava angustiada tudo piorou, para fazer uma eco precisava de um pedido médico e eu não tinha nada. Tive de marcar uma consulta e de me desenrascar sozinha. Não era preciso esta angustia pois a consulta que foi marcada era para isso mesmo, fazer a eco e assinar todos os documentos de termo de responsabilidade. Foram dias muito difíceis. Fui a uma segunda consulta no dia 10 de Março, fiz a primeira toma e trouxe para casa mais quatro comprimidos para tomar no Sábado. Assim que os tomei comecei a sentir-me mal e sangramento começou quase de imediato, tive muitas dores e perdi muito sangue, só acalmou ao final do dia, foi horrível, mas sei que foi melhor assim. Não havia condições para esta criança ser feliz e ter tudo o que merece. A pessoa com quem me relaciono é casado e tem um filho, mas o que posso fazer, sei que não está correcto, também sou casada, embora apenas no papel. Tive apoio da pessoa com quem mantenho o relacionamento, mas à distância. Sei que muitas pessoas ficarão chocadas e que me acharão vulgar e outras coisas piores, mas precisava de desabafar, tudo isto me consome todos os dias. O que mais queria era ser mãe. Neste momento sinto muita raiva e sinto-me completamente sozinha. Apenas queria falar com alguém que me compreenda e não me julgue. O maior castigo já em recebi, carregar esta angustia para o resto da vida. Estou confusa, a sangramento continua e também tenho ainda algumas dores, suaves. Tenho nova consulta no dia 7 de Abril. A todas as mulheres que tenham passado ou estajam a passar pelo mesmo desejo tudo de bom e que tenham muita força e esperança por dias melhores.

  18.  # 31

    Cara VJSGN,

    Li o seu testemunho e claro, à semelhança de todos os testemunhos aqui expostos, não me ficou indiferente. A minha IVG foi dia 11 de Março, e a próximidade da sua relembrou-me esses dias... que tento a muito custo não relembrar, se é que isso é possível...

    Com este meu comentário, gostaria de lhe dar alguma força, carinho e apoio, pois sei que isso é muito importante e tem sido muito importante para mim. Não se ache vulgar, porque isso não é verdade. Ninguém está livre de ter um relacionamento com um homem casado, e pelo que li o seu casamento não existe... propriamente dito. O que penso é que esta situação altamente dolorosa pela qual passámos e ainda nos encontramos a passar, traz algum crescimento. Da forma mais cruel mas traz. Todos os dias penso nela, mas entrei agora num processo de aceitação dos factos, compreensão dos motivos que me levaram a esta escolha e tento retirar os ensinamentos necessários para poder encontrar o caminho da felicidade e principalmente poder realizar o sonho de ser mãe, que por circunstâncias da vida me foi tão violentamente roubado.

    O primeiro ensinamento que retirei é que em relação a homens começo agora a pensar que tenho de separar mesmo o trigo do joio... e fugir de situações que à partida já sabemos que não nos vão levar a relações minimamente duradouras, felizes e onde possamos conceber um filho. Sim, é verdade, passei a olhar para os homens na perspectiva de poderem ser pais do meu filho, coisa que não fazia ou pouca importância dava.

    E se acaso me venha a envolver numa relação como a que tinha anteriormente, tento fazer o exercício de pensar: "se acontecer por algum azar com esta pessoa, tenho as condições para ter um bebé sózinha?" - Portanto, primeiro passo, no meu caso preparar-me para poder ter um bebé sózinha mesmo.

    A solidão também tem sido um problema que tem vindo a assolar a minha vida, e durante a fase da gravidez e todo o processo que me levou à IVG nunca me senti tão sózinha na vida, apesar de ter algumas pessoas à minha volta, estava completamente sózinha.

    Neste momento penso muito e estabeleço metas para a minha vida. Mas de uma forma mais concreta. Agora decidi preparar tudo para ser mãe solteira, caso não encontre mesmo ninguém. Se assim tiver de ser sê-lo-á comigo preparada e pronta para enfrentar o mundo. Não era o que se passava agora na minha vida... Acreditem que vou mesmo perseguir o sonho da maternidade. É claro que estou a fazer terapia, pois sózinha não conseguiria nunca ultrapassar este momento que me consome e me causa tanta dor. A quem o puder fazer aconselho que faça nesta fase tão dolorosa. Não deixem uma caixinha de pandora por abrir dentro de vocês. Tive consciência que se não cuidar de mim então é que não vou mesmo poder ser mãe. Cuidar de mim a todos os níveis.

    Já me arrependi milhares de vezes...Ao princípio não conseguia olhar para bébés e grávidas... Também tenho sido demasiado dura comigo mesma...

    Quanto à parte física, eu ainda tenho algum corrimento, mas já está a começar a desaparecer. Por isso no seu caso que é mais ou menos do mesmo tempo que o meu, deve ser natural ter ainda sangramento. O meu corpo só agora está a voltar ao normal. Estou a tomar uma pilula para regular tudo receitada pelo meu médico. Possívelmente o seu médico deveria fazer-lhe o mesmo. Até porque nos primeiros tempos a nível hormonal estamos completamente desiquilibradas o que também não ajuda a acalmar e ultrapassar esta fase. Imagine, se após o parto as mulheres já sofrem com as alterações hormonais, o que não será no nosso caso em que o mesmo acontece, mas não há bebé nenhum...e passámos pela experiência das mais traumatizantes das nossas vidas!

    Leva cerca de dois meses até tudo estar de novo restabelecido. Mas faça por ter um médico em quem confie e que a acompanhe daqui para a frente. Vai ver que ajuda imenso sentir que está tudo bem pelo menos fisicamente e que poderemos engravidar de novo sem problemas.

    Eu voltei ao exercício físico e tem ajudado também. Voltei a correr, à ginástica e andar de bicicleta. Pelo menos sinto que fico muito melhor depois. Estou à procura de um trabalho com contrato de trabalho e a ver se deixo a vida instável que tenho em termos profissionais. No fundo estou a construir a possbilidade de ser mãe. O plano B é o recurso à inseminação artificial. Parece muita loucura da minha parte, mas tenho de sentir que tenho a hipótese. Senão enlouqueço

    Mas não se pense que ainda não choro. Choro, e sinto uma dor no peito horrível, eu vivi a gravidez grande parte decidida a ir para a frente, e fiz tudo o que tinha de fazer enquanto grávida. Ecos, ouvi o coração, vi-o, reduzi o tabaco (sim fumo, é o único mal que faço à minha saúde, pois que resto nem alcóol bebo.), fiz as análises todas, deixei de fazer exercício físico, tomei o ácido fólico, magnésio, enfim... tentei mesmo. Mas fui esmagada pelas circunstâncias da vida e pelo facto de estar a ir contra tudo e contra todos ao ter esta criança, e sem condições ... Choro muito... mas já me sinto mais calma. Estou a fazer um esforço por ainda acreditar no futuro e na vida. Estou a fazer o luto. Isso é importante que se faça.

    VJSGN, pelo menos este fórum já ajuda. Podemos desabafar esta nossa dor e trocar impressões. Já não estamos sózinhas. Desabafe sempre e quando quiser. Não esteja "sózinha". Pelo menos nós estamos aqui. Precisamos umas das outras e compreendemo-nos mutuamente.

    Pense na sua vida. Este epísódio triste pelo menos terá de servir-lhe para isso... pense nas relações que tem ou mantém e veja se vale a pena. Lute por aquilo que quer, mas de forma assertiva e com as condições criadas. Pelo menos é o que vou tentar fazer. Lute por ser feliz.

    Grande beijo para si e para todas. E nunca é demais agradecer o vosso apoio que sei que vou continuar a precisar.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: VJSGN

    • VJSGN
    • 30 March 2011 editado
     # 32

    Boa noite Tuareg,
    Muito obrigado pelas suas palavras, estes têm sido uns dias muitos difíceis, passo os dias a pensar se terei feito o mais correcto e ao mesmo tempo procuro perdoar-me a mim própria, só não sei se serei capaz, mas o melhor é viver um dia de cada vez e ter esperança que esta dor passe ou pelo menos fique mais branda. Espero que tudo lhe corra pelo melhor, assim como a todas as mulheres que estão a passar por estes momentos tão difíceis.

    • amfm
    • 31 March 2011
     # 33

    Bom dia,
    Fez ontem precisamente 1 semana que fiz a minha IVG :(
    Sempre soube de todos os riscos que temos em não usar contraceptivos, mas uma vez que a minha relação com o meu namorado, a nível sexual não era muito grande facilitávamos um pouco. Nunca tomei a pílula, porque como nos altera bastante "hormonalmente", optávamos pelo preservativo, embora algumas vezes ficasse de lado :( e foi o que aconteceu.
    Tenho 29 anos (já devia ter juízo), mas aquele sentimento que só vai acontecer aos outros, agradava-me. No inicio não estranhei o facto de a minha menstruação não estar a chegar, ela sempre foi bastante irregular, andava bastante nervosa (sem saber porquê), mas agora penso e talvez já fosse o meu inconsciente a dizer-me que não era muito normal, mas eu pensava que o meu estado de nervosismo é que estaria a atrasar o período, embora não fosse.
    O meu namorado teve sempre cuidado, mas temos a noção que facilitávamos bastante.... até que tive coragem e contei-lhe o que se estava a passar comigo.
    Penso que andei a adiar, até em contar-lhe porque não queria acreditar que se estava a passar comigo.
    Conversámos sobre o assunto, e fomos comprar um teste de gravidez. Tive de esperar até ao outro dia de manhã, uma vez que teria de ser com a urina da manhã, mas o que me apeteceu, foi fazê-lo naquela mesma noite para ficar aliviada e para poder estar com ele ao meu lado.
    Não andava a dormir nada há alguns dias e aquela noite não foi diferente. Acordei e estive sentada na cama a ganhar coragem para o ir fazer e consegui. Deu logo positivo, nem foi preciso esperar como dizia no papel, tudo caiu aos meus pés, desatei logo a chorar...liguei-lhe e confirmei com ele.
    Já namoramos há já alguns anos, estamos a planear comprar casa e a tentar organizar a nossa vida de uma maneira diferente e com calma. Sei que um filho não seria mal nenhum, mas não vinha na altura certa, não vinha mesmo. Sabem quando planeamos a vida de uma maneira para tentar que dê tudo certo? é assim que andamos a tentar...
    Pensei muito, muito mesmo em não tirar, mas não podíamos ir com esta gravidez para a frente, não nesta altura em que cada um vive com os pais, em terras diferentes... planeamos ter mais tarde, quando tivermos as condições todos para podermos criar o nosso filho sem qualquer problema... :(
    Fomos às urgências de um centro de saúde para que nos ajudassem, pelo menos que nos orientassem de alguma maneira, porque estávamos assustados sem saber por onde nos dirigir e o tempo estava a passar. Como podem imaginar, o médico que nos atendeu, começou a dizer que teríamos de ir à medica de família para seguir com a gravidez. Foi então que tudo mudou, quando dissemos que queríamos interromper a gravidez, ele ficou chocado e disse logo que não queria ter nada a ver com aquilo, parece que estávamos a cometer um crime, senti-me mal...
    Tínhamos voltado tudo ao zero. Não queríamos contar a ninguém, porque não nos orgulhávamos do que estávamos a fazer, e sei bem que nos iriam criticar, mas tivemos de perguntar a um colega do meu namorado que já tinha passado pelo mesmo há 7 anos. Ele por incrivel que pareça também nos criticou, porque quando o fez tinha apenas 22 anos e que era tudo diferente, mas lá nos disse onde tinha ido. Tinha sido numa clinica em Oiã.
    Arranjamos o numero na net e ligámos, mas já não faziam "esse serviço". Voltou tudo igual. Sempre que tinhamos uma luz ao fundo, voltava a apagar-se :(
    Foi então que começámos a procurar na net, e encontramos a clinica dos arcos, ligámos logo e a 1ª consulta ficou logo marcada para a mesma semana no dia 18 de Março. Somos de Viseu, tivemos de arranjar uma grande desculpa para poder ir a lisboa sem que os meus ou os pais dele soubessem. Ia muito nervosa, cheia de medo, mas eles foram realmente 5 estrelas, como disse aqui no fórum. Desde a recepcionista, à enfermeira, todos.
    Fiz a eco, estáva ja de 7 semanas e 3 dias, tirei sangue, falei com o medico e marcaram-me logo a cirurgia para dia 23 (estaria de 7 semanas e 8 dias).
    Não sei se me senti aliviada, mas senti-me um bocado melhor. Mas continuei com medo, medo que corresse mal, que alguém soubesse, que não possa vir a ter filhos... sei lá.
    No dia 23, la tive de arranjar outra desculpa, e sempre que olhava para a minha mãe, só me apetecia chorar, estava a enganá-la, sentia-me triste, precisava de alguém para desabafar, mas não podia e não posso ainda...
    Chegámos la, ainda tive de esperar um bocado, os minutos não passavam, e lá ouvi o meu nome e com mais algumas mulheres e meninas, lá fomos para o bloco.
    Lembro-me de dizer logo à senhora que me chamou que estava com medo e nervosa e ela conseguiu por-me mais à vontade ao dizer que ia correr tudo bem e que não iria sentir nada, porque ia estar a dormir.
    Lá ouvi o meu nome outra vez para me dirigir ao bloco, apeteceu-me chorar muito, pensei se seria o certo o que estava a fazer.
    Sentei-me na marquesa, ataram-me as pernas, colocaram-me a anastesia e só me lembro de ver o medico, me perguntar se estava tudo bem e adormeci.
    Quando acordei, já tudo se tinha passado, não senti grandes dores, apenas uma dor de menstruação e um ardor por baixo, mas foi desaparecendo.
    E seguimos viagem para cima.
    Quando cheguei a casa, lembro-me que tentei dormir para esquecer que o tinha feito...até os meus pais chegarem a casa e me perguntarem como tinha corrido o dia... nem eles sabiam como.
    Bem posso agradecer, nunca tive dores, apenas algumas cólicas, mas nada muito doloroso, nunca foi preciso tomar nada para as dores, em relação ao sangramento, também nada de anormal, realmente apenas como nos últimos dias do período.
    Para a semana terei de ir à genecologista e contar o que se passou, tenho medo que ela diga alguma coisa.
    Apenas deixei aqui o meu testemunho, para me sentir melhor, porque nunca contei a ninguém, e precisava de desabafar, pelo menos com alguém que já passou pelo mesmo e que não critique.
    Sei que me devia sentir aliviada pelo que fiz, e até sinto, mas não totalmente, e não percebo porquê. Estou sempre a pensar nisso e realmente nem consigo olhar para bébés :(
    Beijinhos para todas as que passaram pelo mesmo e força para quem está a passar.

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    • amfm
    • 31 March 2011
     # 34

    Obrigada VJSGN pelas tuas palavras. Acredito que não vamos esquecer, mas pelo menos vamos conseguir perdoar-nos pelo fizémos. Desejo-te tudo de bom também e que tenhamos melhores dias :).

    • SDT
    • 31 March 2011
     # 35

    Olá a todas,
    Tuareg quero dizer-lhe que sempre que leio os seus desabafos me revejo em muitos deles,acho que de alguma forma as situações foram muito idênticas. Fico contente por perceber que está a tentar dar a volta e não desistir dos seus sonhos e isso é o mais importante.
    A pouco e pouco também já me vou sentindo melhor comigo mesma,não me tenho "mortificado" tanto...
    VJSGN, ao ler a sua história também ma identifiquei consigo, principalmente por ter uma relação com um homem casado... ninguém merece... porque é que nós nos sujeitamos a isso? Ás vezes penso que não tenho amor próprio! Já tive algumas relações após a separação com o pai da minha filha,mas nunca pensei apaixonar-me por um homem casado e com filhos com mais 15 anos que eu.
    Enfim...
    Neste momento já me sinto mais "desligada" dele embora ainda sinta algum apego.
    Neste momento vejo as coisas mais claras e sei que tenho tudo para ser feliz.
    Um grande beijinho para todas e vão dando noticias. Vocês têm sido muito importantes na minha recuperação,é bom saber que não estou sozinha. FORÇA

  19.  # 36

    Bom dia a todas .. ja fez ontem um semana que fiz a minha IVG :(
    como ja estava de 18 semanas , teve que ser provocado o parto.. estou de rastos ..
    todos me perguntam como estou , se estou bem .. eu digo que sim , mas voces que sabem como isto afecta psicologicamente uma mulher , sabem que ao dizer que estamos bem nao estamos a enganar so os outros como nos estamos a enganar a nos proprias ..
    cheguei ao hospital na quinta feira e o medico me meteu uns comprimidos para provocar o parto .. tive dores horriveis , contraçoes , tudo o que uma mulher tem quando vai ter um filho .. mas no meu caso .. o bebe nasceu , mas sem vida :( ..
    a noite rebentaram.me as aguas e ele la nasceu .. no dia a seguir as 9.30 da manha ja tinha alta do hospital .. tudo muito bem feito sim .. as enfermeiras foram fantasticas , ja nao posso dizer o mesmo do medico .. que as 9h da manha apenas me fez uma ecografia disse que o meu utero estava bem e me mandou para casa.. isto na sexta .. na terça voltei , e fui novamente internada , poir formara.me coagulos , fui obrigada a fazer uma raspagem para bem da minha saude .. hoje ja estou bem , nao tenho dores , fisicas pelo menos .. psicologicas , ja nao posso dizer o mesmo ..
    mas agora falando de quando voltei na terça , cheguei e foi dito que eu fiz uma ivg .. e pronto , ai começaram a olhar.me de lado .. ate me fzeram a crueldade de me por numa sala em que estava uma gravida a ouvir o coraçao do bebe , e esteve la mais de meia hora .. ate que a minha mae disse que nao foi bem uma ivg e sim um aborto por malformaçao do feto.. o tratamento mudou por completo.. começaram a atender.me de maneira mais simpatica .. e olhava.me com pena ( que n gosto , mas enfim) em vez de me olharem com desprezo.. acho triste que numa sociedade ja tao evoluida ainda haja este tipo de comportamento .. mas enfim..
    agora vou vivendo um dia de cada vez , tratar da minha vidinha , e quando puder e tambem tiver condiçoes logo penso em engravidar novamente , tendo em conta que vou ter que ter uma gravidez planeada e assistida..
    Muita força minhas senhoras .. e obrigada por partlharem os vossos testemunhos .. faz.nos nao so ver a vida de outra maneira como vive.la de outra maneira ..
    Beijinhos para todas *
    e Obrigada *

    • SDT
    • 8 April 2011
     # 37

    Olá a todas,
    VFJP, ao ler o seu testemunho não consegui conter as lágrimas... lamento muito
    A vida por vezes reserva-nos situações muito penosas mas acredito que no fim da tempestade vem a bonança.
    Os próximos tempos serão concerteza complicados a nivel psicológico mas acredite que essa dor vai atenuar com o passar do tempo e na próxima gravidez há-de correr tudo bem.
    Desejo-lhe uma rápida racuperação e muita força.
    Um grande beijinho para si.

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  20.  # 38

    Olá a todas,
    Faz no dia 25 de Abril um ano que fiz uma IVG, sempre quis deixar o meu testemunho, uma vez que quando isto me aconteceu encontrei muito pouca coisa na internet, e o que encontrei era muito negativo.
    Na altura já namorava há 5 anos, viviamos juntos há 3 anos e estava a terminar o curso, com mais 1 ano e meio de estágio pela frente. Não tomava a pilula por opção própria, já tinha tomado durante algum tempo, mas por sofrer de má circulação sanguinea, fibroadenomas mamários (nódulos que são sensíveis à pilula, e crescem bastante com a sua utilização), decidi deixar de tomar, e já não tomava há cerca de um ano. Utilizava preservativo e método do calendário, uma vez que o meu período é bastante regular calculava os dias férteis em que utilizava preservativo. O método resultou sempre até um dia em que a contagem me escapou por 1 dia... :(
    O período atrasou-se 1 dia e eu soube que estava grávida mesmo sem fazer o teste de gravidez... esperei mais 3/4 dias e fiz o teste que deu positivo.
    O dilema foi enorme porque não era o momento certo (financeiramente, estudos, eramos ambos trabalhadores estudantes...) e eu sempre sonhei planear a minha gravidez, e não há nada que queira mais na vida do que ser mãe, apenas não naquele momento!
    Custou-me bastante decidir, mas sabia que iria ser muito dificil concluir os estudos com um filho (vivo longe da minha familia).
    Decidi pela IVG medicamentosa na Maternidade Julio Dinis, em primeiro lugar liguei para a linha saude 24, onde me aconselharam a procurar o centro de saude da minha residencia, o que fiz no dia seguinte. No centro de saude fui muito bem tratada e aconselharam-me a contactar directamente a maternidade. Marcaram-me consulta para o dia seguinte à primeira hora da manhã. Devo dizer que estava bastante apreensiva, e não foi tão mau como imaginei. Fiz a ecografia, sem muitos detalhes por parte da técnica, o que até foi bom, porque não queria saber pormenores sórdidos... Estava de 3 semanas e via-se algo muito pequeno (o saco embrionário, e segundo ela mal se via o embrião...) A consulta com a primeira médica foi bastante fria, que serviu para preencher os dados necessários sobre as circunstancias e dados médicos, e lá fui para casa pensar durante 48 horas.
    Não tinha dúvidas, e estes dois dias só serviram para me causar ansiedade... Passados estes dois dias tive a 1ª consulta com um médico que foi bastante simpático e que me esclareceu todas as dúvidas sobre a IVG medicamentosa, o meu namorado acompanhou-me sempre.
    Nesse mesmo dia tomei o primeiro comprimido para parar a gravidez... não tive sintomas físicos... apenas psicológicos...
    mais dois dias passados e lá fui tomar os últimos medicamentos, bem cedo pela manhã no dia 25 de Abril (domingo) - dia de uma liberalidade
    Éramos bastantes mulheres e raparigas numa sala de enfermaria, estávamos todas em fila em cadeiras e lá nos explicaram o que poderíamos sentir após tomar os ditos comprimidos, devo dizer que tomei a medo... (mais da dor, porque a gravidez nesse momento já está interrompida)
    Passado pouco tempo de todas tomarmos os comprimidos comecei a sentir uma dor intensa (dores de período), a que já estou habituada, uma vez que sempre tive dores menstruais fortes. Perguntaram-me de imediato se queria tomar uma injecção para as dores, neguei...
    Ao meu lado duas raparigas reagiram bastante com vomitos e diarreia, mas felizmente foram medicadas e rapidamente melhoraram. A enfermeira era bastante simpática e terna, explicou sempre tudo de forma clara.
    Saí de lá já sem dores e com pouco sangramento. Já em casa tive bastantes cólicas e diarreia (que segundo a enfermeira é o normal), e foi neste momento que sofri mais fisicamente.
    Só passados 6-7 dias é que saiu a parte mais densa :frown: devo dizer que já estava com algum receio de não correr tudo normalmente...
    Após isto fui a uma consulta de planeamento familiar onde verificaram que tinha ficado tudo bem comigo.
    Não posso dizer que tenha sido uma experiencia traumatizante do ponto de vista de como fui tratada, nem do sofrimento físico, antes pelo contrário. Já do ponto de vista psicológico é algo que nos marca para sempre, quer queiramos quer não...

    Deixo o meu testemunho para o caso de vir a ser util a outra mulher na mesma situação, e também como forma de desabafo para mim mesma, para me ajudar a deitar isto cá para fora. Espero vir a ser mãe assim que termine o estágio, penso que será uma boa forma de ultrapassar esta situação.
    Não é fácil tomar uma decisão quando sabemos que todos os minutos contam...
    Beijos para todas

  21.  # 39

    Boa noite Missy,

    Comigo aconteceu o mesmo. Este foi o único sítio onde senti que podia desabafar o que estava a passar. Todos os outros sites eram super negativos e condenatórios...

    Eu ainda estou a tentar dar a volta mas tem sido bem difícil. Nem mesmo o facto de ter arranjado trabalho e de ir começar num sítio novo no início de Maio me tem tirado esta nuvem que paira sobre a minha cabeça... mas no meu caso eu sei que é por estar sózinha, ter 36 anos e de não saber quando vou poder engravidar de novo e finalmente ser mãe. Para mim, esta situação tem sido altamente desgastante psicologicamente. Sobretudo porque a maior parte das minhas amigas já têm bebés e passam o tempo todo a falar nisso... E ainda por haver o estigma que depois dos 35 anos é díficil engravidar, etc... Quanto a esta última, já comprovei que comigo não foi assim tão difícil (pelo contrário, foi apenas ter um descuido no dia da ovulação e zás). Sou muito regular e sei mesmo quando estou a ovular...

    Em relação à IVG, também fui super bem tratada. de resto tenho sido acompanhada pelo meu médico e está tudo bem comigo fisicamente. à parte do Mioma...

    Já menstruei normalmente (o que me fez alguma confusão... pois não menstruava desde o início de Janeiro e isso fez-me lembrar tudo o que passei). No meu caso também sei que só passou um mês e ainda é tudo muito recente, apesar de me parecer que já passaram imensos meses...

    Mesmo assim, estou a fazer por encontrar a minha felicidade. Mas ainda choro de vez em quando.... E sei, e nisso tenho de concordar que só tendo um filho é que vou ultrapassar mesmo este episódio. É sem dúvida nenhuma uma boa forma de o fazer. Mas primeiro tenho de encontrar o pai para o meu filho (ou esperar que isso aconteça). Caso não aconteça, já me estou a preparar a todos os níveis para recorrer à inseminação artificial em Sevilha.

    Caramba, não vai ser um cretino que passou pela minha vida a destruir-me de vez os meus sonhos (isto no meu caso). Pois que em relação ás circunstâncias da vida já vou dar conta delas.

    Beijinhos Missy e a todas.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: anago

  22.  # 40

    Boa noite Tuareg,

    Espero que consigas dar volta por cima, já passou um mês e uma semana que fiz a IVG, mas parece que foi ontem que soube que estava grávida e todos os dias penso como seria se não tivesse feito, se seria menino ou menina e tantas outras coisas, por vezes choro outras penso que teve de ser assim, mas nem sempre é fácil mas já dói menos, agora sinto um vazio, mas penso que com o tempo as coisas vão melhorar e em breve talvez possa ter o meu bébé e voltar a sentir-me completa.

    Beijinhos e felicidades para todas

  23.  # 41

    Olá Tuareg e a todas,
    É verdade que é muito bom podermos desabafar sobre esta situação, eu pelo menos tenho poucas pessoas que sabem disto e as poucas que sabem nem sempre nos apetece falar sobre isto com medo de ouvir algum comentário que nos deixa sempre feridas...
    Antes de fazer a IVG dizia que não era contra o aborto mas se acontecesse comigo não o faria... por aqui se vê que ninguém pode dizer que não fará uma coisa porque quando as coisas acontecem sem estarmos à espera nunca se sabe qual vai ser a nossa reacção.
    Eu tenho 32 anos, quando fiz a IVG tinha 31, e nunca pensei passar por isto com esta idade... A verdade é que senti que não era aquele o momento. Só comecei a tirar o curso 28 anos, e como a descoberta da minha vocação só aconteceu com esta idade decidi que não podia deitar a perder a minha carreira (este já foi o meu segundo curso e não queria fracassar de novo).
    Tuareg,
    Espero sinceramente que superes isto, neste momento ainda está tudo muito fresco e é normal que te sintas abalada. Eu reagi de forma diferente... penso mais nisso agora do que na altura em que tudo aconteceu. Naquele momento só queria que aquela situação desaparecesse e "acordar" do pesadelo... No fundo queria que aquilo não fosse verdade.
    Desejo-te boa sorte para a nova fase da tua vida!

    Fico feliz que exista aqui um espirito de entre-ajuda e compreensão, faz muito bem exorcisar tudo o que nos atormenta!

    :kiss: para todas!

  24.  # 42

    boa noite a todos! foi realmente muito bem ler as vossas historias! isto pk acabo hoje de terminar o processo medicamentoso da ivg !
    tudo começou a cerca de 3 semanas atras, e pergunto eu, porque tanto tempo neste sufoco? por incrivel que pareça nao foi preciso a minha menstruçao estar atrasada para sentir que estava gravida! eu propria sentia me diferente! e um dia ganhei coragem e fui comprar o primeiro teste... positivo.... desespero total!! eu nao queria ter 1 filho nesta altura da minha vida, nao tenho condiçoes financeiras e muito menos emocionais para criar um filho sozinha. o pai... o pai apoiou m em quase tudo e sempre me disse q estaria do meu lado qual fosse a decisao que tomasse, mas eu nao me sentia preparada! segundo teste POSITIVO! o que fazer? dirigi me ao local que sabia que faziam IVG , A maternidade Julio dinis! Lá como ja era d esperar a administrativa das urgencias ao dizer lh que estava gravida e que queria fazer a ivg olhou d lado! falou alto!! uma indelicadeza!!! esperei uma manha inteira pra ser atendida , e quando fui fizeram m a ecografia : 5 semanas! mas la nada puderam fazer!pois akela maternidade nao fazia parte da minha area de residencia ! ora agora perguntou me porque é que m fizeram esperar? kem fez a minha ficha nao me sabia informar logo na altura?
    Bem... segundo passo, hospital de gaia , isto uma quinta feira... marcaram me a primeira consulta para a segunda da semana a seguir! Mais 3 ou 4 dias de martirio!! a saber que a minha decisao estava mais que tomada , os dias parecia que nao passavam!
    segunda feira la estive : fui chamada inicialmente pra fazer uma ecografia , a caminho do local onde a faria foram me dados 2 livros. um em que me é explicado como e feito o aborto! as formas que existem para o fazer, e noutro livro explicava no que o estado me ajudava caso resolvesse levar a gravidez avante!
    esperei pela ecografia, 6 semanas!!! mais 1 semana !!!! apos fazÊ la esperei novamente para ser atendida por 1 medica! medica essa que nem tenho palavras para a descrever , de uma frieza incrivel! nao me explicou quase nada! apenas me perguntou se tinha lido o livro! e que nao podia ficar c ele porque havia poucos!!!!! proxima consulta esta segunda feira!!!!!!!toma do 1ºmedicamento!esse medicamento tem que ser tomado em frente a medica! ela so me perguntou tem agua para tomar? (por amor de deus) nao custou , nao tive dores, nada! foram m dados mais 4 comprimidos , 2 para tomar ontem para ajudar a nao ter infecçoes!!! bem uma autentica bomba para o meu estomago!!! e mais 1 vez s revela incompetencia!! o qjue custava alertar sobre isso? ha comprimidos proprios para preparar o estomago para a toma de medicamentos fortes!!! bem .. os outros 2 .. coloquei a cerca de 3 hrs . tenho mts dores abdominais... parecido com dores menstruais mas um pouco mais forte... e a hemorragia nao vem!!! o nervosimos apoderou se de mim!!! nao sei o que fazer!!! mas acredito que tudo irá passar!!
    um beijinho e muita força a quem estiver ou vier a estar nesta situaçao!!! nao desejo... nem ao meu pior inimigo!!

  25.  # 43

    minhas queridas qualquer duvida pesquisem este site!
    é muito util para quem tenha duvidas acerca de como decorre o processo
    um beijinho

    http://www.womenonweb.org/

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Meg Mullach

    • SGA
    • 20 April 2011
     # 44

    Bom dia a todas,

    Antes de mais quero felicitar-vos pela vossa coragem ao descrever aqui todo o terror porque passaram...
    Estou aterrorizada! Tenho uma depressão ha ja alguns meses e como tal estou a fazer um tratamento. No meio de tantos medicamentos, e de tambem de tanta tristeza que sentia e angustia vinda nem sei derivada a depressão penso que numa atitude de pura inconsciencia nem sempre tomei a pilula.
    Fiz analises sanguineas por rotina e ontem quando fui buscar os resultados eis que deu positivo para a Gravidez.
    Estou aterrorizada!! Namoro há ja 5 anos, pensava ter uma relação estavél e também pensei que um dia que isto acontecesse ambos pensariamos como adultos na decisão a tomar! Chorei o dia todo desde que soube que tinha um ser dentro de mim. Tenho muito medo. Falei com ele que está irredutivél! So me fala na IVG, pressionou-me o dia todo... Ainda nem me questionou sobre a minha vontade ou os meus medos... Quanto a mim, agora que tenho 28 anos, nunca pensei passar por este martirio! Votei sim ao aborto pois cada mulher tem opção de escolha. Não coloco a hipotese de não amar este ser (como poderia?!?!?) mas também não estou preparada para assumir um bebé sozinha e também não acho justo para o meu filho não ser amado pelo pai.
    Quero só aproveitar para dizer que é nestas alturas na vida de uma mulher que conhecemos efectivamente o homem que temos ao lado!
    Não sei o que fazer, sinto-me desolada!

    • anago
    • 20 April 2011 editado
     # 45

    SGA agr tens que ser forte ! quem ve caras nao ve coraçoes!
    e nas verdadeiras adversidades da vida que vemos quem realmente temos!
    agr pensa so em ti. na tua saude fisica e mental nao te preocupes com esse ser q tinhas ao lado!isso e secundario!
    relativamente a ivg é 1 processo q custa! custa muito!mas vais ser forte e ultrapassar!!!
    o meu processo da ivg ta a terminar!!!pensei sinceramente que fisicamente custasse mais! mas eu so forte!e tu certamente que tambem seras!
    um beijo e força

  26.  # 46

    Ola a todas,

    Eu fiz uma IVG à 2 anos. Tudo começou quando regresei a Portugal (tive 6 meses na Polónia no programa erasmus) e estava com um atrasado na menstruação de 2 semanas. Com a minha vinda para Portugal deixei uma bonita história de amor com o meu namorado que conheci lá e tivemos uma relação que durou práticamente os 6 meses que lá estive. E com o fim do "nosso erasmus" decidimos continuar e decididos que iamos resolver o problema da grande distãncia entre nós. Passado uma semana da minha vinda, fiz o teste de gravidez pois já estava a estranhar 3 semanas de atrasado (não poderia ser apenas apenas a mudança de países como toda a gente me dizia quando falava do meu atrasado na menstruação). Quando descobri que estava grávida, nao sabia se chorava se ria..era uma felicidade enorme com um misto de medo e responsabilidade. Na altura ainda me faltava 1 ano para terminar a minha licenciatura, encontrava me na casa da minha mãe na qual não estava bem por causa do meu padrasto que odeio (e tenho razões pra isso) e estava desempregada. Com o acréscimo que tinha contraído um empréstimo para realizar erasmus pois não me foi atribuído bolsa, um investimento pessoal que decidi fazer. Eram estas as razões que não me permitiram sorrir de felicidade por aquele filho... Sendo que o próprio pai estava muito longe (Turquia). A primeira pessoa que contei foi a minha mãe..e depois ao meu namorado. Minha mãe não sabia que me dizer, pois ela teve 6 filhos e sei que sofreu muito para nos criar e via que ela não queria que eu abdica-se do meu futuro assim...o meu namorado..bem..disse logo que tinha que abortar..que ele ia ser expulso da casa dos pais que não ia acabar o curso..enfim..eu ali feliz (apesar da minha realidade económica) e ele a encher me de chantagens, que se não aborta-se que nunca mais o via...que ia mudar de número de telemóvel..enfim um grande cobarde..o que merecia era que eu o ignora-se mas na altura estava tão frágil que nem consegui ter forças pra isso. Toda as amigas que consultei, irmãos, mãe..nenhum me quis ajudar a decidir apenas me tentavam mostrar os dois lados. Foi uma decisão muito dificil.. e com muitas incertezas..Mas lá fui, dirigi me ao Hospital de Braga no qual a funcionária do serviço de IVG me recebeu com uma arrogância enorme e marcou me para 1 mês depois a primeira consulta..ou seja..seria na altura ilegal quando comparecesse a primeira consulta...não me deu alternativa. Disse que a única solução que tinha era procurar outro Hospital ou Clinica. Então dirigi-me ao hospital de Viana do Castelo, bastou dirigir me a recepção e dizer que queria marcar uma consulta nos serviços da IVG para ser logo tratada com frieza e arrogância. Lá consegui uma consulta, fiz a ecografia em que a médica fez questão de colocar o monitor de forma a eu ver.. e quando lhe perguntei por uma psicóloga pois estava com dúvidas acerca da decisão a tomar ela disse me que estava com a agenda muito ocupada que não dava. Assim fui, a segunda consulta, onde estive uma hora no gabinete com a enfermeira e com o comprimido a frente sem saber se tomava ou não..por um lado o meu filho a crescer dentro de mim como seria capaz de lhe fazer mal, deveria lutar por ele e protege-lo..por outro lado, apesar de o meu namorado ter mudado radicalmente desde que tinhamos ido cada um pro seu país e de ter descoberto que estava grávida, amava-o e não queria destruir a vida dele..que ele fosse expulso de casa dos pais...que era o melhor para os dois..e também a minha situação, com um empréstimo, sem ter terminado curso, e na casa da minha mãe e a viver com um padrasto que tenho uma relação péssima. Depois destas coisas todas a rondar na minha cabeça..tomei o comprimido e chorei..chorei..chorei..até que a enfermeira me abraçou e pediu para eu ter força. Fui para casa, com 4 comprimidos para colocar via vaginal, passando dois dias..assim foi, numa sexta coloco os 2 primeiros e as dores começam fortes..hemorregias..ainda tomei os comprimidos para as dores, mas as dores eram tantas que acabei por vomitar os comprimidos..Quando coloquei os 2 últimos comprimidos vaginais ja estava cheia de sangue..o que me custou imenso. No dia seguinte, fui ao Hospital para fazer outra ecografia e a médica disse que estava tudo bem..mas ouvia-a dizer à enfermeira que o feto estava para sair..Quando cheguei a casa e fui a casa de banho vi aquilo que nunca mais hei de esquecer..e que voces devem imaginar..essa imagem nunca há-de ser apagada. Ainda hoje, espero ser chamada para uma consulta na psicóloga..passaram dois anos e a dor, vazio e mágoa continuam.. Dizem que o tempo cura tudo...mas afinal não é muita verdade.
    Hoje estou a trabalhar na área, tenho um emprego que adoro, acabei o meu curso, tirei a carta de condução, paguei o meu empréstimo, tenho um apartamento arrendado e comprei um carro..tenho a minha indepêndencia, o meu cantinho o qual dou muito valor pois nunca tive bom ambiente na casa da minha mãe. Tenho um namorado que é muito carinhoso comigo que eu o amo e ele a mim.
    Mas, infelizmente, nada disto preenche o vazio que tenho e a culpa que carrego. Com o meu ex-namorado, ficou muita coisa por dizer, pois acabamos a relação, mas eu nao tive oportunidade de lhe descarregar a raiva e a dor que passei sozinha. A desilusão que ele foi quando me disse logo que tinha que abortar e chegou mesmo a chantagear me... Talvez se um dia se tiver oportunidade de estar com ele cara a cara e descarreguar tudo o que tenho aqui dentro...me vá sentir mais leve..visto que a última vez que estivemos frente a frente foi na despedida..em que juramos amor eterno e que iamos ficar juntos brevemente...mas mal nós sabiamos que tinhamos já ali um ser entre nós que nos iria unir para sempre..e que apesar tudo uniu..pois as vezes ainda recebo chamadas dele de arrependimento pelo que me fez passar.
    A todas as mulheres que passaram por isto ou que estão a passar FORÇA ! Não se esqueção de uma coisa, ninguem nos pode julgar pois é uma decisão nossa na qual nós pagamos bem por ela com muita dor. Só nós sabemos aquilo que sofremos, ninguem faz uma IVG de animo leve e esquece passando uma semana. Por isso, quem são os outros pra criticar ou tratar nos como se fossem mais que nós ! Eu votei não no referendo do aborto .. ironia? Pois, mas aprendi uma grande lição, nós nao nos conhecemos completamente, as pessoas são as situações que vivem...antes dizia de boca cheia que nao era capaz de abortar que era irresponsabilidade..coitada de mim, mal sabia o que era estar grávida e nao ter condiçoes..aflição..desespero. Por isso hoje, nao julgo ninguém.. nem tenho esse direito..
    Espero que a minha história ajude alguém que dé força as mulheres que passam por isto. Fiquei muito feliz com este fórum, pois li testemunhos de mulheres que passaram o mesmo que eu e só nós que passamos por isso sabemos o que é... mais ninguém. E é bom saber que não estamos sozinhas :)

    Força ! **

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  27.  # 47

    Boa Noite

    Revejo-me em muitas historias aqui escritas, também fiz uma IVG. Não houve um dia neste tempo que não relembrasse, pensasse ou lamentasse o dia 06 de Fevereiro de 2009... Tive dúvidas até ao ultimo momento... e apesar de ter sido o "melhor" na altura arrependo-me até hoje, não sei se é arrependimento ou apenas um enorme desejo que este dia nunca tivesse existido, que nunca estive grávida, que nunca fiz um aborto... Senti raiva do meu namorado por não me ter impedido, por achar que era uma decisão minha...não! era uma decisão nossa, se calhar não queria carregar o peso do aborto e deixou que decidisse. Não tenho a responsabilidade...mas tenho um peso na consciência, dor, angustia o resto da vida...
    Não precisamos que os outros nos julguem e nos critiquem pelo que fizemos, nós fazemos isto muito bem.
    " E é bom saber que não estamos sozinhas:)"

    Força!!

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Christiana, DaNDelioN

    • Iva
    • 26 April 2011
     # 48

    Boa noite!!

    Fiz o teste de gravidez hoje,.. positivo!! tenho uma bebe de 18 meses e um novo bebe esta fora dos planos.. estou em panico!!! Ja li q ivr por comprimidos pode trazer mta complicação... alguem me ajuda??

    • amfm
    • 27 April 2011
     # 49

    Bom dia Iva,
    Também já fiz uma IVG, fez no dia 23 um mês. Também estava em pânico, sem saber bem ao certo o que seria melhor para mim e para todos, mas decidimos ir em frente :( Não tenho filhos, ainda, mas tenciono vir a ter.
    Em relação aos comprimidos, eu preferi utilizar a via cirurgica, desloquei-me a Lisboa, à clinica dos Arcos, onde fui bastante bem atendida, desde a Srª da receção, às enfermeiras, médicos... fiz com anastesia geral, não senti nada, apenas uma dor leve ao fim, como quando a menstruação aparece, mas nem foi preciso tomar nada.
    Penso que de todos os métodos é o mais eficaz e menos doloroso.
    Beijinhos e muita força para a sua decisão.

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: cm

    • sspp
    • 29 April 2011
     # 50

    Tenho 38 anos, casada e com 1 casalinho maravilhoso de 5 e 3 anos. Uma vida estável, nada de luxos mas tb sem grandes dificuldades. Tudo corria bem até acerca de 1 semana e meia me deparar com o grande dilema do: faço ou não faço?

    Não fazia parte dos nossos planos, longe de imaginar que tal me podesse acontecer, logo a mim que era super cuidadosa e era tão raro irmos aos "treinos" ultimamente, além disso com a minha idade a coisa já não pega assim tão facilmente, (julgava eu) usavamos preservativo e ........ falhou!

    Caíu-me o mundo aos pés, porque para mim só havia uma solução: arcar com as consequências e ir em frente mmo sabendo que isso poderia por em causa o meu emprego e toda a nossa estabilidade financeira assim como a felicidade dos meus filhos porque sinto que não estou preparada emocionalmente para todo o desgaste que é ter novamente um bebé em casa, mas estava disposta a arriscar porque eram estes os meus principios. Mas..... há outra parte iteressada nesta história, o meu marido, e pra ele tb só havia uma solução e mais nenhuma:ivg! chorei! discutimos! abraçámo-nos! argumentámos! e nada parecia fazer sentido....

    Decidimos que a melhor solução para a felicidade de todos seria mesmo ir pela via da interrupção. Fomos ás consultas que o protocolo obriga e qdo referi que estava a terminar um tratamento com antidepressivos informaram-me logo que isso era mais do que motivo para não seguir em frente e que no meu caso podia pensar até as 12 semanas (que tortura!) mas mmo assim sinto que ainda está nas minhas mãos.... Ficou marcado para daqui a 1 semana (qdo já estiver de 8 semanas) e até lá vou estar neste impasse em que um dia acho que é o melhor e no dia a seguir acordo e penso que vai ser o maior erro da minha vida.:crying:

    Como mãe garanto-vos que ter um filho é o melhor do mundo e neste momento, pelos meus 2 tesouros, para que eles possam continuar a ter uma mãe sã e que os possa acompanhar, vou tentar ser corajosa como a grande maioria de voçês que aqui deixaram os vossos testemunhos e seja o que Deus ou destino quiser......

    Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: cmonteiro, DaNDelioN


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